xororó du goias canta paixão de homem
Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poema. Mostrar todas as postagens
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
sexta-feira, 19 de março de 2010
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
S O D A D E - Poema Matuto

Dessa palavra, sodade,
num existe tradução.
É uma dô qui quando ataca,
nuis faiz sofrê de muntão.
É dô qui quando se sente,
mexe cum tudo da gente,
lá dento do coração.
Sodade num tem plurá;
purisso véve sòzinha.
Martratando munta gente,
do seiviçá à rainha.
Machucando c'a lembrança,
ais vêiz matando a isperança,
de quem prá ela, caminha.
Faiz o valente chorá,
faiz o forte isfraquicê,
faiz a gente se lascá,
sem drumí e sem cumê.
O cabra fica reiádo,
sofrendo disisperado,
pidindo a Deus prá morrê.
E o hôme, principamente,
acredite se quizé.
Sofre c'a situação,
nisso pode fazê fé.
O cabra sofre à vontade,
se a danada da sodade,
fô do tá "bicho muié"!
O dia fica cumprido,
o cabra acorda chorando.
Passa o dia puros canto,
mocorongo, matutando.
Num consegue nem surrí,
e ais vêiz, quando vai drumí,
vai se deitá saluçando.
Mais inda resta um consolo,
digo na minha poesia.
Antes de incruzá cum ela,
facilmente tu surría.
Pode iscrevê qui é verdade;
adonde ixistí sodade,
arguém foi feliz, um dia.
Prá finalizá, eu digo,
puro mundo, andando a êrmo.
Do fundo do coração,
cum meu peito todo infêrmo.
Sodade; digo surrindo:
É isso qui eu tô sintindo,
de você agora mêrmo!...
Autor: Bob Motta
Da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte
Da União Brasileira de Trovadores - UBT - RN
Do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte portal da noticia todas as noticias em um so lugar clik e visite
quarta-feira, 8 de julho de 2009
domingo, 5 de julho de 2009
domingo, 28 de junho de 2009
POEMA DE UM MATUTO

Essa côsa de internet
Eu inda num intendo bem
Só sei qui quando ocê
Entra num meu MSN
E tecla cumigo tumbém
O sangue corre nas vêas
O coração acelera
E o nosso amigo libera
uma sensação gostosa
E te deseja tumbém
Eu num sei comé qui faço
Pá mim incontrar com ocê
Por qui toda vez que teclo
Já mim vem um grande anseio
Um desejo de ocê
E aquele nosso amigo
Cumeça se levantar
A única coisa que faço
É correr pa mim aliviar.
Então eu to rezovido
A mim casar cum ocê
Amanhã eu xamo o pade
E depois ligo o PC
Ocê diz o sim pá mim
E eu digo sim pá ocê
Só num sei cumé qui faço
Pa dormir cum o PC
Mais se for só pelo o amigo
Num vai ter pobrema naum
Pois é só pensar em ocê
Pa ele entrar em erupção
Ducarmo de assis
terça-feira, 21 de abril de 2009
Seu moço ce nun sebe u que qui e?!!!
_J10.jpg)
Autoria: Da Paz
Seu moço?!!!
Tu nem sabe o que é
Um girá, um aguidá
Um toné e um barrí
Uma cuia e um funí
São palavras regioná!
Uma casinha de taipa singela
Com uma cruz na cumieira
Pra espantá besta-fera
Um retrato de Pade Ciço
Apregado na parede
Uma porta de imburana
E o cadeado é uma tramela!
Uma tina de chouriço
Feito com sangue de barrão
Fogão de lenha e nele uma panela
com galinha de capoeira
Muita canjica e pamonha
Com manteiga de garrafa
Pendurado em um torno
Um borná e um bodoque
E pra guardar nossos trapos
Uma mala, um baú
Uma paioça de gravatá
Uma mesa bem comprida
cercada de tamburete
pra comodar fiarada.
Um paió de aigudão
E um silo de feijão
Farinhada, cavalgada
Pate-papo na latada
Nos domingos
Uma boa cachaçada
E um tacho de buchada.
Seu moço?!!!
Tu nem sabe o que é
Um girá, um aguidá
Um toné e um barrí
Uma cuia e um funí
São palavras regioná!
Uma casinha de taipa singela
Com uma cruz na cumieira
Pra espantá besta-fera
Um retrato de Pade Ciço
Apregado na parede
Uma porta de imburana
E o cadeado é uma tramela!
Uma tina de chouriço
Feito com sangue de barrão
Fogão de lenha e nele uma panela
com galinha de capoeira
Muita canjica e pamonha
Com manteiga de garrafa
Pendurado em um torno
Um borná e um bodoque
E pra guardar nossos trapos
Uma mala, um baú
Uma paioça de gravatá
Uma mesa bem comprida
cercada de tamburete
pra comodar fiarada.
Um paió de aigudão
E um silo de feijão
Farinhada, cavalgada
Pate-papo na latada
Nos domingos
Uma boa cachaçada
E um tacho de buchada.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
AMÔ PENOSO
Um casá de passaríin,cumeçô a namorá,
munto feliz a cantá,
num fíi de arta tensão.
O macho curruchiando,
a fême linda, no fíi,
gostando do curruchíi,
era tôda animação.
In liberdade totá,
ais avezinha cantando,
a todos emocionando,
no seu cantá maviôso.
O show era tão bunito,
tão lindo eu num ví jamais.
Um canto de festa e paz,
môço, era maraviôso.
Porém, aquela beleza,
in tristeza se findô.
Um dêles, de fíi mudô,
e a mudança foi fatá.
Sem no perigo cuidá,
um no fíi positivo,
e o ôto, no negativo,
trataro de se bêjá.
Foi só uis bico incostá,
e o pió acunteceu.
Uis bichíin istremeceu,
nuis dois, o fogo pegô.
E morrêro agarradíin,
nuis fíi de arta tensão,
virado uis dois num torrão,
mais feliz, fazendo amô...
Bob Motta
quarta-feira, 15 de abril de 2009
CARENÇA TOTÁ
Eu tô qui nem um zumbí,
andando a êrmo, sózíin,
sem você, sem seu caríin,
sem seu bêjo e seu calô.
Sem o seu surriso lindo,
eu tô infeliz da vida,
preciso de tu, querida,
preciso do teu amô.
Preciso do teu oiá,
de ficá mais tu, só nóis,
preciso da tua vóiz,
te juro, sem gaiofança.
Sofrendo c'á tua ausênça,
in nada, eu tenho consôlo,
tô cuma um minino tôlo,
chorando feito criança.
O meu sufrimento é tanto,
qui uis remendo incolocado,
sofre cum o acelerado,
do meu véio coração.
Muleque, qui nem tu sabe,
mais nêsse infiliz sufôco,
mode ixprudí, farta pôco,
qui nem bomba de São João.
A medicina num cura,
nem Pai de Santo ô Dotô,
sufrimento ô má de amô,
e eu vô munto mais além.
Se nóis se qué cumo diz,
e se ama inté demais,
só um remédio é eficaiz:
É nóis dois ficá de bem...
Autor: Bob Motta
FONTE[http://www.bobmottapoeta.com.br/MinhaHistoria.aspx]
andando a êrmo, sózíin,
sem você, sem seu caríin,
sem seu bêjo e seu calô.
Sem o seu surriso lindo,
eu tô infeliz da vida,
preciso de tu, querida,
preciso do teu amô.
Preciso do teu oiá,
de ficá mais tu, só nóis,
preciso da tua vóiz,
te juro, sem gaiofança.
Sofrendo c'á tua ausênça,
in nada, eu tenho consôlo,
tô cuma um minino tôlo,
chorando feito criança.
O meu sufrimento é tanto,
qui uis remendo incolocado,
sofre cum o acelerado,
do meu véio coração.
Muleque, qui nem tu sabe,
mais nêsse infiliz sufôco,
mode ixprudí, farta pôco,
qui nem bomba de São João.
A medicina num cura,
nem Pai de Santo ô Dotô,
sufrimento ô má de amô,
e eu vô munto mais além.
Se nóis se qué cumo diz,
e se ama inté demais,
só um remédio é eficaiz:
É nóis dois ficá de bem...
Autor: Bob Motta
FONTE[http://www.bobmottapoeta.com.br/MinhaHistoria.aspx]
OCÊ RIMA CUM...-

Meu amô, nêsses meus verso,
quero amostrá, pode crê,
o qui VOCÊ representa,
querida, no meu vivê.
Amostro chêi de emoção,
sem quaiqué inibição,
minhas rima prá VOCÊ.
VOCÊ rima cum meu sonho,
rima c'á minha sodade,
rima c'á minha alegria,
c'á minha necessidade.
Cum a minha inspiração,
rima c'á minha paixão,
c'á minha felicidade.
VOCÊ rima cum tezão,
cum seu bêjo apaixonado,
cum o arto astrá de sua presença,
cum meu abraço apertado.
C'as minha zurêia rôxa,
imprensada in tuais côxa,
cum eu feliz, subjurgado.
VOCÊ rima cum erotirmo,
c'á sua pele sedosa,
cum seu prefume gostoso,
cum sua vóiz melodiosa.
C'á minha língua e minha bôca,
qui lhe dêxa quage lôca,
seja in verso ô seja in prosa.
VOCÊ rima cum seus peito,
no fríi, rima cum calô,
cum um gôzo preno, infinito,
mais êsse seu trovadô.
Rima c'á luz do luá,
cum seu poeta a decramá,
prá você, versos de amô.
VOCÊ rima cum um biête,
de amô, qui iscreve prá mim,
e cum a fulô mais bunita,
do mais bunito jardim.
Isso ixprica, minha fía,
meu vivê, minha alegria,
pruquê sô feliz assim...
Autor: Bob Motta
fonte [http://www.bobmottapoeta.com.br/MinhaHistoria.aspx]
quero amostrá, pode crê,
o qui VOCÊ representa,
querida, no meu vivê.
Amostro chêi de emoção,
sem quaiqué inibição,
minhas rima prá VOCÊ.
VOCÊ rima cum meu sonho,
rima c'á minha sodade,
rima c'á minha alegria,
c'á minha necessidade.
Cum a minha inspiração,
rima c'á minha paixão,
c'á minha felicidade.
VOCÊ rima cum tezão,
cum seu bêjo apaixonado,
cum o arto astrá de sua presença,
cum meu abraço apertado.
C'as minha zurêia rôxa,
imprensada in tuais côxa,
cum eu feliz, subjurgado.
VOCÊ rima cum erotirmo,
c'á sua pele sedosa,
cum seu prefume gostoso,
cum sua vóiz melodiosa.
C'á minha língua e minha bôca,
qui lhe dêxa quage lôca,
seja in verso ô seja in prosa.
VOCÊ rima cum seus peito,
no fríi, rima cum calô,
cum um gôzo preno, infinito,
mais êsse seu trovadô.
Rima c'á luz do luá,
cum seu poeta a decramá,
prá você, versos de amô.
VOCÊ rima cum um biête,
de amô, qui iscreve prá mim,
e cum a fulô mais bunita,
do mais bunito jardim.
Isso ixprica, minha fía,
meu vivê, minha alegria,
pruquê sô feliz assim...
Autor: Bob Motta
fonte [http://www.bobmottapoeta.com.br/MinhaHistoria.aspx]
segunda-feira, 13 de abril de 2009
A Resposta do Jeca Tatu

Autor: Catullo da Paixão Cearense
Intérprete: Rolando Boldrin
Como diz o cabôco, diz qui, há muito tempo, um tal Senadô andô falano num jornal qualquer, qui o rocêro, o caipira, é... um priguiçôso, um indolente, um que só vive incostado... um punhado de coisas, enfim. O grande poeta Catullo da Paixão Cearense colocou, então, na boca de um desses brasileiros, lá do sertão, uma resposta... bem assim:
Seu dotô, venho dos brêdo,
Só pra mode arrespondê
Toda aquela fardunçage
Qui vancê foi inscrevê!
Num teje vancê jurgano
Qui eu sô argum cangussú!
Num sô não, Seu Conseiêro.
Sô norte, sô violêro
e vivo naquelas mata,
como veve um sanhaçu!
Vassucê já mi cunhece:
Eu sô o Jeca Tatu!
Cum tôda essa má piáge,
Vassucê, Seu Senadô,
Nunca, um dia, se alembrô,
Qui, lá naquelas parage,
A gente morre de fome
E de sêde, sin sinhô!
Vassuncê só abre o bico,
Pra cantá, como um cancão,
Quano qué fazê seu ninho,
Nos gáio duma inleição!
Vassuncê, qui sabe tudo,
É capaiz de arrespondê
Quando é que se ouve,
Nos mato,
O canto do zabelê?
Em qui hora é qui o macuco
Se põe-se mais a piá?
E quando é que a jacutinga
Tá mio de se caçá?
Quando o uru, entre as foiage,
Sabe mais asubiá?
Qualé, de todas as arve,
A mais derêita, inpinada?
A qui tem o pau mais duro,
E a casca mais incorada?
Hem?
Vancê nun sabe quá é
A madêra qui é mais boa,
Pra se fazê uma canôa!
Vancê, no meio das tropa,
Dos cavalo, Seu Dotô,
Oiano pros animá,
Sem vê um só se movê,
Num é capáiz de iscuiê
Um cavalo iquipadô!
Eu quiria vê vancê,
No meio de uma burrada,
Somente pur um isturro,
Dizê, em conta ajustada,
Quantos ano, quantas manha,
Quantos fio tem um burro!
Vancê só sabe de lêzes,
Qui si faiz cum as duas mão!
Mais, porém, nun sabe as lêzes
Da Natureza, e qui Deus
Fêiz pra nóis, cum o coração!
Vancê nun sabe cantá,
Mais mió qui um curió,
Gemeno à bêra da istrada!
Vancê nun sabe inscrevê,
Num papé, feito de terra,
Quano a tinta é o do suó,
E quano a pena é uma inxada!
Se vancê nun sabe disso,
Num pode me arrespondê:
Óia aqui, Seu Conseiêro:
Deus nun fêiz as mão do home,
Somente pra ele inscrevê
Vassuncê é um Senadô,
É um Conseiêro, é um Dotô,
É mais do qui um Imperadô,
É o mais grande cirdadão,
Mais, porém, eu lhi agaranto,
Qui nada disso siría,
Naquelas mata bravia,
Das terra do meu Sertão.
A miséria, Seu Dotô,
Tombém a gente consola.
O orgúio é qui mata a gente!
Vancê qué sê persidente?
Eu sô quero ser...
Rocêro e tocadô de viola!
Você tem todo dereito
De ganhá cem mil pru dia!
Pra mió podê falá.
Mais, porém, o qui nun pode
É a inguinorânça insurtá,
A gente, Seu Conseiêro,
Tá cansado de isperá!
Vancê diz que a gente
Véve cum a mão no quêxo,
Assentado, sem fazê causo das coisa
Qui vancê diz no Senado.
E vassuncê tem razão!
Si nóis tudo é anarfabeto,
Cumo é que a gente vai lê
Toda aquela falação?
Priguiçôso? Maracêro?
Não sinhô, Seu Conseiêro!
É pruquê vancê nun sabe
O qui seja um boiadêro
Criá cum tanto cuidado,
Cum amô e aligria,
Umas cabeça de gado...
E, dipôis, a impidimia
Carregá tudo, cos diabo,
In mêno de quato dia!...
É pruquê vancê nun sabe
O trabáio disgraçado
Qui um home tem, Seu Dotô,
Pra incoivará um roçado...
E quano o ôro do mío
Vai ficano inbunecado,
Pra gente, intoce, coiê,
O mío morre de sêde,
Pulo só isturricado,
Sequinho, como vancê!
É pruquê vancê nun sabe
O quanto é duro, um pai sofrê,
Veno seu fio crescendo,
Dizeno sempre:
Papai, vem mi insiná o ABC!
Si eu subesse, meu sinhô,
Inscrevê, lê e contá,
Intonce, sim, eu havéra
Di sabê como assuntá!
Tarvêis vancê nun dexasse
O sertanejo morrendo,
Mais pió qui um animá!
Pru módi a puliticaia,
Vancê qué qui um home saia
Do Sertão, pra vim... votá?...
In Juaquim, Pêdo, ou Francisco,
Quano vem a sê tudo iguá?...
Priguiçôso? Madracêro?
Não!.. Não sinhô, Seu Conseiêro!
Vancê nun sabe di nada!
Vancê nun sabe a corage
Qui é perciso um home tê,
Pra corrê nas vaquejada!
Vossa Incelênça nun sabe
O valô di um sertanejo,
Acerano uma queimada!
Vamicê tem um casarão!
Tem um jardim, tem uma cháca.
Tem um criado de casaca
E ganha, todos os dia,
Quer chova, quer faça só,
Só pra falá... cem mirré!
Eu trabáio o ano intero,
Somente quando Deus qué!
Eu vivo, no meu roçado,
Mi isfarfando, como um burro,
Pra sustentá oito fio,
Minha mãe, minha muié!
Eu drumo inriba de um côro,
Numa casa de sapé!
Vancê tem seu... ortromóvi!
Eu, pra vim no povoado,
Ando dez légua, de pé!
O sór, têve tão ardente,
Lá pras banda do sertão,
Qui, in meno de quinze dia,
Perdi toda a criação!
Na semana retrasada,
O vento tanto ventô,
Qui a paia, qui cobre a choça,
Foi pus mato... avuô!
Minha muié tá morrendo,
Só pru farta de mezinha!
E pru farta de um dotô!
Minha fia, qui é bunita,
Bunita, como uma frô,
Seu Dotô, nun sabe lê!
E o Juquinha, qui inda tá
Cherano mêmo a cuêro,
E já puntêia uma viola...
Si entrasse lá, pruma iscola,
Sabia mais que vancê!
Priguiçôso? He... Madracêro?
Não... Não sinhô, Seu Conseiêro!...
Vancê diga aus cumpanhêro,
Qui um cabra, o Zé das Cabôca,
Anda cantano esses verso,
Qui hoje, lá no Sertão,
Avôa, de boca em boca:
(cantado)
Eu prantei a minha roça,
O tatu tudo cumeu!
Prante roça, quem quisé,
Qui o tatu, hoje, sou eu!
Vassuncê sabe onde tá o buraco
Adonde véve o tatu esfomeado?
Han?... Tá nos paláço da Côrte,
Dessa porção de ricaço,
Qui fêiz aquele palaço,
Cum sangre do disgraçado!
Vancês tem rio de açude,
Tem os dotô da Ingêna,
Qui é pra cuidá da saúde...
E nóis?... O qui tem? Arresponda!
No tempo das inleição,
Qui é o tempo da bandaiêra,
Nós só tem uma cangaia,
Qui é pra levá todas porquêra,
Dos Dotô Puliticáia!...
Sinhô Dotô Conseiêro,
De lêzes, eu nun sei nada!
Meu derêito é minha inxada,
Meu palaço é de sapé!
Quem dá lêzes pra famía
É a minha boa muié!
Vancê qué ser persidente?
Apois, seja!
Apois seja, Meu Patrão!
A nossa terra, o Brasí,
Já tem muita inteligênça,
Muito home de sabença,
Qui só dá pra... ó, ispertaião!
Leva o Diabo, a falação!
Pra sarvá o mundo intêro,
Abasta tê... coração!
Prus home di intiligênça,
Trago comigo essa figa:
Esses home tem cabeça.
Mais, porém, o qui é mais grande
Do que a cabeça... é a barriga!
Seu Conseiêro... um consêio:
Dêxe toda a birbotéca dos livro!
E, se um dia, vancê quisé
Passá ums dia de fome,
De fome e, tarvêiz de sêde,
E drumi lá, numa rêde,
Numa casa de sapê,
Vá passá comigo uns tempo,
Nos mato do meu sertão,
Que eu hei de lhe abri a porta
Da choça... e do coração!
Eu vorto pros matagá...
Mais, porém, oiça premêro:
Vancê pode nos xingá,
Chamá nóis de madraçêro.
Purquê nóis, Seu Conseiêro,
Nun qué sê mais bestaião!
Não!.. Inquanto os home di riba
Dexá nóis tudo mazombo,
E só cuidá dos istombo,
E só tratá di inleição...
Seu Conseiêro hái de vê,
Pitano seu cachimbão,
O Jeca-Tatu se rindo,
Si rindo... cuspindo
Sempre cuspindo,
Co quêxo inriba da mão!
Eu sei que sô um animá,
Eu nem sei mêmo o que eu sô.
Mais, porém, eu lhe agaranto
Qui o qui vancê já falô,
E o qui ainda tem de falá,
O qui ainda tem de inscrevê,
Todo, todo o seu sabê,
E toda a sua saranha...
Não vale uma palavrinha,
Daquelas coisa bunita,
Qui Jesuis, numa tardinha,
Disse, inriba da montanha!...
Intérprete: Rolando Boldrin
Como diz o cabôco, diz qui, há muito tempo, um tal Senadô andô falano num jornal qualquer, qui o rocêro, o caipira, é... um priguiçôso, um indolente, um que só vive incostado... um punhado de coisas, enfim. O grande poeta Catullo da Paixão Cearense colocou, então, na boca de um desses brasileiros, lá do sertão, uma resposta... bem assim:
Seu dotô, venho dos brêdo,
Só pra mode arrespondê
Toda aquela fardunçage
Qui vancê foi inscrevê!
Num teje vancê jurgano
Qui eu sô argum cangussú!
Num sô não, Seu Conseiêro.
Sô norte, sô violêro
e vivo naquelas mata,
como veve um sanhaçu!
Vassucê já mi cunhece:
Eu sô o Jeca Tatu!
Cum tôda essa má piáge,
Vassucê, Seu Senadô,
Nunca, um dia, se alembrô,
Qui, lá naquelas parage,
A gente morre de fome
E de sêde, sin sinhô!
Vassuncê só abre o bico,
Pra cantá, como um cancão,
Quano qué fazê seu ninho,
Nos gáio duma inleição!
Vassuncê, qui sabe tudo,
É capaiz de arrespondê
Quando é que se ouve,
Nos mato,
O canto do zabelê?
Em qui hora é qui o macuco
Se põe-se mais a piá?
E quando é que a jacutinga
Tá mio de se caçá?
Quando o uru, entre as foiage,
Sabe mais asubiá?
Qualé, de todas as arve,
A mais derêita, inpinada?
A qui tem o pau mais duro,
E a casca mais incorada?
Hem?
Vancê nun sabe quá é
A madêra qui é mais boa,
Pra se fazê uma canôa!
Vancê, no meio das tropa,
Dos cavalo, Seu Dotô,
Oiano pros animá,
Sem vê um só se movê,
Num é capáiz de iscuiê
Um cavalo iquipadô!
Eu quiria vê vancê,
No meio de uma burrada,
Somente pur um isturro,
Dizê, em conta ajustada,
Quantos ano, quantas manha,
Quantos fio tem um burro!
Vancê só sabe de lêzes,
Qui si faiz cum as duas mão!
Mais, porém, nun sabe as lêzes
Da Natureza, e qui Deus
Fêiz pra nóis, cum o coração!
Vancê nun sabe cantá,
Mais mió qui um curió,
Gemeno à bêra da istrada!
Vancê nun sabe inscrevê,
Num papé, feito de terra,
Quano a tinta é o do suó,
E quano a pena é uma inxada!
Se vancê nun sabe disso,
Num pode me arrespondê:
Óia aqui, Seu Conseiêro:
Deus nun fêiz as mão do home,
Somente pra ele inscrevê
Vassuncê é um Senadô,
É um Conseiêro, é um Dotô,
É mais do qui um Imperadô,
É o mais grande cirdadão,
Mais, porém, eu lhi agaranto,
Qui nada disso siría,
Naquelas mata bravia,
Das terra do meu Sertão.
A miséria, Seu Dotô,
Tombém a gente consola.
O orgúio é qui mata a gente!
Vancê qué sê persidente?
Eu sô quero ser...
Rocêro e tocadô de viola!
Você tem todo dereito
De ganhá cem mil pru dia!
Pra mió podê falá.
Mais, porém, o qui nun pode
É a inguinorânça insurtá,
A gente, Seu Conseiêro,
Tá cansado de isperá!
Vancê diz que a gente
Véve cum a mão no quêxo,
Assentado, sem fazê causo das coisa
Qui vancê diz no Senado.
E vassuncê tem razão!
Si nóis tudo é anarfabeto,
Cumo é que a gente vai lê
Toda aquela falação?
Priguiçôso? Maracêro?
Não sinhô, Seu Conseiêro!
É pruquê vancê nun sabe
O qui seja um boiadêro
Criá cum tanto cuidado,
Cum amô e aligria,
Umas cabeça de gado...
E, dipôis, a impidimia
Carregá tudo, cos diabo,
In mêno de quato dia!...
É pruquê vancê nun sabe
O trabáio disgraçado
Qui um home tem, Seu Dotô,
Pra incoivará um roçado...
E quano o ôro do mío
Vai ficano inbunecado,
Pra gente, intoce, coiê,
O mío morre de sêde,
Pulo só isturricado,
Sequinho, como vancê!
É pruquê vancê nun sabe
O quanto é duro, um pai sofrê,
Veno seu fio crescendo,
Dizeno sempre:
Papai, vem mi insiná o ABC!
Si eu subesse, meu sinhô,
Inscrevê, lê e contá,
Intonce, sim, eu havéra
Di sabê como assuntá!
Tarvêis vancê nun dexasse
O sertanejo morrendo,
Mais pió qui um animá!
Pru módi a puliticaia,
Vancê qué qui um home saia
Do Sertão, pra vim... votá?...
In Juaquim, Pêdo, ou Francisco,
Quano vem a sê tudo iguá?...
Priguiçôso? Madracêro?
Não!.. Não sinhô, Seu Conseiêro!
Vancê nun sabe di nada!
Vancê nun sabe a corage
Qui é perciso um home tê,
Pra corrê nas vaquejada!
Vossa Incelênça nun sabe
O valô di um sertanejo,
Acerano uma queimada!
Vamicê tem um casarão!
Tem um jardim, tem uma cháca.
Tem um criado de casaca
E ganha, todos os dia,
Quer chova, quer faça só,
Só pra falá... cem mirré!
Eu trabáio o ano intero,
Somente quando Deus qué!
Eu vivo, no meu roçado,
Mi isfarfando, como um burro,
Pra sustentá oito fio,
Minha mãe, minha muié!
Eu drumo inriba de um côro,
Numa casa de sapé!
Vancê tem seu... ortromóvi!
Eu, pra vim no povoado,
Ando dez légua, de pé!
O sór, têve tão ardente,
Lá pras banda do sertão,
Qui, in meno de quinze dia,
Perdi toda a criação!
Na semana retrasada,
O vento tanto ventô,
Qui a paia, qui cobre a choça,
Foi pus mato... avuô!
Minha muié tá morrendo,
Só pru farta de mezinha!
E pru farta de um dotô!
Minha fia, qui é bunita,
Bunita, como uma frô,
Seu Dotô, nun sabe lê!
E o Juquinha, qui inda tá
Cherano mêmo a cuêro,
E já puntêia uma viola...
Si entrasse lá, pruma iscola,
Sabia mais que vancê!
Priguiçôso? He... Madracêro?
Não... Não sinhô, Seu Conseiêro!...
Vancê diga aus cumpanhêro,
Qui um cabra, o Zé das Cabôca,
Anda cantano esses verso,
Qui hoje, lá no Sertão,
Avôa, de boca em boca:
(cantado)
Eu prantei a minha roça,
O tatu tudo cumeu!
Prante roça, quem quisé,
Qui o tatu, hoje, sou eu!
Vassuncê sabe onde tá o buraco
Adonde véve o tatu esfomeado?
Han?... Tá nos paláço da Côrte,
Dessa porção de ricaço,
Qui fêiz aquele palaço,
Cum sangre do disgraçado!
Vancês tem rio de açude,
Tem os dotô da Ingêna,
Qui é pra cuidá da saúde...
E nóis?... O qui tem? Arresponda!
No tempo das inleição,
Qui é o tempo da bandaiêra,
Nós só tem uma cangaia,
Qui é pra levá todas porquêra,
Dos Dotô Puliticáia!...
Sinhô Dotô Conseiêro,
De lêzes, eu nun sei nada!
Meu derêito é minha inxada,
Meu palaço é de sapé!
Quem dá lêzes pra famía
É a minha boa muié!
Vancê qué ser persidente?
Apois, seja!
Apois seja, Meu Patrão!
A nossa terra, o Brasí,
Já tem muita inteligênça,
Muito home de sabença,
Qui só dá pra... ó, ispertaião!
Leva o Diabo, a falação!
Pra sarvá o mundo intêro,
Abasta tê... coração!
Prus home di intiligênça,
Trago comigo essa figa:
Esses home tem cabeça.
Mais, porém, o qui é mais grande
Do que a cabeça... é a barriga!
Seu Conseiêro... um consêio:
Dêxe toda a birbotéca dos livro!
E, se um dia, vancê quisé
Passá ums dia de fome,
De fome e, tarvêiz de sêde,
E drumi lá, numa rêde,
Numa casa de sapê,
Vá passá comigo uns tempo,
Nos mato do meu sertão,
Que eu hei de lhe abri a porta
Da choça... e do coração!
Eu vorto pros matagá...
Mais, porém, oiça premêro:
Vancê pode nos xingá,
Chamá nóis de madraçêro.
Purquê nóis, Seu Conseiêro,
Nun qué sê mais bestaião!
Não!.. Inquanto os home di riba
Dexá nóis tudo mazombo,
E só cuidá dos istombo,
E só tratá di inleição...
Seu Conseiêro hái de vê,
Pitano seu cachimbão,
O Jeca-Tatu se rindo,
Si rindo... cuspindo
Sempre cuspindo,
Co quêxo inriba da mão!
Eu sei que sô um animá,
Eu nem sei mêmo o que eu sô.
Mais, porém, eu lhe agaranto
Qui o qui vancê já falô,
E o qui ainda tem de falá,
O qui ainda tem de inscrevê,
Todo, todo o seu sabê,
E toda a sua saranha...
Não vale uma palavrinha,
Daquelas coisa bunita,
Qui Jesuis, numa tardinha,
Disse, inriba da montanha!...
sábado, 11 de abril de 2009
As contas de capiá

É só a gente passá
Um fio de linha no meio,
pra mode enfia as continha,
Com jeito pra não erra...
Quando o fio tivé bem cheio,
Cô’as conta tudo juntinha,
Também ta prontinho e feito
Um rosarinho prefeito
De contas de capiá...
Mas como eu ia contando
As conta de capiá
Azurzinha, bonitinha,
Quando elas fica quietinha,
paradinha na varinha,
Tão vendo o córgo passá
Um fio de linha no meio,
pra mode enfia as continha,
Com jeito pra não erra...
Quando o fio tivé bem cheio,
Cô’as conta tudo juntinha,
Também ta prontinho e feito
Um rosarinho prefeito
De contas de capiá...
Mas como eu ia contando
As conta de capiá
Azurzinha, bonitinha,
Quando elas fica quietinha,
paradinha na varinha,
Tão vendo o córgo passá
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Poema matuto pra São Francisco
[Por Bob Motta]
http://www.cronopios.com.br/blogdotexto/blog.asp?id=641
São Francisco, no meu verso,
arreceba a saudação.
O Sinhô qui aos animá,
istende sua potreção.
Apruveitando o seu dia,
quero na minha poesia,
tombém lhe pidí perdão.
Pru tudo de rim qui eu fiz,
no meu tempo de iscola.
Pru todos uis passaríin,
qui eu prindí numa gaiola.
Puros níin qui eu dirrubei,
sem querê, quando chutei,
muntas vêiz, jogando bola.
Puras ribaçã e rolinha,
qui à noite eu cacei "no facho".
Puras piaba qui istruí,
nais vertente duis riacho.
Puros quixó qui eu armei,
no sertão adonde andei,
ceicado à riba e abaixo.
Puras sariema qui eu,
cumí cumo tira gôsto.
Qui hoje in dia, eu matutando,
inda choro de disgôsto.
Quando o dia vai raiando,
num ôiço mais elas cantando,
mode eu me acordá dispôsto.
Certa vêiz eu acertei,
puramente por mardade,
uma "lavandêra", andurinha,
Infilirmente é verdade.
A tristeza inda me dói,
e o remorso me corrói,
mode essa prevessidade.
Hoje eu tô arrepindido,
de tudo isso qui fiz.
Mais, graças a Deus cuntinuo,
sendo um eterno aprindiz.
O remorso me cunsome,
pru tê caçado sem fome,
fingindo qui era feliz.
São Francisco, naquele tempo,
nais cidade e no sertão,
num tinha uis aprindizado,
qui hoje in dia existe não.
Num se era penalizado;
caça e pesca, no passado,
era pura divéição.
Ninguém tinha cunciença,
qui alí, tava cumetendo,
um crime sem precedente,
matando uis bichíin e cumendo.
Nóis, caçadô sastisfeito,
inté batia nuis peito,
e a natureza sofrendo.
Hoje, cuncientizado,
no teu dia cum emoção,
te cunfesso esses pecado,
de áima e de coração.
Nuis meus verso, tão sòmente,
São Francisco, humirdemente,
eu te peço o teu perdão...
http://www.cronopios.com.br/blogdotexto/blog.asp?id=641
São Francisco, no meu verso,
arreceba a saudação.
O Sinhô qui aos animá,
istende sua potreção.
Apruveitando o seu dia,
quero na minha poesia,
tombém lhe pidí perdão.
Pru tudo de rim qui eu fiz,
no meu tempo de iscola.
Pru todos uis passaríin,
qui eu prindí numa gaiola.
Puros níin qui eu dirrubei,
sem querê, quando chutei,
muntas vêiz, jogando bola.
Puras ribaçã e rolinha,
qui à noite eu cacei "no facho".
Puras piaba qui istruí,
nais vertente duis riacho.
Puros quixó qui eu armei,
no sertão adonde andei,
ceicado à riba e abaixo.
Puras sariema qui eu,
cumí cumo tira gôsto.
Qui hoje in dia, eu matutando,
inda choro de disgôsto.
Quando o dia vai raiando,
num ôiço mais elas cantando,
mode eu me acordá dispôsto.
Certa vêiz eu acertei,
puramente por mardade,
uma "lavandêra", andurinha,
Infilirmente é verdade.
A tristeza inda me dói,
e o remorso me corrói,
mode essa prevessidade.
Hoje eu tô arrepindido,
de tudo isso qui fiz.
Mais, graças a Deus cuntinuo,
sendo um eterno aprindiz.
O remorso me cunsome,
pru tê caçado sem fome,
fingindo qui era feliz.
São Francisco, naquele tempo,
nais cidade e no sertão,
num tinha uis aprindizado,
qui hoje in dia existe não.
Num se era penalizado;
caça e pesca, no passado,
era pura divéição.
Ninguém tinha cunciença,
qui alí, tava cumetendo,
um crime sem precedente,
matando uis bichíin e cumendo.
Nóis, caçadô sastisfeito,
inté batia nuis peito,
e a natureza sofrendo.
Hoje, cuncientizado,
no teu dia cum emoção,
te cunfesso esses pecado,
de áima e de coração.
Nuis meus verso, tão sòmente,
São Francisco, humirdemente,
eu te peço o teu perdão...
sábado, 21 de março de 2009
quinta-feira, 5 de março de 2009
A SARXIXA DO ZÉ
[Iranimel & Bel e Lydia]
http://zedaroca.fateback.com/
ROSINHA:
Cumadis!
Argua di oceis pode me dize si a Mirasor já miorô?
Ela dixe pra eu que num tava mais tomano café pruque só fica pensano no Zé, num armoça pensano no Zé, num janta, pensano no Zé, i num cunsegue mais drumi! Mai é craru que não, puis a cutchada ta morreno é de fome, de tanto pensá no Zé!
Dai ieu chamei a tenção deli, mai eli dixe pra eu que só ta isperanu ua pusição dela, causo que o negócio cuntinua de pé!!!
Cumadis, que tipu de negócio será que o Zé propois p'rela? Será queli ta pensanu de abri ua barraca de sarxixa na praçinha? Oceis tão sabeno de argua coisa? Si fo issu, inquanto a bobóca da Mirasor, ficá de bobera só oiano po Sór, ieu vo é tacá as sarxixa do Zé, causo que órvi dizê queli é mutcho bão na cuzinha, oceis sabia dissu?
Zabér:
Óia, Rosinha, sabê da boca dela si miorô, num sei não, a pobre tá tão sumidinha, fais dia num veju ela! Mai du negóciu du Zé ieu tô sabenu bem. Foi Mirasor memo qui ispaiô qui a sarxixa deli é ua gostosura, tem sustânça, agora tá anssim, só pensanu neli pruquê num tá sobranu sarxixa prela. Ieu mema já tirei essa istória a limpo, andei di prosa cum o Zé, qui nem ocê, i inté já tirei ua lasca da sarxixa deli, pruquê ua coisa é iscuitá falá, otra coisa é isprimentá, num é intão? Óia, vô dizê, nu mundu tem mai di mir Zé, mai otra sarxixa iguá a deli achu difici incontrá. É memo fatu qui tá querenu armá barraca, mai eli falô tamém qui qué casá coa Mirasor, u pobrema é qui pra sustentá a fomi dela, eli tem qui vendê a sarxixa deli i ela num concorda cuisso, num sabi pruquê, afiná é um negócio bem firmi, num tem pirigu di faiá. Bão, issu foi o qui eli falô pra ieu, num sei se Liloca tamém já tevi coeli. Tevi Liloca? I a Mirasor, tem vistu ela?
LILÓCA:
Mias cumadis du céu, ieu tive na casa da Mirasor, pa sabê da saude dela, ela tá mior, só cum reiva du Zé ta iscundeno as sarxixa di ela.
Mai dai ieu falei pru Zé num fazê issu cuela, pruque a coitchada tá aguada di vuntade di cumê a sarxixa du Zé,dei uma sarabanda neli.
Daí eli mi chamô nu quarto fechô a porta ii falô, oia Liloca eu vô cuntá um segredu pa ucê , ieu falei podi cuntá, eli diche qui tá cum pobrema serio, num sabi u qui cuteceu coeli eli axa qui foi umas mué qui estragô a sarxixa deli, num foi a cumadi Zaber?
Eli tá intê fazenu tartamento,dai eli mostrô a sarxixa deli fininha murchinha tão fraquinha qui tava quagi dobranu, dai eli mostrô cuma eli ta fazeno ginasta pa ela ficá grossona iguar aquela sarxixa temperada cum aio qui a genti compra nu suparmercado i é munto gostosa, intão mias cumadis vamu cunversá ca Mirasor prela tê pacença ii isperá u zé sará.
Cococeis axa???
Um beju proceis
ROSINHA:
Oi cumadi Zaber!
Ocê prestô tenção nissu que a Lilóca ta falano pa nóis? Ocê querditô nela? Sei não, mai, to achano que a Lilóca ta difamano a sarxixa do Zé, que é pa ela cume tudu suzinha, núm qué areparti cum ninguém, num sei si ocê sabe mai ela sempre foi mutcho gulosa. É bem verdadi que ela é mia amigona du peitchu, inté pur issu que o pelidim dela é "SUTIANZÃO" Mai dai a dizê que a sarxixa do Zé ta muchinha? Magina!!! Intão ieu num cunheçu a fama deli? Zaber, meu finadu maridu sempre dizia pra eu: Muié! Si um dia ieu morrê antes de ocê, num si apoquente cas finança, iscuite o que li digu, si aparecê arguém ofereceno sarxixa pocê, abra o negócio, causo que ieu nunca vi arguém sabê temperá sarxixa qui nem ocê. Intão, cumadi, pó xá que ieu vo averificá si o Zé ta mermo ca sarxixa tuda murcha, i si fô vredadi ieu tempero as sarxixa p'rele, dai ieu agaranto pocê que o negócio deli vai alevantá i eli vai podê vende as sarxixa na pracinha i fazê mutcho sucessu.
http://zedaroca.fateback.com/
ROSINHA:
Cumadis!
Argua di oceis pode me dize si a Mirasor já miorô?
Ela dixe pra eu que num tava mais tomano café pruque só fica pensano no Zé, num armoça pensano no Zé, num janta, pensano no Zé, i num cunsegue mais drumi! Mai é craru que não, puis a cutchada ta morreno é de fome, de tanto pensá no Zé!
Dai ieu chamei a tenção deli, mai eli dixe pra eu que só ta isperanu ua pusição dela, causo que o negócio cuntinua de pé!!!
Cumadis, que tipu de negócio será que o Zé propois p'rela? Será queli ta pensanu de abri ua barraca de sarxixa na praçinha? Oceis tão sabeno de argua coisa? Si fo issu, inquanto a bobóca da Mirasor, ficá de bobera só oiano po Sór, ieu vo é tacá as sarxixa do Zé, causo que órvi dizê queli é mutcho bão na cuzinha, oceis sabia dissu?
Zabér:
Óia, Rosinha, sabê da boca dela si miorô, num sei não, a pobre tá tão sumidinha, fais dia num veju ela! Mai du negóciu du Zé ieu tô sabenu bem. Foi Mirasor memo qui ispaiô qui a sarxixa deli é ua gostosura, tem sustânça, agora tá anssim, só pensanu neli pruquê num tá sobranu sarxixa prela. Ieu mema já tirei essa istória a limpo, andei di prosa cum o Zé, qui nem ocê, i inté já tirei ua lasca da sarxixa deli, pruquê ua coisa é iscuitá falá, otra coisa é isprimentá, num é intão? Óia, vô dizê, nu mundu tem mai di mir Zé, mai otra sarxixa iguá a deli achu difici incontrá. É memo fatu qui tá querenu armá barraca, mai eli falô tamém qui qué casá coa Mirasor, u pobrema é qui pra sustentá a fomi dela, eli tem qui vendê a sarxixa deli i ela num concorda cuisso, num sabi pruquê, afiná é um negócio bem firmi, num tem pirigu di faiá. Bão, issu foi o qui eli falô pra ieu, num sei se Liloca tamém já tevi coeli. Tevi Liloca? I a Mirasor, tem vistu ela?
LILÓCA:
Mias cumadis du céu, ieu tive na casa da Mirasor, pa sabê da saude dela, ela tá mior, só cum reiva du Zé ta iscundeno as sarxixa di ela.
Mai dai ieu falei pru Zé num fazê issu cuela, pruque a coitchada tá aguada di vuntade di cumê a sarxixa du Zé,dei uma sarabanda neli.
Daí eli mi chamô nu quarto fechô a porta ii falô, oia Liloca eu vô cuntá um segredu pa ucê , ieu falei podi cuntá, eli diche qui tá cum pobrema serio, num sabi u qui cuteceu coeli eli axa qui foi umas mué qui estragô a sarxixa deli, num foi a cumadi Zaber?
Eli tá intê fazenu tartamento,dai eli mostrô a sarxixa deli fininha murchinha tão fraquinha qui tava quagi dobranu, dai eli mostrô cuma eli ta fazeno ginasta pa ela ficá grossona iguar aquela sarxixa temperada cum aio qui a genti compra nu suparmercado i é munto gostosa, intão mias cumadis vamu cunversá ca Mirasor prela tê pacença ii isperá u zé sará.
Cococeis axa???
Um beju proceis
ROSINHA:
Oi cumadi Zaber!
Ocê prestô tenção nissu que a Lilóca ta falano pa nóis? Ocê querditô nela? Sei não, mai, to achano que a Lilóca ta difamano a sarxixa do Zé, que é pa ela cume tudu suzinha, núm qué areparti cum ninguém, num sei si ocê sabe mai ela sempre foi mutcho gulosa. É bem verdadi que ela é mia amigona du peitchu, inté pur issu que o pelidim dela é "SUTIANZÃO" Mai dai a dizê que a sarxixa do Zé ta muchinha? Magina!!! Intão ieu num cunheçu a fama deli? Zaber, meu finadu maridu sempre dizia pra eu: Muié! Si um dia ieu morrê antes de ocê, num si apoquente cas finança, iscuite o que li digu, si aparecê arguém ofereceno sarxixa pocê, abra o negócio, causo que ieu nunca vi arguém sabê temperá sarxixa qui nem ocê. Intão, cumadi, pó xá que ieu vo averificá si o Zé ta mermo ca sarxixa tuda murcha, i si fô vredadi ieu tempero as sarxixa p'rele, dai ieu agaranto pocê que o negócio deli vai alevantá i eli vai podê vende as sarxixa na pracinha i fazê mutcho sucessu.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Ó Santu Antoniu quirido
[Paulo M.Bernardo]
Ó Santu Antoniu queridu
Protetô das solteira e isquicida
Das moça sem namoradu
Mas qui querem um bucado
Arranjá um homi pra si casá
Arrangi pra elas dipreça
Um moçu dos más bunitu
Qui seje formadu e distintu
Pra fazê delas filiz!
O Sinhô sabi cumu ninguém
Qui o amor faz parti da vida
I uma pessoa isquicida
Pricisa arranja alguem!
Purisso meu Santu casamentêro
Eu rezu cum coração,
Eu rogu cum devoção
Pru módi de arraja
Cumpania pru seus coração!
Ó Santu Antoniu queridu
Protetô das solteira e isquicida
Das moça sem namoradu
Mas qui querem um bucado
Arranjá um homi pra si casá
Arrangi pra elas dipreça
Um moçu dos más bunitu
Qui seje formadu e distintu
Pra fazê delas filiz!
O Sinhô sabi cumu ninguém
Qui o amor faz parti da vida
I uma pessoa isquicida
Pricisa arranja alguem!
Purisso meu Santu casamentêro
Eu rezu cum coração,
Eu rogu cum devoção
Pru módi de arraja
Cumpania pru seus coração!
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Uma recramação mais imte quela si deu bem
[Marilena Basso]
Oh! Meu sinhô do fim da rua
tô aqui pra recramá
dum mar de amô
que mi deixô chorá.
Me aprontei tuda bunita,
cum vistido de chita,
trança no cabelo,
com marrio de fita,
batom vermeio na boca,
mais parecia uma boneca.
Fui dengosa nu baile,
esperando o Zé da Foice
me tira pra dançá,
joguei oiado de lado,
mandei um beijo ca mão,
mais o marvado oiava dotro lado,
nu rumo da Maria Faísca,
e fingia que num via essa
minina linda aqui.
Garrei a fica nervosa,
quando eles passaro dançando
e arrastando o pé no chão
levantando poera que até
meu nariz ficô zangado
e distampo a espirra.
Meus oios encheram de água,
a reiva tomou conta de mim,
quetinha fiz uma promessa
de vingança pro Zé.
Estiquei os óio pro salão,
pra descobri otro bunitão,
e num é que encontro
o João Safadeza,
dando mole na porta da frente?
Sem muito esperá,
lanço pra ele meu oiar,
junto uma piscada como que a falá
venha logo me tira pra dançá...
Inda bem que o danado
entendeu meu recado,
atravessô faiscando o salão
e do meu lado chegô,
e sem muita demora
nus seus braços mi joguei,
agarrei seu pescoço,
e fui puxando pru meio do salão.
E num é que o João dança bem,
me apertano a cintura,
colocando seu rosto moiado
bem do lado da minha cara,
fechei meus oios e sonhei
com esse novo novo principe
que pode ponhá o Zé no chinelo,
e me fazê pará de sofrê.
Oh! Meu sinhô do fim da rua
tô aqui pra recramá
dum mar de amô
que mi deixô chorá.
Me aprontei tuda bunita,
cum vistido de chita,
trança no cabelo,
com marrio de fita,
batom vermeio na boca,
mais parecia uma boneca.
Fui dengosa nu baile,
esperando o Zé da Foice
me tira pra dançá,
joguei oiado de lado,
mandei um beijo ca mão,
mais o marvado oiava dotro lado,
nu rumo da Maria Faísca,
e fingia que num via essa
minina linda aqui.
Garrei a fica nervosa,
quando eles passaro dançando
e arrastando o pé no chão
levantando poera que até
meu nariz ficô zangado
e distampo a espirra.
Meus oios encheram de água,
a reiva tomou conta de mim,
quetinha fiz uma promessa
de vingança pro Zé.
Estiquei os óio pro salão,
pra descobri otro bunitão,
e num é que encontro
o João Safadeza,
dando mole na porta da frente?
Sem muito esperá,
lanço pra ele meu oiar,
junto uma piscada como que a falá
venha logo me tira pra dançá...
Inda bem que o danado
entendeu meu recado,
atravessô faiscando o salão
e do meu lado chegô,
e sem muita demora
nus seus braços mi joguei,
agarrei seu pescoço,
e fui puxando pru meio do salão.
E num é que o João dança bem,
me apertano a cintura,
colocando seu rosto moiado
bem do lado da minha cara,
fechei meus oios e sonhei
com esse novo novo principe
que pode ponhá o Zé no chinelo,
e me fazê pará de sofrê.
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
esse poema retrata bão dimais u caipira
Autor: Gerson de Freitas Junior
Sou sujeito caipira
Do R puxado
Da alma tranqüila
do homem do campo.
Sou sujeito caipira
De viola e catira
De curió e saíra
De lambari e traíra.
Sou sujeito caipira
De estrada de chão
De lombo de mula
De enxada na mão.
Sou sujeito caipira
E fico logo animado
Se encontro um amigo
E proseio empolgado.
Mas quando “tô” triste
E a mágoa persiste
me aquieto no canto
e não dou aba pro pranto.
E se alguém me pergunta
Por que “tô” emburrado
Vou logo dizendo
Que é o cansaço “marvado”.
Sou sujeito caipira
De coração,
De festa junina
E de procissão
Sou sujeito caipira
De tradição,
Meu sangue vem de
Piquete¹ e lá de Conceição².
Sou sujeito caipira
Do R puxado
Da alma tranqüila
do homem do campo.
Sou sujeito caipira
De viola e catira
De curió e saíra
De lambari e traíra.
Sou sujeito caipira
De estrada de chão
De lombo de mula
De enxada na mão.
Sou sujeito caipira
E fico logo animado
Se encontro um amigo
E proseio empolgado.
Mas quando “tô” triste
E a mágoa persiste
me aquieto no canto
e não dou aba pro pranto.
E se alguém me pergunta
Por que “tô” emburrado
Vou logo dizendo
Que é o cansaço “marvado”.
Sou sujeito caipira
De coração,
De festa junina
E de procissão
Sou sujeito caipira
De tradição,
Meu sangue vem de
Piquete¹ e lá de Conceição².
Assinar:
Postagens (Atom)
