xororó du goias canta paixão de homem

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sábado, 11 de setembro de 2010

DISPIDIDA DA SINHÁ


(Tânia Mara Camargo)


Tô com o coração apertadu,
Vô deixá meu canto,
Meu rincão quirido,
Meu chão vermeio.

Di noite veju o céu
Estrelado, pareci
Tão pertu, mai
Tão pertu,
Qui a lua dá pra pegá.
Pareci doci de arroiz doci,
Bão de lambuzá.

As porteira aberta,
Isperandu o amo chegá.
I chego!
Tô formosa qui nem
Flô.

Mais o peitu dói
Ademais,
Num gostu de
Adespidida,
Eita firida duída.

Ocê já pode pega na mão
Inté! Tânia Mara Camargo

domingo, 5 de setembro de 2010

Ancim diria o passarin!















Mas que tanta alegria!
Porque canta passarin
Preso nesta gaiola
Muito longe de seu nin!
Diz amigo cantadô
Ta cantano a sua dô
Aí triste sozin?

Se soubesse respondê
Na certa ancim diria,
Canto a dô da sodade
De quem eu deixei um dia
Na galha da miruêra
Com a minha companhêra
Bem feliz eu vivia.

Até que o ser humano
Todo xeio de mardade
Preparô uma armadilha
Mostrano a preversidade
Pra alegrá seu coração
Prendeu-me no alçapão
Com tamanha crueldade.

Sem espaço pra voá
Vivo o meu dia a dia
Cantano pra nun xorá
Não sentino alegria
Estô nesta gaiola
E nada aqui me consola
Ser livre eu quiria.

Este ser humano
Que se diz inteligente
Por falta do que fazê
É que prende o inocente
Que vive no habitá
Com espaço pra voá
Que Deus fez pro vivente.

Quando este ser humano
Um dia cai numa prisão
Arranja logo um adivogado
Pra lhe tirá da detenção.
Valoriza a liberdade
Só pra ele na verdade.
Para o passarin não!

Mas Deus que está no céu
Que vê essa judiação
Cobrará do Homem um dia
E ele pagará intão
Lembrará da crueldade
Que fez com perversidade
Pagano tostão por tostão.

A terra foi feita
Para toda a criação
Todas têm o direito
Na Lei da Reprodução
Fez o espaço e a liberdade
Ele não fez a maldade
De criar o alçapão.

Airam Ribeiro

E-mail airamribeiro@gmail.com
www.usinadeletras.com.br

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

versos matutu


urubu ispera um ano
inté morrer um zebu
carcara é deferenti
pega mata e comi cru
pruque carcara num é besta
do jeito qui é o urubu



eu adimiro o coqueiro
qui a natureza criou
qui a paia foi la pra cima
e o cachu dipindurou
cum a quenga cheia da gua
qui eu num sei pru onde entrou


quando é tempo de carnavá
a coisa muda de jeito
as muié quaji nua
mostranu os bico dos peito
http://coronesabuguinho.blogspot.com/2010/02/versos-matutu_14.html
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segunda-feira, 29 de junho de 2009

Camim da Roça


Lêda Mello

Mêis di São Juão vem chegandu,
As festa vai arroxá.
Vô logo mi perparandu
Pra cumê, bebê, dançá.
Moçada vá mi isperando,
Qui eu vô mêrmo é namorá!

Meu Santo Antôim vem premêro,
Perparandu u meu terreno.
Cendo vela nu terrêro,
Rezo no sol, no sereno,
Insáio um jeitim facêro,
Pra módi fisgá moreno.

Dispois vem u meu São Juão,
E as festança continua,
É forró, xóte i baião
Dentro de casa i na rua,
I adispois duns três quentão
Num teim nêgo qui num súa !

São Pedro vem cuvitá
Us qui já tão namorando.
Dá inté pra si inxergá
Us pá qui foi si formando.
Pódi num findá nu artá,
Máis gozáru si arroxando.

I inquanto si intertém
Nus iscúro, namorando,
É bom cuidá pru xerém
Num si perdê, dizandandu,
Sinão, nu ano qui vem,
Vai tê bruguelo berrando.

domingo, 3 de maio de 2009

Os dotor da minha vida


Um otro disgosto meu,
são os dotor e as dotora,
que entraro na minha vida,
ao perdê mia genitora.
Cumecei a fazê bestagi,
casamento e beberagi,
e faiô a caxa motora.

Meus falicido nem dianta,
puxá na prosa traveiz,
puis pareci que to veno,
eis de foice e soco-ingreis,
mi esperano lá na entrada,
dessi tar de céu das cabra,
módi acertá conta cu'eis.

Mai ceis deve si lembrá,
duma dotora do cão,
que me pruibiu de tudo,
inté cumê macarrão.
Bacaiau e rapadura,
nem jabá e otra mistura,
pió qui uma sombração.

Dela eu inté mi livrei,
que um dia mi dispensô,
dispachô eu prum veinho,
que eu já num sintia dô.
O véio perdeu o prumo
e di novo me deu rumo
pro ambesp me incaminhô.

Lá chegano fui dizeno,
ceis capricha pur favô,
mi dê agora dotô bão
que faiz coisa cum amô.
Aquela distrambelhada
que num dexa cumê nada,
nela nunca mai que eu vô!

Me mandaro lá prum turco,
bãozinho como ele só,
bem sorridente e facero,
cheguei inté ficá cum dó.
De judeu eu nem falei,
que eu ispaio, num contei,
as guerra e forrobodó.

Afinar eu num sô boba,
se ele discobre, to frita,
vai me dá argum remédio,
sem botá laço de fita.
E antis que a vida eu perca,
bateno o rabo na cerca,
mió a mintira bendita.

Puis é, mai nesse interím,
o zóio tamém faiô,
e a dotora lá do ambesp,
im nada num resurtô.
Intão fui numa das boa,
que num gasta prosa à toa,
e só atende quem pagô.

Mai anti eu num pagasse
que a muié mi violentô,
falano tanta bestagi,
que o coração inté surtô.
Diz que eu ia ficá cega,
que o zóio tinha umas prega,
mai um bando de xororô.

Fiquei quasi pá morrê
di disgosto e apreensão,
afinar sê malamada,
é mole pro coração.
Mai cegueta, meus amigo...
Deus, num faça isso cumigo!
Num mereço essi quinhão.

Rezei um bando noite e dia,
e os ixame fui fazê,
tudo nu dinhero vivo,
vale dizê, sem nem tê.
Tira retrato pra cá
tira retrato pra lá,
pá meu zóio eis intendê.

Onti ela deu o veredito.
E num quero aqui mardá,
mai sua cara era certinha,
cara de ku sem lavá.
Diz qui tinha si enganado,
tarveiz só ixagerado,
cegueta eu num vô ficá.

Rispirei aliviada,
num foro im vão minhas prece,
que eu incaro as deficença,
perna torta num aburrece,
eu mi viro ku qui tenho,
dá inté um bão disimpenho,
Mai cegueta... quem merece?

Falô que eu tenho defeito,
di nascença, de famia
que argum dos meu ancestrar
tinha tamém essa arrelia.
E que o zóio inveiceu
bem mais anti do que eu,
mai pra isso tem magia.

Fiquei mais assussegada,
que sê véio num é defeito,
sinão os meus coleguinha,
nenhum seria perfeito.
Purquê vamu cumbiná,
Se essa tar lista eu somá,
deiz mir ano é dito e feito.

Mai num magoem cumigo,
eu amo ocêis memo assim,
sigurano nas barranca,
fingino num vê o tar fim.
E ispero de coração,
que a genti viva um montão,
gastano prosa xinfrim.

(Tere Penhabe)
Santios, 29/04/2009
www.amoremversoeprosa.com
http://artculturalbrasil.blogspot.com/2009/01/terepenhabe.html

Esse paper foi feito pelo Ju, grande Ju!
A muié de ocrus de ceguinha sô eu memo, o ocrus era da Cici... presente do namorado dela (presente de grego, se diga); a peste na parede ainda é o memo inté hoje, só mudô o dotor memo... a peleja cuntinua...
inté pro cêis

(Terê das Bêra Mar)

quinta-feira, 26 de março de 2009

VERSO CAIPIRA bão di mais

[Carlos Mota · Goiânia (GO)]


Pau no quengo, no cangote
Capote, capa, catira
Coivara, fogo, chicote
Corda de pau é embira.
Cada qual com sua sorte,
Cada qual em sua trilha:
Tem uns que são lá do norte
Outros que montam quadrilha,
Eu aqui na minha lida,
Vou burlando a desdita
E engalanando a vida
Com meu verso caipira,
Vivendo e fazendo fita.

Quinado é boa bebida,
Mexido é boa comida,
Água boa é de pote.
Menino bom é garoto,
Menino ruim pivete.
Dou de pau, de canivete
Se correr dou de chicote,
Vou enganando a morte
Com meu verso caipira.
De Padim Ciço: devoto
Bem mereço melhor sorte,
Pois eu quando vim do norte
Deixei de lado a mentira.
Voei nas asas do vento
Aprendi ler pensamentos
Mas já larguei os meus inventos,
E hoje todo meu sustento
Vem do meu verso caipira

terça-feira, 17 de março de 2009

CUNVERSA DE MATUTO"

OXENTE MÕÇO,
ARREPARE NÃO DOUTÔ
NUM SE APERREIE
COM MEU JEITO FALADOR
SOU DISLETRADO
MAR NUM SÔ DESOCUPADO
E É LÁ NO MEU ROÇADO
QUE TOMEM SOU PROFESSÔ
PREPARO A TERRA
PRANTO MIO, PRANTO FÉJÃO
BATATA SOJA ARGUDAO
GIRIMUM E COISA E TÁ
SE TÔ DUENTE
BEBO UM CHÁ DE QUIXABERA
CHAMO UMA BENZEDERA
PA MODE ELA ME REZÁ
NUM MI INVERGONHO
DI DIZÊ QUE SÔ DO MATO
SÔ MATUTO MAR DE FATO
SÔ UM CABÔCLO ASSUNTADOR
SÓ NA COLHEITA
É QUE VÔ LÁ NA CIDADE
MAR LÁ NUM TEM FILICIDADE
É SO MARDADE SIM SINHÔ
EU VEJO GENTE
CUMENO RESTO DE FÊRA
MANISSOBA MANIPÊRA
CARQUÉ COISA QUE SOBRÁ
ISSO É RAÇÃO
QUE AGENTE NEM DÁ PRO GADO
MAR TUDO VEM DO ROÇADO
DONDE VIVO A PRANTÁ
CIDADE GRANDE
É BESTAGI É ILUSÃO
É COMUM LÁ SE VÊ HOMI
ARRASTANO UM CARROÇÃO
OS VÉIO TRISTE
MINDINGANO UMA ESMOLA
AQUILO LÁ É UMA ESCOLA
PRÁ FORMÁ MUITO LADRÃO
ME ADESCURPE
E POR FAVÔME CUMPRIENDA
MAR DOTÔ NUM SI OFENDA
CUM MEU JEITO DE FALÁ
DEUS ME ADEFENDA
DE DEIXÁ O MEU TORRÃO
POIS DESTE BELO SERTÃO
NUNCA VÔ ME APARTÁ.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Arrégua! Qui Safadeza!

Iranimel (Rosinha)

Pobri di eu
inssustada aqui nesse mundo
teno que guardá um segredo no peitu
di um amô tão profundo!



Eu tava tão impaxonada
mai . . . apareceu uma danada
e bejo a boca deli.



Eli, safado da breca
inrepiô até as cueca
i bejo ela tomem!



Mai eu nem qui num intendo
cumo eli pode sê anssim
quandu tava junto di eu
dizia coisa tão bunita!



Gostava das minha ropa di chita
dos meu cabelo ispetadu
era amô pá tudo lado
paricia inté cinema . . .



Pobre di eu
suzinha aqui na roça
num fico sabeno dereito
pá quantas mai ele faiz
as graça que fazia preu



Ai! essa dô machuca tantu
qui meu zóinho já ta inchado
di alembrá qui esse marvado
judiô ansim di eu . . .



Arrégua! qui safadeza!
num guento mai tanta tristeza
acho que vo dá o troco
arranjo otro cabocro
quem sabi um dessis bem loco
qui si inpaxone por eu,



Qui mi ame di verdadi
qui num me arreparta cum otra
modi qui ieu fico é loca!
Mai, quando eu incontrá otra boca
qui num chere qui nem difunto
eu vo é bejá
Muntoooooooooo.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

o nigosim cumplicado uai sôooooooo

É verdade matemática
Que ninguém podi negá
Que essa história de gramática
Só serve pra atrapaiá

Inda vem língua estrangera
Ajudá a compricá
Meió nóis cabá cum isso
Pra todos podê falá

Na Ingraterra ouví dizê
Que um pé de sapato é xu
Desde loo já se vê
Dois pé de sapato é xuxu

Xuxu pra nois é legume
É verdade e não boato
O ingrês que lá se arrume
Mas nóis num come sapato

Ná Itália ouví dizê
Eu não sei por que razão
Que manteiga lá é burro
Lá se passa burro no pão

Desse jeito pra mim chega
Sarve o povo do sertão
Onde manteiga é manteiga
Nóis num come burro não

Na Argentina aprendi
Que lá saco é paletó
Lá se o gringo toma chuva
Tem que pô o saco no só

E se acaso o dito encóie
A muié diz o pió:
Teu saco é muito pequeno
Vê se arranja um saco maió

Na América corpo é bódi
Veja que bódi vai dá
Conhecí uma americana
Doida pro bódi entregá

Fiquei meio atrapaiado
E disse pra me escapá
'ia moça eu não sou cabra
Chega seu bódi pra lá

No Chile cueca é dança
Pra se dançá e bailá
Lá se dança e baila cueca
Até a noite acabá

Mas se um dia um chileno
Vié pro Basil dançá
Tente mostrá a cueca
Pra vê onde vai pará

Uma gravata esquisita
Um certo francês me deu
Perguntei onde se bota
Acho que num entendeu

Me danei com a resposta
Isso é coisa que eu não faço
Seu francês mal educado
Mete a gravata no seu...

DESCONHEÇO A AUTORIA

POEMA CAIPIRA eeeeee declaração di amo sôoooo

{ROSANGELA MALUF}


POEMA CAIPIRA

Toda vez qui vejo ocê
Sinto um frio esquisito
Me seca a boca na hora
E por dentro eu sorto um grito

Toda vez qui ocê me óia
Me sobe um calor tão estranho
Sinto um fogo na cara
E sou tomada de assanho

Toda vez qui ocê me chama
Pra ir lá na cachoeira
Eu sei qui mió num tem jeito
Saio assim na galopeira

Toda vez qui nóis vem junto
Deste lugar tão bendito
Eu fico mole, mole, mole
Achando ocê tão bunito...

Mas toda vez qui ocê passa
Fingindo qui nem me vê
Eu fico morta por dentro
Mas num desgosto docê...

Verso Caipira de um Setentão curuis


Vô contá pra óceis como é triste vê a veíce chegá,
Vê os cabelo caindo, vê as vista incurtá,
Vê as perna trumbicando, cum priguiça di andá
Vê “aquilo” esmorecendo, sem força pra levantá.

As carne vão sumindo, aparecendo as veia
As vista diminuindo e crescendo a sombranceia
As coisa vão encurtando, vão aumentando as oreia
Os ovo dipindurando, diminuindo a peia.

A veíce é uma doença que dá im todo mundão
Dói os braço, dói as perna, dói os dedo, dói a mão
Dói os figo e a barriga, dói o rim, dói o purmão
Dói o fim do espinhaço, dói a corda do cunhão.

No tempo que eu era moço, o sor pra mim briava
Eu tinha mir namorada, tudo de bão me sobrava
A menina mais bonita, da cidade eu bulinava.
Eu fazia todo dia, inté o bichim esmorece e desbotá.

Mai isso tudo passô, faiz tempo, ficô pra trais
As coisa que eu fazia, hoje num sô capaiz
O tempo me robô tudo, de um jeito sagaiz
Pra falá memo a verdade, nem trepá eu trepo mais.

Quando chega os setenta, tudo no mundo embaraça
Pega a muié, vai pra cama, aparpa, beija e abraça
Porem só duas coisa faiz: sorta peido e acha graça.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Oi Meu Amor !aaaaaaaa trenzim


Ti quero ocê
Kinem uma foto bunita prá oíá
Uma frô xerosa prá xerá
Uma boca vermeia pra bejá

Ti quero ocê
Kinem uma bala gostosa pra xupá
Um xocolate crocante pra mordê
Um sorvete de morango pra lambê

Ti quero ocê
Kinem massa de pão pra amassá
Uma bunda linda pra biliscá
Um docinho de leite pra comê

Ti quero ocê
De um jeito quarqué
Do jeito ki ocê quisé
Do jeito ki ocê dexá