xororó du goias canta paixão de homem

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O úrtimo dedo de prosa caipira


.

A prosa do interiô tá sumindo sumindo e num sei inté quando vai durá. Às veis eu inté vejo os artista da tevê falando em caipireis naquelas novela de época da Grobo. Tem uns escritor que gosta de escrevê no jeito regionar e os violero de raiz, mas o povo que é povo, esse já num qué mais falá caipira. Na escola, os professô imprica cos caipira, nos jornar só usam um tar de portugueis padrão, que inté que é bão, mas não é só ele que nóis devia usá. A língua é do povo e pra ela ficá bem viçosa, carece que ela seja bem variada. Se ficá tudo iguar que graça é que vai tê?

Tarveiz um dia as pessoa comecem a tratá mió o protuguêis caipira, porque ele tamém é bonito, é cheio de palavra diferente que o povo da cidade nem sabe o que qué dizê. Eu sô um que num sei falá em caipirêis. Eu só arremédo, mas bem que gostaria de dominá essa tar de variante do interiô. Minha vontade era inté de escrevê uma gramática desse tipo de prosa. Por que que num dá pra usá caipirêis quando se escreve uma notícia de jornar? Por que que ninguém fala caipira no serviço? Porque é coisa de pobre sem curtura? Curtura é outra coisa, minha gente.

Vai chegá um dia em que poucos vão sabê como se fala o caipirêis e aí vão querê sarvá essa fala ameaçada de sumi de veiz. Eu vô fazendo a minha parte escrevendo esse posti de Interneti em caipirêis pra mor de mostrá que é possíver falá de coisa séria no meu capirirêis meio manco, que nem tem aquela graça toda que o verdadeiro matuto lá do grotão sabe falá muito mió.
http://radamesm.wordpress.com/2010/07/14/

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

PÃO DA LADY CAIPIRA



O que é necessário pra morde faze o pão

Para a massa

100 grs de fermento de pão

1 k de farinha de trigo

1 ½ copo(aquele de requeijão) de leite

1 copo ( aquele de requeijão) de óleo de soja

2 ovos

2 colheres( sopa) de açúcar

1 colher (café) de sal

Para o recheio

Para cada pão recheado o cê vai precisá de:-

250 grs de apresuntado fatiado

250grs de mussarela fatiada

2 tomates picados

1 cebola picada

1Como se prepara essa receitinha

Primero vamo começa pela massa que é de maneira

muito simpres de fazê, primero o ce ponha o leite em

uma panela e leve ao fogo para amorna(deixa esquentá

inté o cê ponha o seu dedo e guenta a quentura) da ai

o ce pega o copo de um liquidificadô ponha o leite, o

ovo, o sal, o açúcar , o óleo e por urtimo o ce ponha o

fermento de pão, bate tudo isso por alguns minutos( em

média uns 3 minutos). Despois de bate tudo isso o cê

despeja tudo em uma bacia ou arguma outra vasia que o

cê tive própria para isso.

Despois de despejado o liquido o ce vai aponhando farinha

De trigo inté da ponto de uma massa de pão, daí o ce vai

amassando... sovando...inté fica bem macia...demodos que

daí a massa ta pronta, ai o ce divide ela em duas partes,

abre a massa bem fina e daí o cê ponha o recheio, primero

o apresuntado, por cima o cê ponha a mussarela, despois

o tomate e a cebola picada, e por urtimo o cheiro-verde e o

orégano, emrola feito um rovambole.

Daí o ce ponha numa assadeira untada e enfarinhada (senão

acruda tudo na assadeira) leva em forno médio para assá.

Num precisa fazê aquela bolinha que poem no copo cum água

Pra morde esperá a massa crescê, já ponha direto no forno.

Quando a massa tive doradinha ( em média uns 45 minutos)

Daí desligue o forno e o pão da Ladycaipira ta prontinho.

fonte http://ladycaipira.blogspot.com/

NAMORICO!


Ontem eu fui no forró

Mais fiquei meio escondida num canto

Só oiano o cê dançá!

None que o cê aprendeu?

Zé! eu tô de boca aberta

Eu num so ancim tão esperta

Se daquele jeito, eu tentá requebrá

No chão, vo, me espatifá!

Por isso fiquei só no canto

De tanta vregonha, aposto que eu tava

Mais vremeia do que a frô do campo!



Tive que aprende prá agradar océis

Agora na fila da dança,fica mais de treis

Home de corpo duro,não agrada muiê

Fica encostado na parede

Mexendo só com o pé



Se ocê quize aprende

Posso inté te ensina

Vá a noitinha na minha casa

Que eu ti insino a rebolá



Óia que vo mermo uai!

Mai o cê, têm que prometê

Que vai se cumportá

Num vale querê agarrá

Mais do que a dança permite

Se bem que inté ia gostá

Mai perciso me cuidá

Morde nun ficá é falada!



Ai Zé

Se eu aprende direitinho

Vo te faze um carinho

sabe qual é?

Tiro bicho do seu pé!



Ai que vô adora

Bicho de pé e danado de bão

Dá uma coceira gostosa

Inté parece tesão



Eu te ensino rebolado

Mas não te agarro não

Não quero que seja falada

Prá bandas desse sertão



Depois de nóis casado

Ai é que vai se bão

Se ama lá no roçado

A incrivi Istória do Pexe Caipira


Nem bem tinha crariado o dia, o Marigheti já tava de pé. Custumado co´as pescaria, passô parte da noite arrumano as tráia. Foi até o quarto e viu que a muié tava durmino que nem um anjo. Caçô uma panela pra mode fazê um móca, aperparô o moinho de café com uma medida bem cheia, prum café forte, e foi virano a manivela devagarim. O chero do café moído na hora recendeu até no quarto.Tava ali intertido, quando iscuitô um chamado:


-Quê que tá fazeno, Marighetti?, gritô a muié, lá do quarto.


-Vô passá um móca pra nóis, respondeu ele.


-Num quero não. Vô ficá na cama mais um cadinho. Sua matula tá pronta no forno do fogão. Pega o emborná amarelo que é maior. Asso no dedo o pexe cocê pegá!, brincô ela.


-Credo muié, tá me agorano?


-Num tô não. Vai com as arma bendita!.


-Vê se dorme. Tô esperano o cumpadre Zé Matos. Ara, que aquele porquera nunca chega!.


O Marighetti então vai até o fumero do fogão de lenha e cata uma páia de mío pra mode fazê um pito. Escói a páia mais macia, arranca e corta as duas ponta cum canivete. Desdobra a páia e prende ela entre os dedos pai-de-todos e fura-bolo da mâo esquerda, enquanto cum a direita pega um tôco de fumo de corda. Corta fininho na parma da mão direita; cum a esquerda fecha o canivete e abre a páia, onde é distribuído de por ingual o fumo goiano cheroso. Enrola o cigarro bem apertado pra mode ficá bom de fogo e num faiá, dexa um dedo maomeno de páia sem enrolá, que ele móia cum guspe e fecha o pito. Oía pro fogão onde a água já tá ferveno. Despeja cinco cuierada de açúca cristar i espera fervê de novo, do lado aperpara o cuadô. A água ferve, tira a panela do fogo e despeja o pó de café indentro da panela. Dá uma mixida e dispeja no cuadô. A casa intera fica recendeno. Inquanto o café vai passano, ele cata um tição no fogão e acende o pito. Dá uma tragada longa, a brasa do cigarro corre quage na metade, vai até a janela e gospe lá fora, onde os cachorrro tavam deitado. Ele se ri das currida que os cachorro dá, vorta pega a caneca esmartada e enche até a boca.


-Qué café , muié?.


-Ara, num quero, já falei.


-Tá bão.


Nessa hora arguém bate parma na porta. Era o cumpadre Zé Matos pedino discurpa, mas num podia í pescá mais ele.


-Que aconteceu , cumpadre?


-A minha minina mais nova tá co´as pinta de sarampo. Vô tê que levá ela pro dotô cuidá.


-Tá certo, intão eu vô suzinho.


-Vai cum Deus cumpadre. Inté!.


-Inté.


O Marighetti deu uma olhada lá pra fora. Céu azur. Sór fraco, pôcas núvis.


-Ô dia bão pra pescá, sô! Esse cumpadre é um tôco ( falava isso naquele trejeito de Riberão Preto), tôco era pessoa qui não sai das inércia, fica parado que nem largato no sór.


Vara jogada nos ombro, matula cheia cum dois carderão de cumida: um cum custela de porco, fejão i angú; o outro cum macarronada de macarrão padre-nosso cum tumate do mato e muita carne moída.


Cum a ausência du cumpadre Zé Matos, ele rearmente se decidiu de ir suzinho. Trançô os dois emborná nos ombro, mais um saco de istopa cum uns apetrecho: fumo de corda, binga,páia de mío,garrucha de dois cano, munição, canivete, uma penera, uma cuié e uma frigidera.


Chegô na bêra do rio, bem numa curva, onde os pexe móra, acumpanhado pelo cachorro Viajante, preto que nem jabuticaba. Ele acomodô os apetrecho nos gaio duma goiabera, iscô os dois anzór. Malemá os anzór caiu nágua, uma das vara já imbodocô, mandi amarelo de mais de um quilo, malemá tirô o mandi do anzór, a outra vara já vergava, cum ôtro mandi. Devorveu um anzór, e uma piaba de mais de um quilo fez a linha de aço cantá, i mais ôtro, mais ôtro, o tercero, o quarto , o quinto, o sexto, e as fiera de pexe foi creceno a ponto de arrebentá.Oiano praqueles pexe ele arrastô mala prele mêmo, dizeno:


-Agora eu quero é pegá um dorado!.


Colocô os pexe no saco, pra mode livrá das furmiga e dos mosquitinho pórva. Feis o Viajante saí de perto. Ai dismontô a vara mais forte, incastoô o anzór de duas barra na linha 1,2 e pensô: - i a isca?


Catô uma penera, tirô a ringidera dos pé i entrô na água fresca. Foi passano a penera nos capim das bêra do rio: lambarí tava difíci, mais pegô duas inguía!. Saiu do rio, carçô as ringidera, i iscô uma inguía no anzór de dorado. I ficô alí esperano, uma, duas, três hora, nada. O sór tava arto. Parecia mais de mei-dia. O Viajante tava cum cara de fome. Largô a vara na espera, ispetada no barranco e foi percurá uma sombra boa pra pudê cumê em paz. Sem muito custo encontrô uma árve bem sombreada. Catô fôia de mamona i forrô o chão pra se refrescá e cumê. Bateu a macarronada de cabo-a-rabo; só dexô um quaje nada pro Viajante. Deu um sono, durmiu. Acordô pra mais das três hora, cum o Viajante oiano prele. Foi na bêra do rio. Nada de dorado.Puxô o anzór, trocô a isca, jogô de novo.o viajante saiu correno atrais duma piriá e azulô da bêra d´água.


Perparô um pito, du jeitim que gostava, mas em antes, foi até a sombra onde tava a matula e comeu o ôtro carderão de cumida, dexano menos que a metade pro Viajante. Se apercebeu que o viajante já tinha armoçado, pruquê vortô cum a boca suja de sangue e peloda piriá. O viajante oiô prêle e deitou quietinho, dormino que nem um cão. O Marighetti inté se riu dele mêmo. Tava ali pescano cum cachorro! Onde já se viu? Vai tomá banho na soda, sô!; pensô, cum ar de fuzarca. Pegô o pito que tava na orêia, e foi andano pro lado da vara. Distraiu um cadinho e quage caiu nágua. Pena que o pito foi pra dentro do rio.


-Ô diacho, resmungô.


Vortô nas matula, pegô fumo e páia e fez ôtro pito. Pegô a binga e ficô ali na bêra do rio, assuntano a vara. Acendeu o cigarro e, distraído, derrubô a binga na berinha da água. Nesse instante iscuitô um barúio danado de grande. Viu um dorado de mais de dez quilo dano pinote dentro do rio e vindo na direção dele. Foi a conta de corrê no saco de apetrecho e catá a garrucha carregada e dá dois tiro no dorado, que deu o úrtimo suspiro em riba do barranco e co´a boca perto da binga.


O Marighetti contô pra tudo mundo; e eu tô de aprova, que quando se deu por conta, viu que além dum fiapo de capim na boca, o dorado tinha o pito que caiu na água; decerto queria a binga pra acendê o pito!.


Ele inté se benzeu e nunca mais pescô. E ocêis sabia que inté hoje tem gente que não credita nessa história!. Mas pode?

Antônio Carlos Affonso dos Santos

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

CAUSOS E ACASOS


“Bão seu moço, aentão, cê qué sabê como é que era a vida de peão de boiadeiro? Boa, muito boa. Mas sabe, a gente ganhava pouco.Aquilo lá era um vício, assim que nem cachaça. Acho que se tivesse comitiva inté hoje a gente tava tocando boiada, engolindo poeira, tomando chuva na cabeça. Vou contar pro cê:”

“Uma vez nóis vinha puxando boiada lá de Rondonópolis, pegado 1.200 bois, que caminhada difícil.A começar que no meio do caminho a gente fechou a boiada num curral e não é que ela estourou lá pelas 4 horas da madrugada? A boiada estourou e quebrou o curral. Arruma todo mundo, junta a tropa e saimo prá pega a batida da boiada fugida. Naquele tempo Mato Grosso era um cerradão só. De longe a gente avistou a boiada, aproximamo, cercamo já tava mais quieta comendo, mas contamo e faltava 150 bois. Toca dois peão para buscar o restante. Foi lá um tal de João Dote e um outro, gente firme, gente experiente...Mesmo assim demoraram um tempão pra juntá com o restante. Num podia párar, era tocar em frente...Como encontrava a tropa toda? Aí era fácil. A gente sabia onde era cada ponto, cada parada. Sei que esses daí demoraram muito porque deram de parar em casa de mulherada. Sabe como é né? Peão na estrada não tem tempo ruim. Tomaram café, comeram um pouco e seguiram atrás da gente” “De quem eram os bois? Essa boiada aí a gente ia entregar na Fazenda do sêo Nico Junqueira. aquí de Barretos. Que vida dura. Sabe, sêo moço, quanto tempo a gente gastô para fazer essa viagem até chegá na fazenda dele? Uns quarenta dias. Quarenta dias em cima do lombo do animal, muita poeira...” “Sim. Era sempre longa viagem que a gente fazia. Teve uma partida que a gente saiu de Paracatú, Minas Gerais, essa foi das pió. Foi dura. A gente gastou 90 dias. Nessa viagem a gente levava 1080 bois. Boiaderada, num é mesmo? Boiadão. Foi um tempo de chuva sem parar. Chuvarão, chuvarada...Era chuva que Deus soltava com firmeza. Essa era de um tal de Fifico Ribeiro. Fazendeiro das Minas Gerais, que vendeu muito gado cá prá Barretos” “Ué. Tinha que fazê não é? Quando chovia a gente fazia comida do mesmo jeito.Tinha que fazê. Molha tudo, mas tem que fazer né, seu moço. O peão qué comê. Sempre a chuva dá uma paradinha. Se o fogo pega, dai tudo bem, daí sai. Depois de botá a trempe...Seo moço sabe o que é trempe? É o fogão de boiadeiro. A trempe tem três buracos, fincava ela no chão e fecha do lado. Mais ou menos trinta minutos a comida saia. Arroz, feijão, carne assada e mandioca. As vezes na janta encontra um frango, a gente comprava, matava e comia. A peonada gostava...”

“Quantas? Bão, naquele tempo tinha umas vinte comitivas em Barretos. A cidade era do boiadeiro. Donde vem a fama, né seo moço. Cidade de gente brava. Às vezes antes de chegar aqui tinha quinze comitivas. Era uma festa. Inda mais quando a gente tava perto da mulherada. Daí sim que se exibia. A peonada tinha um chapelão de aba grande, bota até o joelho, goiaca na cintura. A peonada mandava no Café Goiano, fazia história. Nem a polícia botava a cara. Olha só, era comitiva de 10 peão, 20 peão, quando reunia todo mundo era um rolo só”

“Contar os bois? Era duro, sêo moço, uma partida de 1.500 bois prá contar era duro. O peão contador tinha que ser bom. Numa porteira ele contava boi só pelo chifre ou pelo pé. E era aquele mundão de animal. O início tava aqui na frente e a culatra lá longe, perto do estradão. Culatra, ante que sêo moço me pergunte era o final da boiada”

“Tenho saudade sim! Muita.” (olha prá frente pensando, através de mim, longe no espaço afora). A derradeira vez que puxei boi prá Barretos, foi uma festa e uma tristeza. O povo de Barretos ficou abismado. Naquela época a peonada que trouxe estes bois de Goiás, era tudo peonada de 40, 50 anos. O povo olhava, e dizia esse povo não dava conta da boiada não. A gente era mais velho, mas era estupioso, sabia trabalhar com boi né? Daí quando a gente entrou nessa vila aquí no Bom Jesus, lá em cima tinha uma estrada boiadeira, a gente saia aqui. O povo ficou abismado de ver um boiadão daquele. O povo ficou doido, foi encontrar a gente lá na beira do rio. Tirou fotografia. O povo nunca tinha visto uma boiada baia...”

“...Nem preto, nem pintado, nem amarela. Pensei: gente o povo de Barretos acha que isso é a última coisa do mundo? Mas vai fazê o quê? Parecia que nunca tinha visto uma boiada. Tiravam foto da gente lidando com boi, tirava foto comigo fazendo comida, com a peonada toda, dos bois..”

“...Gozado né! Um povo tão acostumado a ver boi, falar de boiada, dizer isso e aquilo e fazer um festão daquele com a gente, que coisa, sêo moçõ...”

“...E sabe duma coisa é uma alegria boa de se lembra? Mas coloca um pouco de tristeza no peito da gente”

(Fonte: Jornal Sabiá nr. 05 Ano I)