xororó du goias canta paixão de homem
sábado, 28 de março de 2009
Uma recramação
[Marilena Basso]
http://zedaroca.fateback.com/15/uma_recramacao.htm
Oh! Meu sinhô do fim da rua
tô aqui pra recramá
dum mar de amô
que mi deixô chorá.
Me aprontei tuda bunita,
cum vistido de chita,
trança no cabelo,
com marrio de fita,
batom vermeio na boca,
mais parecia uma boneca.
Fui dengosa nu baile,
esperando o Zé da Foice
me tira pra dançá,
joguei oiado de lado,
mandei um beijo ca mão,
mais o marvado oiava dotro lado,
nu rumo da Maria Faísca,
e fingia que num via essa
minina linda aqui.
Garrei a fica nervosa,
quando eles passaro dançando
e arrastando o pé no chão
levantando poera que até
meu nariz ficô zangado
e distampo a espirra.
Meus oios encheram de água,
a reiva tomou conta de mim,
quetinha fiz uma promessa
de vingança pro Zé.
Estiquei os óio pro salão,
pra descobri otro bunitão,
e num é que encontro
o João Safadeza,
dando mole na porta da frente?
Sem muito esperá,
lanço pra ele meu oiar,
junto uma piscada como que a falá
venha logo me tira pra dançá...
Inda bem que o danado
entendeu meu recado,
atravessô faiscando o salão
e do meu lado chegô,
e sem muita demora
nus seus braços mi joguei,
agarrei seu pescoço,
e fui puxando pru meio do salão.
E num é que o João dança bem,
me apertano a cintura,
colocando seu rosto moiado
bem do lado da minha cara,
fechei meus oios e sonhei
com esse novo novo principe
que pode ponhá o Zé no chinelo,
e me fazê pará de sofrê.
http://zedaroca.fateback.com/15/uma_recramacao.htm
Oh! Meu sinhô do fim da rua
tô aqui pra recramá
dum mar de amô
que mi deixô chorá.
Me aprontei tuda bunita,
cum vistido de chita,
trança no cabelo,
com marrio de fita,
batom vermeio na boca,
mais parecia uma boneca.
Fui dengosa nu baile,
esperando o Zé da Foice
me tira pra dançá,
joguei oiado de lado,
mandei um beijo ca mão,
mais o marvado oiava dotro lado,
nu rumo da Maria Faísca,
e fingia que num via essa
minina linda aqui.
Garrei a fica nervosa,
quando eles passaro dançando
e arrastando o pé no chão
levantando poera que até
meu nariz ficô zangado
e distampo a espirra.
Meus oios encheram de água,
a reiva tomou conta de mim,
quetinha fiz uma promessa
de vingança pro Zé.
Estiquei os óio pro salão,
pra descobri otro bunitão,
e num é que encontro
o João Safadeza,
dando mole na porta da frente?
Sem muito esperá,
lanço pra ele meu oiar,
junto uma piscada como que a falá
venha logo me tira pra dançá...
Inda bem que o danado
entendeu meu recado,
atravessô faiscando o salão
e do meu lado chegô,
e sem muita demora
nus seus braços mi joguei,
agarrei seu pescoço,
e fui puxando pru meio do salão.
E num é que o João dança bem,
me apertano a cintura,
colocando seu rosto moiado
bem do lado da minha cara,
fechei meus oios e sonhei
com esse novo novo principe
que pode ponhá o Zé no chinelo,
e me fazê pará de sofrê.
Historinha do Zebedeu
Zebedeu, aos trancos e barrancos, lutando com a pobreza da vida, chegou como pôde aos dezoito anos. Penugens esparramando pelo rosto, voz de taquara rachada, muque crescendo e vontade de mulher arrebitando as calças. Idade da responsabilidade e hora de decidir o que fazer da vida. Sonho de ser cantador de moda caipira, segredo bem guardado no coração. Revelava a ninguém. Ririam na sua cara. Afinal, nem um pandeirinho sabia tocar e quando aventurava uma cantigazinha era mais desafinado que filhote de urubu em dia de inspiração. Negócio era ir empurrando com a barriga. Até que apareceu a chance de servir ao glorioso Exército Brasileiro.
Pai falou:
- Vai, fio. É profissão boa. Ingaja lá c'os home qui'ocê pode virá dipressa arguém na vida. Demora poco cê vira cabo, sargento...
- Mas, pai, eu tô quereno istudá!...
- É mais mió cê tê profissão primero, fio! Istuda depois qui'ocê tivé dinherinho no borso!
Zebedeu craniou, craniou... sonhou com a farda verdinha... aquele montão de medalhas no peito... carrinho novo... mulherada dando sopa... decidiu ir. Seja o que Deus quiser. Na véspera tirou um sarrinho com a namoradinha banguela. Lambuzou a moça toda de beijos, juntou umas roupinhas numa caixa de papelão, largou Tabuí e se mandou pra Divinópolis virar soldado.
Primeiro dia de engajamento, sargento Pedro, vulgo Pedrão ou Besta Quadrada, coloca todo mundo perfilado e pede que cada recruta dê um passo à frente e se apresente, com voz bem forte, dizendo nome, terra de origem e profissão. O sargento, embora burro, era milico organizado. Anotava tudo no livrinho verde.
- Marcolino dos Santos, de Santana dos Brejos, datilógrafo!
- Manuel Procópio de Jesus, de Uruburetama, roceiro... aliás, discurpe Sargento! Lavradô...
- Almir S. Pinto, o Mi, de Alpercatas, mais conhecida como Precata! Sou estudante, sargento Pedrão!
O sargento ficou meio sem graça ao descobrir que seu apelido já era conhecido da nova turma e como não gostou da desenvoltura do recruta, resolve dar o troco:
- Esse S. aí do seu nome, por um acaso quer dizer "Sem"? E olha, senhor Almir, estudante não é profissão!
O rapaz, todo respeitoso, cheio de medo e envergonhamento, consegue dizer:
- Tá bão sô sargento! Discurpe ieu! Bota aí entregador de leite, leiteiro, se o senhor quiser, tá?! E o S. é S de Silva, reverendo Pedrão!
- Seguinte!
- Esmeraldo de Jesus Cançado, de Pindura Saia! Pescador!
- Gerardo Tadeu, de Cráudio! Pedrero, sô sargento! Pedrero fazedô de casa!
- Ô lambisgóia! Gerardo Tadeu de quê?
- É Gerardo Tadeu só, sô sargento!
Sargento escreveu no livrinho: Gerardo Tadeu Só.
- Onofre Montesquieu da Silva, mais conhecido como Quézinho, do Morro do Tira Prosa, estudante!
- Já falei que estudante não é profissão! - Berra o sargento com aquele vozeirão de trombone. Recrutada inexperiente até tremia nas bases a cada grito do sargento Pedrão.
- Sim excelência, desculpe! Digamos que sou ator...
- É cada doido que me aparece!... Seguinte! Cambada de palerma!
- Zebedeu Pancrácio Assunção, de Tabuí...
- E a profissão, seu burro!
Sargento, todo vermelhão, trepando nos tamancos, não estava para brincadeira. Zebedeu, como sabia que o sargento ia ficar fulo da vida se dissesse que era estudante, resolve não chamar as iras sargentais sobre seu costado.
- Siguinte, sargento, eu... eu... ajudo meu pai, sô sargento!...
- E o que que seu pai faz, seu desgraçado?
- Ele?... Meu pai é... bem ele... é ajudante de fiscal da Coletoria Municipal! Aposentado, sô sargento!
Autor: Eurico de Andrade
E-mail: eurico2005@gmail.com
Pai falou:
- Vai, fio. É profissão boa. Ingaja lá c'os home qui'ocê pode virá dipressa arguém na vida. Demora poco cê vira cabo, sargento...
- Mas, pai, eu tô quereno istudá!...
- É mais mió cê tê profissão primero, fio! Istuda depois qui'ocê tivé dinherinho no borso!
Zebedeu craniou, craniou... sonhou com a farda verdinha... aquele montão de medalhas no peito... carrinho novo... mulherada dando sopa... decidiu ir. Seja o que Deus quiser. Na véspera tirou um sarrinho com a namoradinha banguela. Lambuzou a moça toda de beijos, juntou umas roupinhas numa caixa de papelão, largou Tabuí e se mandou pra Divinópolis virar soldado.
Primeiro dia de engajamento, sargento Pedro, vulgo Pedrão ou Besta Quadrada, coloca todo mundo perfilado e pede que cada recruta dê um passo à frente e se apresente, com voz bem forte, dizendo nome, terra de origem e profissão. O sargento, embora burro, era milico organizado. Anotava tudo no livrinho verde.
- Marcolino dos Santos, de Santana dos Brejos, datilógrafo!
- Manuel Procópio de Jesus, de Uruburetama, roceiro... aliás, discurpe Sargento! Lavradô...
- Almir S. Pinto, o Mi, de Alpercatas, mais conhecida como Precata! Sou estudante, sargento Pedrão!
O sargento ficou meio sem graça ao descobrir que seu apelido já era conhecido da nova turma e como não gostou da desenvoltura do recruta, resolve dar o troco:
- Esse S. aí do seu nome, por um acaso quer dizer "Sem"? E olha, senhor Almir, estudante não é profissão!
O rapaz, todo respeitoso, cheio de medo e envergonhamento, consegue dizer:
- Tá bão sô sargento! Discurpe ieu! Bota aí entregador de leite, leiteiro, se o senhor quiser, tá?! E o S. é S de Silva, reverendo Pedrão!
- Seguinte!
- Esmeraldo de Jesus Cançado, de Pindura Saia! Pescador!
- Gerardo Tadeu, de Cráudio! Pedrero, sô sargento! Pedrero fazedô de casa!
- Ô lambisgóia! Gerardo Tadeu de quê?
- É Gerardo Tadeu só, sô sargento!
Sargento escreveu no livrinho: Gerardo Tadeu Só.
- Onofre Montesquieu da Silva, mais conhecido como Quézinho, do Morro do Tira Prosa, estudante!
- Já falei que estudante não é profissão! - Berra o sargento com aquele vozeirão de trombone. Recrutada inexperiente até tremia nas bases a cada grito do sargento Pedrão.
- Sim excelência, desculpe! Digamos que sou ator...
- É cada doido que me aparece!... Seguinte! Cambada de palerma!
- Zebedeu Pancrácio Assunção, de Tabuí...
- E a profissão, seu burro!
Sargento, todo vermelhão, trepando nos tamancos, não estava para brincadeira. Zebedeu, como sabia que o sargento ia ficar fulo da vida se dissesse que era estudante, resolve não chamar as iras sargentais sobre seu costado.
- Siguinte, sargento, eu... eu... ajudo meu pai, sô sargento!...
- E o que que seu pai faz, seu desgraçado?
- Ele?... Meu pai é... bem ele... é ajudante de fiscal da Coletoria Municipal! Aposentado, sô sargento!
Autor: Eurico de Andrade
E-mail: eurico2005@gmail.com
Quero sê rocêro
[Mena Moreira]
Se ocê acha que o povo da roça
É caipira, jeca, matuto
Num sabe o que tá dizeno
O povo da roça é isperto
É veiaco, é astuto!
Anda cum pé no chão
Sem ninhuma vaidade
Mas lava o pé e carça
Pra intrá lá na cidade.
A vassôra é feita cum mato
E cum a mamona faiz azeite
Na rôpa véia faiz remendo
Quarqué treco vira infeite.
Cum a cinza clareia os dente
Cum a cinza faiz o sabão
É só misturá cum torresmo
Ta pronta a cumbinação.
A páia que inrola o fumo
É a páia que faiz o cochão
É ela que faiz a peteca
É quela que acende o fugão.
O mio é guardado no paió
Dibuiado vai pro muim
Depois de muído e cuzido
No armoço é aquele anguzim.
A panela de ferro é usada
Pra no fugão de lenha cuzinhá
O fugão tamém é usado
Pra no frio a gente isquentá.
No arto, im cima do fugão
Toicim e lingüiça na fumaça
Pra acumpanhá o aperitivo
Que na roça é a cachaça.
O café é na cuzinha
Limpo e torrado
Passado no muim
Na hora de sê cuado.
Sexta-fêra, lenha no forno
Pra ele aquecê
É dia de fazê quitanda
Pra semana abastecê.
Bolo, pão, rosca e broa
Biscoito, rusquinha e bruinha
Pra acompanhá o café adoçado
Cum rapadura no pilão socadinha.
O doce é feito no tacho
Cum fruta, prá cumê
Lá na roça, ninguém faiz
Aquele tar que é pavê.
Na hora do banho de bica
Tuaia de saco pra secá
Passada cum ferro de braza
Que nóis deve assoprá.
A casinha é do lado de fora
Sem lamparina pra lumiá
Sem parede e teto ela permite
Que ocê admire o luá.
O povo gosta de um toque
Um toque bem animado
É só ouvi a sanfona
Que o rastapé tá cumeçado...
Na roça nóis num carece
De ter essa tar de invição
A pessoa num vale pro que trais no borso
Vale pro que trais no coração.
O povo num precisa de banco
Pra guardá nem um tustão
Pois o dinhero que tem
Guarda dentro do cochão.
Pra roça nóis vai de jipe
Saculejano sem pará
Se tem muito barro na istrada
Pra impurrá, nóis tem que apiá.
Se rocêro gosta de vida
Simpres, sem compricação
Eu prifiro sê rocêro
Sê da cidade eu num quero não...
Se ocê acha que o povo da roça
É caipira, jeca, matuto
Num sabe o que tá dizeno
O povo da roça é isperto
É veiaco, é astuto!
Anda cum pé no chão
Sem ninhuma vaidade
Mas lava o pé e carça
Pra intrá lá na cidade.
A vassôra é feita cum mato
E cum a mamona faiz azeite
Na rôpa véia faiz remendo
Quarqué treco vira infeite.
Cum a cinza clareia os dente
Cum a cinza faiz o sabão
É só misturá cum torresmo
Ta pronta a cumbinação.
A páia que inrola o fumo
É a páia que faiz o cochão
É ela que faiz a peteca
É quela que acende o fugão.
O mio é guardado no paió
Dibuiado vai pro muim
Depois de muído e cuzido
No armoço é aquele anguzim.
A panela de ferro é usada
Pra no fugão de lenha cuzinhá
O fugão tamém é usado
Pra no frio a gente isquentá.
No arto, im cima do fugão
Toicim e lingüiça na fumaça
Pra acumpanhá o aperitivo
Que na roça é a cachaça.
O café é na cuzinha
Limpo e torrado
Passado no muim
Na hora de sê cuado.
Sexta-fêra, lenha no forno
Pra ele aquecê
É dia de fazê quitanda
Pra semana abastecê.
Bolo, pão, rosca e broa
Biscoito, rusquinha e bruinha
Pra acompanhá o café adoçado
Cum rapadura no pilão socadinha.
O doce é feito no tacho
Cum fruta, prá cumê
Lá na roça, ninguém faiz
Aquele tar que é pavê.
Na hora do banho de bica
Tuaia de saco pra secá
Passada cum ferro de braza
Que nóis deve assoprá.
A casinha é do lado de fora
Sem lamparina pra lumiá
Sem parede e teto ela permite
Que ocê admire o luá.
O povo gosta de um toque
Um toque bem animado
É só ouvi a sanfona
Que o rastapé tá cumeçado...
Na roça nóis num carece
De ter essa tar de invição
A pessoa num vale pro que trais no borso
Vale pro que trais no coração.
O povo num precisa de banco
Pra guardá nem um tustão
Pois o dinhero que tem
Guarda dentro do cochão.
Pra roça nóis vai de jipe
Saculejano sem pará
Se tem muito barro na istrada
Pra impurrá, nóis tem que apiá.
Se rocêro gosta de vida
Simpres, sem compricação
Eu prifiro sê rocêro
Sê da cidade eu num quero não...
quinta-feira, 26 de março de 2009
SUBI DI BALÃO MÁ JÁ TO DE VORTA"
[Dirceu Marcelino]
"Bum dia Cumadé, Descurpe num si sonhi u drumi com ocê”
Arre num lembro si é verdade ou mentirá, se li ou não li,
Tenho di perde essa mania di sunhá cum vosmecê...
Escuti baruio di inspigarda e u canto do tiro li, tiro- li...
Sabi eu já pedi Cumadé artorização de vosmecê
Prá por sua poesia nu vídeo do casório qui tá pronto aí
Nu meu "Studio de Produções Carpiras do Interior" ocê
Num prode imagina é iguar, mas muito iguar essa aí
Até torquei na hora "H" sai de fininho e fique perto de ti,
Corloque nu meu lugá um Padri arxiliar e vosmecê
Há de irmaginá o tar du Padri arxiliar fez tim por ti
Mas cuase que mataram o Homem, segui u coseio di ocê
Fiquei cum meu netinho disfarçado e pertinho di ti
Fazendo de cunta qui era marido de vosmecê...
VIVA SÃO JOÃO”
"Bum dia Cumadé, Descurpe num si sonhi u drumi com ocê”
Arre num lembro si é verdade ou mentirá, se li ou não li,
Tenho di perde essa mania di sunhá cum vosmecê...
Escuti baruio di inspigarda e u canto do tiro li, tiro- li...
Sabi eu já pedi Cumadé artorização de vosmecê
Prá por sua poesia nu vídeo do casório qui tá pronto aí
Nu meu "Studio de Produções Carpiras do Interior" ocê
Num prode imagina é iguar, mas muito iguar essa aí
Até torquei na hora "H" sai de fininho e fique perto de ti,
Corloque nu meu lugá um Padri arxiliar e vosmecê
Há de irmaginá o tar du Padri arxiliar fez tim por ti
Mas cuase que mataram o Homem, segui u coseio di ocê
Fiquei cum meu netinho disfarçado e pertinho di ti
Fazendo de cunta qui era marido de vosmecê...
VIVA SÃO JOÃO”
Receita di Abobrinha à Caipira
2 abobrinha
100 grs de baycu
100 grs quejo raladu
1 tomati cortadinhu
2 denti de áio
2 cuié de farinha de mandioca fina
sarsinha ,cebola,sal,pimenta á gostuu
PEGUE AS ABOBRINHAS E BATA NO LIQUIDIFICADOR..DEXA ESPERANUUU
MODE AGORA VC PEGA UMA VASIA E FRITE OS BAYCU EM PEDACINHUS ,DISPOIS ACRESCENTI OS AIOS,CEBOLA,COLOQUE OS TOMATES, REFOGUE BEMMM
DESPEJE A ABOBRINHA Q VOS MECE BATEU, E MEXE..MEXE...DEIXE COZINHA
POR 5 MIN. E DISPOIS COLOQUE A FARINHA DE MANDIOCA E MEXE..MEXE....
DISPOIS DE 2 MIN.DESLIGUE ,COLOQUE A SARSINHA E O QUEJO RALADU..E MEXE..MEXEE..
E AGORA COME COME.....EITA COISA BOAAAA
PERA ESFRIÁAAAA DONA....MODE SE QUEIMÁAAAAAA
100 grs de baycu
100 grs quejo raladu
1 tomati cortadinhu
2 denti de áio
2 cuié de farinha de mandioca fina
sarsinha ,cebola,sal,pimenta á gostuu
PEGUE AS ABOBRINHAS E BATA NO LIQUIDIFICADOR..DEXA ESPERANUUU
MODE AGORA VC PEGA UMA VASIA E FRITE OS BAYCU EM PEDACINHUS ,DISPOIS ACRESCENTI OS AIOS,CEBOLA,COLOQUE OS TOMATES, REFOGUE BEMMM
DESPEJE A ABOBRINHA Q VOS MECE BATEU, E MEXE..MEXE...DEIXE COZINHA
POR 5 MIN. E DISPOIS COLOQUE A FARINHA DE MANDIOCA E MEXE..MEXE....
DISPOIS DE 2 MIN.DESLIGUE ,COLOQUE A SARSINHA E O QUEJO RALADU..E MEXE..MEXEE..
E AGORA COME COME.....EITA COISA BOAAAA
PERA ESFRIÁAAAA DONA....MODE SE QUEIMÁAAAAAA
VERSO CAIPIRA bão di mais
[Carlos Mota · Goiânia (GO)]
Pau no quengo, no cangote
Capote, capa, catira
Coivara, fogo, chicote
Corda de pau é embira.
Cada qual com sua sorte,
Cada qual em sua trilha:
Tem uns que são lá do norte
Outros que montam quadrilha,
Eu aqui na minha lida,
Vou burlando a desdita
E engalanando a vida
Com meu verso caipira,
Vivendo e fazendo fita.
Quinado é boa bebida,
Mexido é boa comida,
Água boa é de pote.
Menino bom é garoto,
Menino ruim pivete.
Dou de pau, de canivete
Se correr dou de chicote,
Vou enganando a morte
Com meu verso caipira.
De Padim Ciço: devoto
Bem mereço melhor sorte,
Pois eu quando vim do norte
Deixei de lado a mentira.
Voei nas asas do vento
Aprendi ler pensamentos
Mas já larguei os meus inventos,
E hoje todo meu sustento
Vem do meu verso caipira
Pau no quengo, no cangote
Capote, capa, catira
Coivara, fogo, chicote
Corda de pau é embira.
Cada qual com sua sorte,
Cada qual em sua trilha:
Tem uns que são lá do norte
Outros que montam quadrilha,
Eu aqui na minha lida,
Vou burlando a desdita
E engalanando a vida
Com meu verso caipira,
Vivendo e fazendo fita.
Quinado é boa bebida,
Mexido é boa comida,
Água boa é de pote.
Menino bom é garoto,
Menino ruim pivete.
Dou de pau, de canivete
Se correr dou de chicote,
Vou enganando a morte
Com meu verso caipira.
De Padim Ciço: devoto
Bem mereço melhor sorte,
Pois eu quando vim do norte
Deixei de lado a mentira.
Voei nas asas do vento
Aprendi ler pensamentos
Mas já larguei os meus inventos,
E hoje todo meu sustento
Vem do meu verso caipira
quarta-feira, 25 de março de 2009
Sai carrapato
[Sátiro dos Reis]
Oceis sabi qui nóis tava pensanu um cadinho nas eleição e o cumpadre Hiláriu mi dissi quitá divertino muitu com o horário eleitorar, fiquei anssim meio cabrero, mais sabi quieli tá cubertinhu di razão. Tem qui vê as coisa du ladu positivu, si o Lulalá podi cuidá dus pobri, puirqui o Gerardu num podi cuidá dus rico e a Luizelena num pódi ficar revortada cum os dois. Alinhais, Cumpadre Irineu qui é muitu di fica observanu as coisa, dissi qui si pudessi dava di presenti pra Luizelena umas ropinha mais geitosa. Ieu dissi prele: tá cum dó leva ela pra casa, uai!
Ói procevê, Cumpadre Hiláriu contou qui seu fio Demétriu num tava indu bem na metemática na iscola. Diz qui fizero di tudo pro danadu meiorá, mais nada disso ajudô. Intão Cumadre Carmélia arresorveu por eli na escola dus padre lá pras banda di Campanha. E num adivê qui deu certo! O minino mudô cuma ligereza quinté pareceu milagri, só quiria estudá o tempo todo. Meidisconfiado Cumpadre Hiláriu chamo o dito cuju prum conversê: “E aí Demétriu, quiconteceu procê tá estudano qui nem um condenadu? Os padre fizeram arguma coisa procê?” E o Demétriu mais qui depressa tascô essa: “ Óia pai, desdo primero dia quandu oiei praquele homi pregado no sinar di mais, eu vi qui os padre num tavam lá pra brincá né, intão tratei di estudá né...”
Qui coisa maistranha, si é verdadi qui riqueza num trais felicidade, purcausdique us rico num dão um pouco prus pobri? Perguntei issu prá videnti Mãe Doninha, famosa lá pras banda di Treis Ponta, sabe oqui ela me arrespondeu assim di prontinho?: “Se dá resolvesse, não tinha mulher de programa infeliz”. Já qui tava conversandu cuma vidente, proveitei pra sabê dela o que 2006 inda nus reservava di bom, mais uma veiz ela foi curta e grossa: “ Ano nenhum reserva nada pra ninguém, se você não fizer por onde, vai ficá com a boca escancarada esperando a morte chegá". Oceis inté já percebeu em qui tôco fui amarrá minha mula, né? Mais, quem tá na chuva é pra se moiá né, proveitei e tasquei mais uma pergunta pra Mãe Doninha, que a repará pelu nomi era uma mandona mesmu: “ Será qui a senhora pode confirmá as estórias dua ET di Varginha?” Ela oiô bem pra mim e fuzilô: “ Eu não confirmo e nem desfirmo, eu sou vidente e tô vendo que você pode ir mudando de prosa”. Tudu bem né, já qui ela mando mudei di assuntu, perguntei si quem vai ganhá a eleição é o Lulalá ou o Arquimim. A Mãe Doninha deu uma suspirada, coçô as zoreia e arrespondeu: “Se quem ajuda os pobres empresta a Deus, você já sabe quem vai ganhar, né?”. Depois dessa fiquei aquerditanu qui quem espera sentado num dança. Nu quiela oiô pro arto cumo quem tava apercurandu o descrassificadu Prutão, ieu que num sô bobo nem nada cendi meu paiero e piquei a mula: “vá se mandona asim lá em Airuoca”.
Compadre Irineu tava mi contano qui o Marirdo, um caboclo afiadu lá di Cristina, encontrô uma lâmpaincantada di onde disqui saiu um gênio caipira qui foi logo dizendu: “ Ocê tem treis pedido prá fazê”. E o Marirdo, meio qui no tranco, foi logo pedino: “Uai, primero quero um pão di queju, adispois quero otro pão di queju e por úrtimo quero umamuié bem bunita”. O gênio meio qui cismadu aperguntô pro Marirdo: “Uai sô, purque ocê pidiu dois pão di queju e uma muié?” E o Marirdo meiu qui sem sabê o quê dizê, descascou essa: “ Ora, fiquei cum vergonha de pedi otro pão di queju, uai!!!”.
Num sei se oceis sabe, mainué só genti da roça qui aquerditá nas porpaganda da trevisão. Cadiquê óia o qui aconteceu com um tar di André, prestensão na carta, inté qui bem escrivinhada, que o mocorongo mandô pruma fábrica di desdoranti: “Oi, tenho 18 anos e tenho problemas com as mulheres. Tinha esperança de que usando o Axe, as mulheres viriam atrás de mim como nos comerciais, mas já passei o desodorante por todo o corpo e assim mesmo elas continuam fugindo de mim. Como devo usar o produto para que as mulheres venham atrás de mim?”. Depois de ouvir essa Compadre Irineu saiu-se com essa pérola da sabedoria caipira: “ Essi caipora deve fedê mais que gambá”.
Falá di política, oceis já prestôtenção que rico só pega na mão di pobre na hora di eleição. E agora purcausdiquê num pode mais dá boné, cestabasca, camisa de futebor e otras buginganga pra trocà o votu, eles tá que dá a mão procê. Pur otrô ladu, cumo diz o Cumpadre Irineu: “prometê eis inda podi né!” Diz qui um candidato a Deputado aqui na Varginha chegô lá pras banda da Varge e o Cumpadre Canarinhu foi logo perguntano sobre as rua du bairro. Sabe oqui o mequetrefe arrespondeu, assim na frente das criança e dusmai véio: “ Oceis vota em mim purque das véia nóis vai tapa os buraco e as nova nóis vai recapiá”. Cumadre Créia, que sabi capricha nus tempero, fico danada qui só, dissi que presse tarado num vai sobrá nem ossobuco, e voto que é bão, néca de pitibiriba.
Ce oceis gostarô num sei, eu já tô gostano muito, manda um emeio pra nóis ou prô Yorkuti, qui eu tô pegano o bornar, unspão cum salame, mais o molineti(nóis ta modernu, hein!) e ino gorinha mesmo prá Pondusbueno pescá umas piaba. Sai carrapato! Sô brasileiro, uai! Nóis vota manóis xinga. Tempocabô!
Oceis sabi qui nóis tava pensanu um cadinho nas eleição e o cumpadre Hiláriu mi dissi quitá divertino muitu com o horário eleitorar, fiquei anssim meio cabrero, mais sabi quieli tá cubertinhu di razão. Tem qui vê as coisa du ladu positivu, si o Lulalá podi cuidá dus pobri, puirqui o Gerardu num podi cuidá dus rico e a Luizelena num pódi ficar revortada cum os dois. Alinhais, Cumpadre Irineu qui é muitu di fica observanu as coisa, dissi qui si pudessi dava di presenti pra Luizelena umas ropinha mais geitosa. Ieu dissi prele: tá cum dó leva ela pra casa, uai!
Ói procevê, Cumpadre Hiláriu contou qui seu fio Demétriu num tava indu bem na metemática na iscola. Diz qui fizero di tudo pro danadu meiorá, mais nada disso ajudô. Intão Cumadre Carmélia arresorveu por eli na escola dus padre lá pras banda di Campanha. E num adivê qui deu certo! O minino mudô cuma ligereza quinté pareceu milagri, só quiria estudá o tempo todo. Meidisconfiado Cumpadre Hiláriu chamo o dito cuju prum conversê: “E aí Demétriu, quiconteceu procê tá estudano qui nem um condenadu? Os padre fizeram arguma coisa procê?” E o Demétriu mais qui depressa tascô essa: “ Óia pai, desdo primero dia quandu oiei praquele homi pregado no sinar di mais, eu vi qui os padre num tavam lá pra brincá né, intão tratei di estudá né...”
Qui coisa maistranha, si é verdadi qui riqueza num trais felicidade, purcausdique us rico num dão um pouco prus pobri? Perguntei issu prá videnti Mãe Doninha, famosa lá pras banda di Treis Ponta, sabe oqui ela me arrespondeu assim di prontinho?: “Se dá resolvesse, não tinha mulher de programa infeliz”. Já qui tava conversandu cuma vidente, proveitei pra sabê dela o que 2006 inda nus reservava di bom, mais uma veiz ela foi curta e grossa: “ Ano nenhum reserva nada pra ninguém, se você não fizer por onde, vai ficá com a boca escancarada esperando a morte chegá". Oceis inté já percebeu em qui tôco fui amarrá minha mula, né? Mais, quem tá na chuva é pra se moiá né, proveitei e tasquei mais uma pergunta pra Mãe Doninha, que a repará pelu nomi era uma mandona mesmu: “ Será qui a senhora pode confirmá as estórias dua ET di Varginha?” Ela oiô bem pra mim e fuzilô: “ Eu não confirmo e nem desfirmo, eu sou vidente e tô vendo que você pode ir mudando de prosa”. Tudu bem né, já qui ela mando mudei di assuntu, perguntei si quem vai ganhá a eleição é o Lulalá ou o Arquimim. A Mãe Doninha deu uma suspirada, coçô as zoreia e arrespondeu: “Se quem ajuda os pobres empresta a Deus, você já sabe quem vai ganhar, né?”. Depois dessa fiquei aquerditanu qui quem espera sentado num dança. Nu quiela oiô pro arto cumo quem tava apercurandu o descrassificadu Prutão, ieu que num sô bobo nem nada cendi meu paiero e piquei a mula: “vá se mandona asim lá em Airuoca”.
Compadre Irineu tava mi contano qui o Marirdo, um caboclo afiadu lá di Cristina, encontrô uma lâmpaincantada di onde disqui saiu um gênio caipira qui foi logo dizendu: “ Ocê tem treis pedido prá fazê”. E o Marirdo, meio qui no tranco, foi logo pedino: “Uai, primero quero um pão di queju, adispois quero otro pão di queju e por úrtimo quero umamuié bem bunita”. O gênio meio qui cismadu aperguntô pro Marirdo: “Uai sô, purque ocê pidiu dois pão di queju e uma muié?” E o Marirdo meiu qui sem sabê o quê dizê, descascou essa: “ Ora, fiquei cum vergonha de pedi otro pão di queju, uai!!!”.
Num sei se oceis sabe, mainué só genti da roça qui aquerditá nas porpaganda da trevisão. Cadiquê óia o qui aconteceu com um tar di André, prestensão na carta, inté qui bem escrivinhada, que o mocorongo mandô pruma fábrica di desdoranti: “Oi, tenho 18 anos e tenho problemas com as mulheres. Tinha esperança de que usando o Axe, as mulheres viriam atrás de mim como nos comerciais, mas já passei o desodorante por todo o corpo e assim mesmo elas continuam fugindo de mim. Como devo usar o produto para que as mulheres venham atrás de mim?”. Depois de ouvir essa Compadre Irineu saiu-se com essa pérola da sabedoria caipira: “ Essi caipora deve fedê mais que gambá”.
Falá di política, oceis já prestôtenção que rico só pega na mão di pobre na hora di eleição. E agora purcausdiquê num pode mais dá boné, cestabasca, camisa de futebor e otras buginganga pra trocà o votu, eles tá que dá a mão procê. Pur otrô ladu, cumo diz o Cumpadre Irineu: “prometê eis inda podi né!” Diz qui um candidato a Deputado aqui na Varginha chegô lá pras banda da Varge e o Cumpadre Canarinhu foi logo perguntano sobre as rua du bairro. Sabe oqui o mequetrefe arrespondeu, assim na frente das criança e dusmai véio: “ Oceis vota em mim purque das véia nóis vai tapa os buraco e as nova nóis vai recapiá”. Cumadre Créia, que sabi capricha nus tempero, fico danada qui só, dissi que presse tarado num vai sobrá nem ossobuco, e voto que é bão, néca de pitibiriba.
Ce oceis gostarô num sei, eu já tô gostano muito, manda um emeio pra nóis ou prô Yorkuti, qui eu tô pegano o bornar, unspão cum salame, mais o molineti(nóis ta modernu, hein!) e ino gorinha mesmo prá Pondusbueno pescá umas piaba. Sai carrapato! Sô brasileiro, uai! Nóis vota manóis xinga. Tempocabô!
ieu

Ieu sô du matu
Lá num uso sapatu
Batu u zóio e nu atu
Sei im queim possu confiá
Inté pareçu bobo
Mais sei acumaé
U qui usa ternu e garvata
É pió qui eu qui andu a pé
Mi'a palavra vali mais qui diamanti
Deferenti da cidadi
Qui só vali o rear
Intonsei qui dinhero é importanti
Pra modi tudu mundu sobrevivê
Mais praquê tantu dinhero
Si tudu nóis vai morrê.
Lá num uso sapatu
Batu u zóio e nu atu
Sei im queim possu confiá
Inté pareçu bobo
Mais sei acumaé
U qui usa ternu e garvata
É pió qui eu qui andu a pé
Mi'a palavra vali mais qui diamanti
Deferenti da cidadi
Qui só vali o rear
Intonsei qui dinhero é importanti
Pra modi tudu mundu sobrevivê
Mais praquê tantu dinhero
Si tudu nóis vai morrê.
Muié ciumenta é fogo
Muié... si fais di besta, não...
num dimito muié mandá ni ieu...
si as minina si amostrá,
craru qui vô zoiá...
sô cego não... ara veja só,
qué mi cubri os óio di pó...
vancê qui saiba mi amá direitim,
qui nosso amô num vai tê fim...
qui num vô querê mai ninguém...
i só vô chamá ocê di bem...
má, ara meusamô... zoiá,
vô tê qui zoiá... num é sempri
qui se vê dessis pitéu...
num vô podê guentá, não...
mai é só ocê qui tem meu coração...
Ti prometo procê qui vai sê só coisa di zoiá,
Mai é só ocê covô sempri amá...
Irani Genaro e Marcial Salaverr
num dimito muié mandá ni ieu...
si as minina si amostrá,
craru qui vô zoiá...
sô cego não... ara veja só,
qué mi cubri os óio di pó...
vancê qui saiba mi amá direitim,
qui nosso amô num vai tê fim...
qui num vô querê mai ninguém...
i só vô chamá ocê di bem...
má, ara meusamô... zoiá,
vô tê qui zoiá... num é sempri
qui se vê dessis pitéu...
num vô podê guentá, não...
mai é só ocê qui tem meu coração...
Ti prometo procê qui vai sê só coisa di zoiá,
Mai é só ocê covô sempri amá...
Irani Genaro e Marcial Salaverr
segunda-feira, 23 de março de 2009
"Seu Dotô Me Conhece?
[Patativa de Assaré.]
Seu dotô, só me parece
Que o sinhô não me conhece
Nunca sôbe quem sou eu
Nunca viu minha paioça,
Minha muié, minha roça,
E os fio que Deus me deu.
Se não sabe, escute agora,
Que eu vô contá minha história,
Tenha a bondade de ouvi:
Eu sou da crasse matuta,
Da crasse que não desfruta
Das riqueza do Brasil.
Sou aquele que conhece
As privação que padece
O mais pobre camponês;
Tenho passado na vida
De cinco mês em seguida
Sem comê carne uma vez.
Sou o que durante a semana,
Cumprindo a sina tirana,
Na grande labutação
Pra sustentá a famia
Só tem direito a dois dia
O resto é pra o patrão.
Sou o que no tempo da guerra
Contra o gosto se desterra
Pra nunca mais vortá
E vai morrê no estrangêro
Como pobre brasilêro
Longe do torrão natá.
Sou o sertanejo que cansa
De votá, com esperança
Do Brasil ficá mió;
Mas o Brasil continua
Na cantiga da perua
Que é: pió, pió, pió...
Sou o mendigo sem sossego
Que por não achá emprego
Se vê forçado a seguí
Sem direção e sem norte,
Envergonhado da sorte,
De porta em porta a pedí.
Sou aquele desgraçado,
Que nos ano atravessado
Vai batê no Maranhão,
Sujeito a todo o matrato,
Bicho de pé, carrapato,
E os ataques de sezão.
Senhô dotô , não se enfade
Vá guardando essa verdade
Na memória, pode crê
Que sou aquele operário
Que ganha um nobre salário
Que não dá nem pra comê
Sou ele todo, em carne e osso,
Muitas vez, não tenho armoço
Nem também o que jantá;
Eu sou aquele rocêro,
Sem camisa e sem dinhêro,
Cantado por Juvená.
Sim, por Juvená Galeno,
O poeta, aquele geno,
O maió dos trovadô,
Aquele coração nobre
Que a minha vida de pobre
Muito sentido cantou.
Há mais de cem ano eu vivo
Nesta vida de cativo
E a potreção não chegou;
Sofro munto e corro estreito,
Inda tou do mermo jeito
Que Juvená me deixou.
Sofrendo a mesma sentença
Tou quase perdendo a crença,
E pra ninguém se enganá
Vou deixá o meu nome aqui:
Eu sou fio do Brasil,
E o meu nome é Ceará.
Seu dotô, só me parece
Que o sinhô não me conhece
Nunca sôbe quem sou eu
Nunca viu minha paioça,
Minha muié, minha roça,
E os fio que Deus me deu.
Se não sabe, escute agora,
Que eu vô contá minha história,
Tenha a bondade de ouvi:
Eu sou da crasse matuta,
Da crasse que não desfruta
Das riqueza do Brasil.
Sou aquele que conhece
As privação que padece
O mais pobre camponês;
Tenho passado na vida
De cinco mês em seguida
Sem comê carne uma vez.
Sou o que durante a semana,
Cumprindo a sina tirana,
Na grande labutação
Pra sustentá a famia
Só tem direito a dois dia
O resto é pra o patrão.
Sou o que no tempo da guerra
Contra o gosto se desterra
Pra nunca mais vortá
E vai morrê no estrangêro
Como pobre brasilêro
Longe do torrão natá.
Sou o sertanejo que cansa
De votá, com esperança
Do Brasil ficá mió;
Mas o Brasil continua
Na cantiga da perua
Que é: pió, pió, pió...
Sou o mendigo sem sossego
Que por não achá emprego
Se vê forçado a seguí
Sem direção e sem norte,
Envergonhado da sorte,
De porta em porta a pedí.
Sou aquele desgraçado,
Que nos ano atravessado
Vai batê no Maranhão,
Sujeito a todo o matrato,
Bicho de pé, carrapato,
E os ataques de sezão.
Senhô dotô , não se enfade
Vá guardando essa verdade
Na memória, pode crê
Que sou aquele operário
Que ganha um nobre salário
Que não dá nem pra comê
Sou ele todo, em carne e osso,
Muitas vez, não tenho armoço
Nem também o que jantá;
Eu sou aquele rocêro,
Sem camisa e sem dinhêro,
Cantado por Juvená.
Sim, por Juvená Galeno,
O poeta, aquele geno,
O maió dos trovadô,
Aquele coração nobre
Que a minha vida de pobre
Muito sentido cantou.
Há mais de cem ano eu vivo
Nesta vida de cativo
E a potreção não chegou;
Sofro munto e corro estreito,
Inda tou do mermo jeito
Que Juvená me deixou.
Sofrendo a mesma sentença
Tou quase perdendo a crença,
E pra ninguém se enganá
Vou deixá o meu nome aqui:
Eu sou fio do Brasil,
E o meu nome é Ceará.
MEU PEDACIM DI CHÃO
[J.Carlos Santtana Cardoso]
Tem um riacho corrente
Donde mi acho sentadu cuntente
Admirano a tardinha
Num por di sol riluzente
Siriemas cantam i a tardi incantam
Trazeno aligria nu peitu da genti
Asopra a brisa cum cheirim da tardi
I ieu atiçu um poco di sardadi
Sigo a pé prá minha casinha
Donde mi ispera minha Rosinha
Deitada na redi i toda arrumadinha
Cheirano a flor di laranjera
A fumaça saino da chaminé
Espaiando um gostosu chero di café
Tem pão di quejo broa i mandioca
Quejo branco gostoso i inté tapióca
U chão vermeio briando di gosto
Cuisinhas arrumada, i meu banhu posto
Curtina esvoaçanu cum ventu da noiti
A cama feita, muié assiada e prendada
Bom mermo é si ama deitadu na paia
Trocá beiju i afago dentru du celero
Durmi inroladu nus cabelo dela
I senti qui nu seu ladu,a vida é bela
Tem um riacho corrente
Donde mi acho sentadu cuntente
Admirano a tardinha
Num por di sol riluzente
Siriemas cantam i a tardi incantam
Trazeno aligria nu peitu da genti
Asopra a brisa cum cheirim da tardi
I ieu atiçu um poco di sardadi
Sigo a pé prá minha casinha
Donde mi ispera minha Rosinha
Deitada na redi i toda arrumadinha
Cheirano a flor di laranjera
A fumaça saino da chaminé
Espaiando um gostosu chero di café
Tem pão di quejo broa i mandioca
Quejo branco gostoso i inté tapióca
U chão vermeio briando di gosto
Cuisinhas arrumada, i meu banhu posto
Curtina esvoaçanu cum ventu da noiti
A cama feita, muié assiada e prendada
Bom mermo é si ama deitadu na paia
Trocá beiju i afago dentru du celero
Durmi inroladu nus cabelo dela
I senti qui nu seu ladu,a vida é bela
Ói minina
[Marilena Basso ]
Oi minina...
Ocê qui aqui si mudo,
Du jeitu qui ocê tá fazenu
Num vai dá certo naum.
Nóis num tamus costumada
Cum fofoca desse jeito,
Aqui nu Arraiá
A mardade num tem lugá
Tudas as cumadis daqui
São amiga pru qui dé e vié,
Quandu si faiz uma festa
Tudo mundo vai alegre festejá.
Mais ocê tá orguiosa
Oiando cos rabo de zóios,
Se achando a meió di todas
Invejando o bem-querê gerar.
Nesse pedaço di chão
Nois só curtiva semente boa:
Amô, paz, amizade,bem-querência
Pra mor di tê grande coieta.
Di tudo u qui aqui se cóie
As cumadis saim semiando
Pelas beradas du caminho
Cuidano pra frorecê.
Intonce nóis tudo aqui sabe
Qui a nossa istrada será frorida,
I us nosso visitante são alegre
Du jeito di se recebido.
Cumo ocê tá di mar ca vida
Num vai gostá disso naum,
Seu coração tá fechadu
E de nada vai disfrutá.
Oia minina...a continuá desse jeitu
Acho bão é ocê pegá sua mala,
Vortá pra di donde veio
Qui lá é seu lugá...
Oi minina...
Ocê qui aqui si mudo,
Du jeitu qui ocê tá fazenu
Num vai dá certo naum.
Nóis num tamus costumada
Cum fofoca desse jeito,
Aqui nu Arraiá
A mardade num tem lugá
Tudas as cumadis daqui
São amiga pru qui dé e vié,
Quandu si faiz uma festa
Tudo mundo vai alegre festejá.
Mais ocê tá orguiosa
Oiando cos rabo de zóios,
Se achando a meió di todas
Invejando o bem-querê gerar.
Nesse pedaço di chão
Nois só curtiva semente boa:
Amô, paz, amizade,bem-querência
Pra mor di tê grande coieta.
Di tudo u qui aqui se cóie
As cumadis saim semiando
Pelas beradas du caminho
Cuidano pra frorecê.
Intonce nóis tudo aqui sabe
Qui a nossa istrada será frorida,
I us nosso visitante são alegre
Du jeito di se recebido.
Cumo ocê tá di mar ca vida
Num vai gostá disso naum,
Seu coração tá fechadu
E de nada vai disfrutá.
Oia minina...a continuá desse jeitu
Acho bão é ocê pegá sua mala,
Vortá pra di donde veio
Qui lá é seu lugá...
sábado, 21 de março de 2009
A CARTINHA
[Fabiola Kruse]
Apeguei um papé de carta bem bunitim..
Nu ladu infeitadin cum uns sapatin
pintadim.
Fiquei parada pensandu prá a quem
vô iscrevinhá uma cartinha prá cunta
umas mintirinha?
Apensei, apensei!
Acriei corage, pego lapi , caneta, burracha
prá qando erra apaga e num borra..
Foi qando apensei num meu namoradu o
Gerardu, aquele qi num seiu qui tá fazendu
im Sun Paulo ?
Ô home feio, pobri, véio, priguiçosu e mintirosu.
Apensei cumigu agora vô discontá!
Di ladu dei uma risadinha deboxadinha..
E fui logo dizendu vô inventa tanta mintira
práquele galinha, que ele vai comê mio, chocá
ovô, de qebra criá pintim...tadin!!
Peguei o papé, caneta arreliei a iscrevinha,
e quantu mai mintira cuntava, mai vontadi
tinha di cuntá.
E pá num isquecê nadinha iscrevi que sua
vaquinha di istimação, num tava cumendo
mai nu pastu, tava jantandu cá genti na
mêsa, mais qui ela só quiria mamãu, melãu,
raçãu du seu cachorrãu, i pá bebê sucu
de limãu.
Aqui teminu a cartinha inviandu beijin pá
ocê pai d'egua fio di uma galinha.
Di sua ex qui já o isqeceu.
*Maria Zefinha*
Apeguei um papé de carta bem bunitim..
Nu ladu infeitadin cum uns sapatin
pintadim.
Fiquei parada pensandu prá a quem
vô iscrevinhá uma cartinha prá cunta
umas mintirinha?
Apensei, apensei!
Acriei corage, pego lapi , caneta, burracha
prá qando erra apaga e num borra..
Foi qando apensei num meu namoradu o
Gerardu, aquele qi num seiu qui tá fazendu
im Sun Paulo ?
Ô home feio, pobri, véio, priguiçosu e mintirosu.
Apensei cumigu agora vô discontá!
Di ladu dei uma risadinha deboxadinha..
E fui logo dizendu vô inventa tanta mintira
práquele galinha, que ele vai comê mio, chocá
ovô, de qebra criá pintim...tadin!!
Peguei o papé, caneta arreliei a iscrevinha,
e quantu mai mintira cuntava, mai vontadi
tinha di cuntá.
E pá num isquecê nadinha iscrevi que sua
vaquinha di istimação, num tava cumendo
mai nu pastu, tava jantandu cá genti na
mêsa, mais qui ela só quiria mamãu, melãu,
raçãu du seu cachorrãu, i pá bebê sucu
de limãu.
Aqui teminu a cartinha inviandu beijin pá
ocê pai d'egua fio di uma galinha.
Di sua ex qui já o isqeceu.
*Maria Zefinha*
meu abroba
[agnaldo alves pereira] ieu mesmo
Peguei minha varinha
Fui lá pru rio pescá
Chegano nu triero
Deu vontade di cagá.
Passado arguns dias
Vi nasce um abroba,
Minha bosta viro pranta
Quem qui pode mi insplicá?
Só tem uma inspricação
Qui pro cê ieu vô contá,
Cumi doce de abroba
I a sementi fico lá.
As abroba era bunita
Deu vontade di pegá,
Mais pensei cumigo mesmo
É di bosta nun vai dá.
Vortei pra cidadinha
I a nuticia ispaiei,
Só deu genti correno
Pru abrobá qui ieu prantei.
Fizero doce das abroba
I eu nem si que insprementei,
Si ocê quisé tem uma prova
tem um tiquinho qui ieu guardei.
Peguei minha varinha
Fui lá pru rio pescá
Chegano nu triero
Deu vontade di cagá.
Passado arguns dias
Vi nasce um abroba,
Minha bosta viro pranta
Quem qui pode mi insplicá?
Só tem uma inspricação
Qui pro cê ieu vô contá,
Cumi doce de abroba
I a sementi fico lá.
As abroba era bunita
Deu vontade di pegá,
Mais pensei cumigo mesmo
É di bosta nun vai dá.
Vortei pra cidadinha
I a nuticia ispaiei,
Só deu genti correno
Pru abrobá qui ieu prantei.
Fizero doce das abroba
I eu nem si que insprementei,
Si ocê quisé tem uma prova
tem um tiquinho qui ieu guardei.
trovinhas
[agnaldo alves pereira] ieu mesmo
O gatinho feiz miau
lá nu arto do teiado,
a minina mi deu um beijo
já fiquei enamorado.
Distância gera saudade
presença gera alegria,
quem inventou a distância
não gostava da alegria.
Santo Antonho ce pricisá
um marido, mi aruma,
tô ficano pra titia
preciso mi casá.
Dei um beijo na morena
i um abraço na loirinha,
meu amô pego nu flagra
ai meu Deus mais qui agunia!
Lágrima desce dus zóio
quando pego a mi lembra,
dus meus tempo di criança
qui nunca mais à di vorta
Mandioca dá na rama
Bananeira dá no cacho,
I ocê minha morena
Da pra mim no meio do mato.
O gatinho feiz miau
lá nu arto do teiado,
a minina mi deu um beijo
já fiquei enamorado.
Distância gera saudade
presença gera alegria,
quem inventou a distância
não gostava da alegria.
Santo Antonho ce pricisá
um marido, mi aruma,
tô ficano pra titia
preciso mi casá.
Dei um beijo na morena
i um abraço na loirinha,
meu amô pego nu flagra
ai meu Deus mais qui agunia!
Lágrima desce dus zóio
quando pego a mi lembra,
dus meus tempo di criança
qui nunca mais à di vorta
Mandioca dá na rama
Bananeira dá no cacho,
I ocê minha morena
Da pra mim no meio do mato.
terça-feira, 17 de março de 2009
TÁQUI, Ó!
[Lêda Mello]
Tava aqui só assuntando
Cuma a vida é ingraçada
Uns causu indu i vortandu
Numa confusão danada
Nissu a vida pai passandu
Chega us fim, num fica nada
Mi alembrei dum namoradu
Qui inté mi tirô da linha
Ieu gostava du safadu
Máis o tár era um galinha
Cum franga pra todu ladu
Num assentava a passarinha
Um dia, lá no terrêru
Fraguei ele cum a Raimunda
Garrei a soca-tempêru
Mandei tudim pras prifunda
Foi um disparu certêru
Pegô beim nu mêi da bunda
A Raimunda si arribô
Máis ligêra qui u capeta
Meu coração si alegrô
Mi vinguei dessa disfeita
U tár gemendu di dô
Ieu surrindu sastifeita
Dispois dissu, tô vivinha
Ritirei a carapuça
Tô muntu mais ispertinha
Sei aondi tenho as fuça
Ieu num quéru hômi galinha
Neim mêrmu qui a vaca tussa
Teim qui andá bem dereitim
Si quizé mi namorá
Num é só fazê carim
Perciza mi arrespeitá
Ispie só pru meu dedim:
Táqui qui vai mi inrolá!
Tava aqui só assuntando
Cuma a vida é ingraçada
Uns causu indu i vortandu
Numa confusão danada
Nissu a vida pai passandu
Chega us fim, num fica nada
Mi alembrei dum namoradu
Qui inté mi tirô da linha
Ieu gostava du safadu
Máis o tár era um galinha
Cum franga pra todu ladu
Num assentava a passarinha
Um dia, lá no terrêru
Fraguei ele cum a Raimunda
Garrei a soca-tempêru
Mandei tudim pras prifunda
Foi um disparu certêru
Pegô beim nu mêi da bunda
A Raimunda si arribô
Máis ligêra qui u capeta
Meu coração si alegrô
Mi vinguei dessa disfeita
U tár gemendu di dô
Ieu surrindu sastifeita
Dispois dissu, tô vivinha
Ritirei a carapuça
Tô muntu mais ispertinha
Sei aondi tenho as fuça
Ieu num quéru hômi galinha
Neim mêrmu qui a vaca tussa
Teim qui andá bem dereitim
Si quizé mi namorá
Num é só fazê carim
Perciza mi arrespeitá
Ispie só pru meu dedim:
Táqui qui vai mi inrolá!
CUNVERSA DE MATUTO"
OXENTE MÕÇO,
ARREPARE NÃO DOUTÔ
NUM SE APERREIE
COM MEU JEITO FALADOR
SOU DISLETRADO
MAR NUM SÔ DESOCUPADO
E É LÁ NO MEU ROÇADO
QUE TOMEM SOU PROFESSÔ
PREPARO A TERRA
PRANTO MIO, PRANTO FÉJÃO
BATATA SOJA ARGUDAO
GIRIMUM E COISA E TÁ
SE TÔ DUENTE
BEBO UM CHÁ DE QUIXABERA
CHAMO UMA BENZEDERA
PA MODE ELA ME REZÁ
NUM MI INVERGONHO
DI DIZÊ QUE SÔ DO MATO
SÔ MATUTO MAR DE FATO
SÔ UM CABÔCLO ASSUNTADOR
SÓ NA COLHEITA
É QUE VÔ LÁ NA CIDADE
MAR LÁ NUM TEM FILICIDADE
É SO MARDADE SIM SINHÔ
EU VEJO GENTE
CUMENO RESTO DE FÊRA
MANISSOBA MANIPÊRA
CARQUÉ COISA QUE SOBRÁ
ISSO É RAÇÃO
QUE AGENTE NEM DÁ PRO GADO
MAR TUDO VEM DO ROÇADO
DONDE VIVO A PRANTÁ
CIDADE GRANDE
É BESTAGI É ILUSÃO
É COMUM LÁ SE VÊ HOMI
ARRASTANO UM CARROÇÃO
OS VÉIO TRISTE
MINDINGANO UMA ESMOLA
AQUILO LÁ É UMA ESCOLA
PRÁ FORMÁ MUITO LADRÃO
ME ADESCURPE
E POR FAVÔME CUMPRIENDA
MAR DOTÔ NUM SI OFENDA
CUM MEU JEITO DE FALÁ
DEUS ME ADEFENDA
DE DEIXÁ O MEU TORRÃO
POIS DESTE BELO SERTÃO
NUNCA VÔ ME APARTÁ.
ARREPARE NÃO DOUTÔ
NUM SE APERREIE
COM MEU JEITO FALADOR
SOU DISLETRADO
MAR NUM SÔ DESOCUPADO
E É LÁ NO MEU ROÇADO
QUE TOMEM SOU PROFESSÔ
PREPARO A TERRA
PRANTO MIO, PRANTO FÉJÃO
BATATA SOJA ARGUDAO
GIRIMUM E COISA E TÁ
SE TÔ DUENTE
BEBO UM CHÁ DE QUIXABERA
CHAMO UMA BENZEDERA
PA MODE ELA ME REZÁ
NUM MI INVERGONHO
DI DIZÊ QUE SÔ DO MATO
SÔ MATUTO MAR DE FATO
SÔ UM CABÔCLO ASSUNTADOR
SÓ NA COLHEITA
É QUE VÔ LÁ NA CIDADE
MAR LÁ NUM TEM FILICIDADE
É SO MARDADE SIM SINHÔ
EU VEJO GENTE
CUMENO RESTO DE FÊRA
MANISSOBA MANIPÊRA
CARQUÉ COISA QUE SOBRÁ
ISSO É RAÇÃO
QUE AGENTE NEM DÁ PRO GADO
MAR TUDO VEM DO ROÇADO
DONDE VIVO A PRANTÁ
CIDADE GRANDE
É BESTAGI É ILUSÃO
É COMUM LÁ SE VÊ HOMI
ARRASTANO UM CARROÇÃO
OS VÉIO TRISTE
MINDINGANO UMA ESMOLA
AQUILO LÁ É UMA ESCOLA
PRÁ FORMÁ MUITO LADRÃO
ME ADESCURPE
E POR FAVÔME CUMPRIENDA
MAR DOTÔ NUM SI OFENDA
CUM MEU JEITO DE FALÁ
DEUS ME ADEFENDA
DE DEIXÁ O MEU TORRÃO
POIS DESTE BELO SERTÃO
NUNCA VÔ ME APARTÁ.
lua di me caipira
Lá na roça, um menino e uma menina foram criados juntos, desde que eram bem miudin...
O tempo foi passando, passando, eles foi creceno, creceno.
Aí se casaro.
No dia do casório, sacumé, povo da roça não viaja na lua de mér, já vai direto pra casinha de pau a pique.
Chegano lá na casinha, o Zé, muito tímido, vira para Maria e fala:
- Ó Maria, nóis vai tirano a rôpa, mais ocê num mi óia nem ieu ti óio, vamu ficar dis costa.
Maria responde:
- Tá bão Zé. Intaum eu num ti óio e ocê num mi óia, cumbinado.
Nisso Maria abre a malinha de papelão novinha que ganhou do pai, tira a camisola que ganhou da mãe.
Maria tira a roupa. Ao vestir a camisola notou que a mãe tinha lavado, ponhou no sór pra módi quará e ficá bem branquinha.
Tava um capricho só a camisola. Só que a véia usou goma demais pra passar a camisola, deixando muito engomada.
Maria então diz:
- Meu Deusducéu, cuma é qui eu vô drumi com um trem duro desse?!
Aí o Zé fala:
- Ah Maria! Assim num vale! Ocê mi oiô, né?!!!!
O tempo foi passando, passando, eles foi creceno, creceno.
Aí se casaro.
No dia do casório, sacumé, povo da roça não viaja na lua de mér, já vai direto pra casinha de pau a pique.
Chegano lá na casinha, o Zé, muito tímido, vira para Maria e fala:
- Ó Maria, nóis vai tirano a rôpa, mais ocê num mi óia nem ieu ti óio, vamu ficar dis costa.
Maria responde:
- Tá bão Zé. Intaum eu num ti óio e ocê num mi óia, cumbinado.
Nisso Maria abre a malinha de papelão novinha que ganhou do pai, tira a camisola que ganhou da mãe.
Maria tira a roupa. Ao vestir a camisola notou que a mãe tinha lavado, ponhou no sór pra módi quará e ficá bem branquinha.
Tava um capricho só a camisola. Só que a véia usou goma demais pra passar a camisola, deixando muito engomada.
Maria então diz:
- Meu Deusducéu, cuma é qui eu vô drumi com um trem duro desse?!
Aí o Zé fala:
- Ah Maria! Assim num vale! Ocê mi oiô, né?!!!!
domingo, 15 de março de 2009
AS TREIS FRÔ DO MANACÁ
[JOSÉ ANTÔNIO GAMA DE SOUZA-BALZAC]
Uma veiz uma morena
Qui morava numa terra, lá
Prantou um pé di fulô
Qu'era um pé di manacá
Agô, cuidô i isperô,
Pra quela pranta frorá
Pra matá anssim a vontadi
Di vortá pru seu lugá...
Custô, mas infim sucedeu
Brotô treis piquena frô
I dus óio intão da morena
Treis lágrima tamém rolô...
Uma lágrima i uma frô
Pra cada quar um sintido
Quim seu coração ficava
Quetim, anssim isprimido
Pras primêra o amô
Quela tem dentro du peito
Qui é grandi cumo quê
I ela dá di carqué jeito
Pras segunda a sordadi
Da terra i dus amigo
Quela qué di todo modo
Um dia inda tê consigo
Pras tercêra a isperança
I um sorriso intão brotô
Nu rosto daquela morena
Bunito qui nem as fulô
As três lágrima caiu
As três frô dispois murchô
I istercô aquela pranta
Qui incheu di tanta frô
I cumo as fulô, us sintido
Tamém anssim armentô
U amô i a sordadi
Mais a isperança, sinhô!
Uma veiz uma morena
Qui morava numa terra, lá
Prantou um pé di fulô
Qu'era um pé di manacá
Agô, cuidô i isperô,
Pra quela pranta frorá
Pra matá anssim a vontadi
Di vortá pru seu lugá...
Custô, mas infim sucedeu
Brotô treis piquena frô
I dus óio intão da morena
Treis lágrima tamém rolô...
Uma lágrima i uma frô
Pra cada quar um sintido
Quim seu coração ficava
Quetim, anssim isprimido
Pras primêra o amô
Quela tem dentro du peito
Qui é grandi cumo quê
I ela dá di carqué jeito
Pras segunda a sordadi
Da terra i dus amigo
Quela qué di todo modo
Um dia inda tê consigo
Pras tercêra a isperança
I um sorriso intão brotô
Nu rosto daquela morena
Bunito qui nem as fulô
As três lágrima caiu
As três frô dispois murchô
I istercô aquela pranta
Qui incheu di tanta frô
I cumo as fulô, us sintido
Tamém anssim armentô
U amô i a sordadi
Mais a isperança, sinhô!
O MATUTO PENSADO
[JOSÉ ANTÔNIO GAMA DE SOUZA-BALZAC]
Passarim cumeu semente
E cagô lá nu meu quintá
Vi nascê intão vistoso
Um belo dum abrobá
Adispois intão sô moço
Inheu fiquei a matutá
Veno bosta virá frô
E frô abroba virá
Tem neste mundo di Deus
Uns mistero interessante
É só ispiá pra si vê
Us milagre a todo instante
Cumu Nossinhô é bão
E ca vida tão cremente
De inté, pru amô, fazê
Da bosta, cumida pra gente!
Passarim cumeu semente
E cagô lá nu meu quintá
Vi nascê intão vistoso
Um belo dum abrobá
Adispois intão sô moço
Inheu fiquei a matutá
Veno bosta virá frô
E frô abroba virá
Tem neste mundo di Deus
Uns mistero interessante
É só ispiá pra si vê
Us milagre a todo instante
Cumu Nossinhô é bão
E ca vida tão cremente
De inté, pru amô, fazê
Da bosta, cumida pra gente!
ooooooo são pedro manda chuva
[agnaldo alves pereira] ieu mesmo
Ôooooo São Pedro ieu
ti peço, manda chuva
pru sertão, prá aguá
nossas plantinha
i alegra as criação.
U arroz ta cachiano
u milho embunecano,
jaboticabera dano fruto
i u disispero aumentano.
U pasto tá secano
i as vaquinha magreceno,
sabiá nun ta cantano
da tristesa qui só veno.
U poço tá secano
i as nascente tá morreno,
inte uns pexinho
ieu tô veno padeceno.
Minhas arface tá muchano
meus tomate nun tá cresceno,
desse jeito meu santinho,
nun tem jeito é só chuveno.
Si ocê nus mandá chuva
uma promesa ieu vô fazê,
vô fazê uma novena
qui oçê nun vai isquece.
Pra nu otro ano nun dexá
farta chuva nu sertão!
Pra nu otro ano num dexá
nóis aqui na sequidão!
Ôooooo São Pedro ieu
ti peço, manda chuva
pru sertão, prá aguá
nossas plantinha
i alegra as criação.
U arroz ta cachiano
u milho embunecano,
jaboticabera dano fruto
i u disispero aumentano.
U pasto tá secano
i as vaquinha magreceno,
sabiá nun ta cantano
da tristesa qui só veno.
U poço tá secano
i as nascente tá morreno,
inte uns pexinho
ieu tô veno padeceno.
Minhas arface tá muchano
meus tomate nun tá cresceno,
desse jeito meu santinho,
nun tem jeito é só chuveno.
Si ocê nus mandá chuva
uma promesa ieu vô fazê,
vô fazê uma novena
qui oçê nun vai isquece.
Pra nu otro ano nun dexá
farta chuva nu sertão!
Pra nu otro ano num dexá
nóis aqui na sequidão!
sábado, 14 de março de 2009
minhas trovinhas
[agnaldo alves perira] ieu mesmo
Sodade nasce da dispidida,
Aligria nasce da chegada,
Amor nasce na convivença,
I a paxão nasce na oiada,
I meu amo pur oçê nasceu
Foi duma beijada.
Ieu pidi pru Santo Antonho
Prum casamento mi ranjá,
Santo Antonho nun atendeu
Ieu fiquei a imaginá,
Será qui nun vai te jeito
Prece caipira aqui casá.
Passei a mão na inchada
Fui pru campo capiná,
Quando cheguei vi u mato
Deu vontade di vortá,
Deu saudade da redinha
Qui ieu amarrei lá nu currá
Quando vejo teus zoinho
Vejo brilho du luar,
Quando vejo teus cabelo
Vejo as onda du mar,
Quando vejo seu sorriso
Vejo dentes a fartá.
Caboquinha oçê qui num sabe
U quanto ieu ti quero bem,
Ci oçê meno imaginasse
Me amava di paxão.
Sodade nasce da dispidida,
Aligria nasce da chegada,
Amor nasce na convivença,
I a paxão nasce na oiada,
I meu amo pur oçê nasceu
Foi duma beijada.
Ieu pidi pru Santo Antonho
Prum casamento mi ranjá,
Santo Antonho nun atendeu
Ieu fiquei a imaginá,
Será qui nun vai te jeito
Prece caipira aqui casá.
Passei a mão na inchada
Fui pru campo capiná,
Quando cheguei vi u mato
Deu vontade di vortá,
Deu saudade da redinha
Qui ieu amarrei lá nu currá
Quando vejo teus zoinho
Vejo brilho du luar,
Quando vejo teus cabelo
Vejo as onda du mar,
Quando vejo seu sorriso
Vejo dentes a fartá.
Caboquinha oçê qui num sabe
U quanto ieu ti quero bem,
Ci oçê meno imaginasse
Me amava di paxão.
trova
Desde que você partiu
Eu rezo pra ocê vortá
Inté fiz calo na testa
De faze “pelo-siná”.
[Marilita Pozzoli]
Eu rezo pra ocê vortá
Inté fiz calo na testa
De faze “pelo-siná”.
[Marilita Pozzoli]
meu interior
[agnaldo alves pereira] ieu mesmo
Minha vida tem mais brilho
minha vida tem mais cor,
toda vez qui eu viajo pru
meu interior.
Como em prato esmaltado
sentado no rabo do fogão,
tomo água da biquinha,
ôooooo meu Deus aí qui
trem bão!!!
Sabiá canta bunito
nu galho laranjeira,
curuja fica ispiando
lá do arto da portera.
Dinoitinha a gente pega
a viola, vai pru bar du
seu Adão pra toma umas
pinguinha, i canta
belas canção.
Di manhãzinha tiro a trava
do munjolo pra iscuita seu batidão,
qui bate bem compasado
como bate u coração.
Canta u galo no terrero
mungi o gado no curral,
i a passarinhada faiz
u maior carnaval.
Durmo im cochão di paia
mi cubro com
cocha de retalho,
i a luz de lamparina faço
minhas oração.
Nu final du triero tem
um cochete qui sai lá
nu instradão, onde passa
a boiada qui vem lá du sô
Simão.
Di tardinha a gente pega
as varinha i vai pescá,
nos riachos mais bonitos
qui existe no lugar.
Isso sim é qui é vida
isso sim é minha paxão,
si oçê num cunhece
cê tem qui cunhece.....
U meu interiozão!!
Minha vida tem mais brilho
minha vida tem mais cor,
toda vez qui eu viajo pru
meu interior.
Como em prato esmaltado
sentado no rabo do fogão,
tomo água da biquinha,
ôooooo meu Deus aí qui
trem bão!!!
Sabiá canta bunito
nu galho laranjeira,
curuja fica ispiando
lá do arto da portera.
Dinoitinha a gente pega
a viola, vai pru bar du
seu Adão pra toma umas
pinguinha, i canta
belas canção.
Di manhãzinha tiro a trava
do munjolo pra iscuita seu batidão,
qui bate bem compasado
como bate u coração.
Canta u galo no terrero
mungi o gado no curral,
i a passarinhada faiz
u maior carnaval.
Durmo im cochão di paia
mi cubro com
cocha de retalho,
i a luz de lamparina faço
minhas oração.
Nu final du triero tem
um cochete qui sai lá
nu instradão, onde passa
a boiada qui vem lá du sô
Simão.
Di tardinha a gente pega
as varinha i vai pescá,
nos riachos mais bonitos
qui existe no lugar.
Isso sim é qui é vida
isso sim é minha paxão,
si oçê num cunhece
cê tem qui cunhece.....
U meu interiozão!!
sexta-feira, 13 de março de 2009
TÔDU AMÔ É ETERNU
Mininu vô ti contá
Pra modi tu cunhecê
Minha istória di amô
linda, linda di vivê
Um dia incrontei na rua
Cum um ômi pura tentação
Oiei nus ói dêli mi sintindo nua
Subiu logo uma cumichão
Foi amô a premêra vista
Ninguém podi duvidá
Curri logo pra cunquista
E quis logo cativá
Daqueli dia in dianti
Nossu distinu si cruzô
Us incrontu fôru uma cunstanti
E nossu amô só armentô
Ô coisa boa é amá!
U coração fica levim
Ô bixo bom é namorá!
A vida pareci num tê fim
Si u amô é eternu
Ô se um dia vai acabá
Nissu pensá eu num queru
Eu queru mermu é aproveitá!
[selma amaral]
Pra modi tu cunhecê
Minha istória di amô
linda, linda di vivê
Um dia incrontei na rua
Cum um ômi pura tentação
Oiei nus ói dêli mi sintindo nua
Subiu logo uma cumichão
Foi amô a premêra vista
Ninguém podi duvidá
Curri logo pra cunquista
E quis logo cativá
Daqueli dia in dianti
Nossu distinu si cruzô
Us incrontu fôru uma cunstanti
E nossu amô só armentô
Ô coisa boa é amá!
U coração fica levim
Ô bixo bom é namorá!
A vida pareci num tê fim
Si u amô é eternu
Ô se um dia vai acabá
Nissu pensá eu num queru
Eu queru mermu é aproveitá!
[selma amaral]
VISITANTES MATINAIS
[Bob Motta]
Moro bem pertíin do morro,
onde a fáuna, livrimente,
inda é feliz e contente,
e vê a vida passá.
E eu, poeta apaixonado,
amante da natureza,
me integrando a essa beleza,
resôiví participá.
Faiz aigum tempo, dotô,
qui eu boto in riba do muro,
fubá, xerém, míi maduro,
p"ruis passo se alimentá.
Tôdo dia de menhã,
êles se assenta cantando,
cuma quem diz: Tô chgando;
já é quage um rituá.
E cum êles e seu cantá,
eu tanto me acustumei,
qui de repente, pensei,
e fiz cum munto caríin,
duais casinha de madêra,
bem potregida e cuberta,
cum porta e jinela aberta,
mode êles fazê seu níin.
E quando eu vejo uis bichíin,
entrá e saí à vontade,
minha ritina, in verdade,
num sei cuma num discola.
Nem sei cuma um sê humano,
pode surrí sastisfeito,
vendo um passaríin sujeito,
prêso dento da gaiola.
Um cunvite mê istrãe,
eu faço e digo pruquê.
O cunvite é prá você,
qui tem passo in cativêro.
E se você aceitá,
eu duvido qui num pare,
prá pensá e num iscancare,
ais porta de seu vivêro.
Eu quero lhe cunvidá,
mode fazê uma visita,
qui num é nada bunita,
lá na colonha pená.
Mode vê hôme injaulado,
e seu sembrante qui ixprime,
qui êle tá pagando um crime,
eu acho inté naturá.
E o pobre do passaríin?
Agora, pregunto, eu:
Quá crime êle cumeteu,
prá ficá incaicerado?
Puracauso foi seu canto,
qui de menhã lhe acordô,
e você se alevantô,
mode êle, tão ressacado?
Bom, meu recado tá dado;
num sô mió qui ninguém.
No meu poema, porém,
quiz chamá sua atenção.
Pois eu prifiro, seu môço,
vê uis bichíin livre assim,
cantando no meu jardim,
do que dento d"um açaprão...
Moro bem pertíin do morro,
onde a fáuna, livrimente,
inda é feliz e contente,
e vê a vida passá.
E eu, poeta apaixonado,
amante da natureza,
me integrando a essa beleza,
resôiví participá.
Faiz aigum tempo, dotô,
qui eu boto in riba do muro,
fubá, xerém, míi maduro,
p"ruis passo se alimentá.
Tôdo dia de menhã,
êles se assenta cantando,
cuma quem diz: Tô chgando;
já é quage um rituá.
E cum êles e seu cantá,
eu tanto me acustumei,
qui de repente, pensei,
e fiz cum munto caríin,
duais casinha de madêra,
bem potregida e cuberta,
cum porta e jinela aberta,
mode êles fazê seu níin.
E quando eu vejo uis bichíin,
entrá e saí à vontade,
minha ritina, in verdade,
num sei cuma num discola.
Nem sei cuma um sê humano,
pode surrí sastisfeito,
vendo um passaríin sujeito,
prêso dento da gaiola.
Um cunvite mê istrãe,
eu faço e digo pruquê.
O cunvite é prá você,
qui tem passo in cativêro.
E se você aceitá,
eu duvido qui num pare,
prá pensá e num iscancare,
ais porta de seu vivêro.
Eu quero lhe cunvidá,
mode fazê uma visita,
qui num é nada bunita,
lá na colonha pená.
Mode vê hôme injaulado,
e seu sembrante qui ixprime,
qui êle tá pagando um crime,
eu acho inté naturá.
E o pobre do passaríin?
Agora, pregunto, eu:
Quá crime êle cumeteu,
prá ficá incaicerado?
Puracauso foi seu canto,
qui de menhã lhe acordô,
e você se alevantô,
mode êle, tão ressacado?
Bom, meu recado tá dado;
num sô mió qui ninguém.
No meu poema, porém,
quiz chamá sua atenção.
Pois eu prifiro, seu môço,
vê uis bichíin livre assim,
cantando no meu jardim,
do que dento d"um açaprão...
quinta-feira, 12 de março de 2009
Matuto nas Oropa
[Amazan*]
Seu moço preste atenção
Queu vô conta sem frescura
Algumas das aventura
Dessa vida que labuto
Derna de pequeno eu luto
Pra anda sempre na linha
Só faço má a farinha
Qui é comida de matuto.
Com cinco ano de idade
Já apanhava agudão,
Já usava cinturão
Pras calça não dispencá,
Já comia manguzá
Cum rapadura boro,
Já andava nos forró,
Só falava em me casa.
Assim seu moço eu vivia
Sem luxo sem vaidade,
Ia poço na cidade,
Num via coisa granfina,
Porém mudei de rotina
Daquele dia pra cá
Que aprendi a toca
O diabo da concertina.
Pois derna daquele dia
Fui miorando de cina,
Pegava na concertina,
Incaicava, ela gemia,
Os amigos me dizia:
Tu cum essa bicha na cocha
Sei qui ela é meã frôcha,
Mas tu tem capacidade
Se tu fô para a cidade
Arruma mulé de trôcha.
Num dia de sexta-fêra
Eu tomei a decisão
Arrumei o matulão,
Botei a sanfona im riba,
Peguei a sopa na esquina
E fui bater em Campina,
Cidade da Paraíba.
Chegando im Campina Grande
Eu entrei logo em ação
Tocando xote e baião
Pra mode o povo iscutá
Tocava im quaiqué lugá
Nos forró nas gafiêra
No meio das ruas, nas fera
Inté im mesa de ba.
Fui ficando conhecido
E fui armando o isquema
Inté conhece um dia
TROPEIROS DA BORBOREMA
Tropeiros da Borborema
Grupo de dança afamado,
Pra faze parte do mermo
Eu então fui convidado.
E aceitei o convite
Feito pelo direto,
Passei a sê tocado,
Oficia dos tropêro.
Eita que grupo afamado
Num é que foi convidado
Pra dança no istrangêro!
Pra ir dança na Itália,
França, Ispanha e Portugal
Todos acharo legal,
Eu tombem fui iscalado,
Fiquei feliz e animado,
Mas mudei de opinião
Ao sabe que de avião
Nós ia sê transportado.
Eu digo: - O diabo é quem vai
Num vô nem cá caxa bata
Vuar num passo de lata?
Eu acho munto arriscado,
Se tivé inferrujado
Ou lá im cima cansa,
Cai logo dento do má,
Nós morre tudo afogado.
Mas os colega do grupo
Pegaro e me anima,
Começaro e me ispricá
Qui num ia te perigo.
Depois de muito concêi
Lá num canto me sentei
Pequei a fala comigo:
Eu já montei em cavalo,
Já amancei burro brabo,
Já peguei boi pelo rabo
Nunca mi inganchei cum nada,
Qui dirão meus camarada
Qui no sertão eu dêxei,
Se soube qu’eu afrochei,
Vão mi chama de quaiada.
É! O jeito vai sê eu ir
Eu num tenho otra saída.
Num fiz istória cumprida,
Tomei logo a decisão
E no dia da viagem
Ajuntei minha bagage,
Fui pegá o avião.
Cheguei no aeroporto
Dispachei logo a bagage,
Eu tava inté com corage,
Mas num era munta não,
Mas na hora, meu patrão,
Na hora de imbaicá
Eu mi danei a suá
Chega pingava no chão.
Peguei c’uma tremedêra,
Num sabia o que faze
Mi preparei pra corre
Os colega num dexaro,
Bem uns três me agarraro,
Puxaro de porta adento
Mi prantaro no assento
Do meu lado se sentaro.
Daí a poço o piloto
Pego mostra num cinema
Se tivesse argum probema
Come qui o nego iscapava
Umas mascra dispencava,
Umas porta se abria,
Quanto mais aquilo eu via
Era qui o mêdo omentava,
Depois o ta do piloto
Qui dirige o avião
Mando aperta o cinto
Eu saltei no cinturão,
Dei um arrocho tão grande
Qui quase sai o feijão.
Sei que o bicho começo
Dá uma desimbrestada,
Numa carreira danada
Qui chega açoitava o vento,
Foi levantano do chão
E quando eu dô fé, patrão,
Tava das nuve para dento
Depois lá vem uma moça
Cum mói de toalha quente
Pensei qui era tapioca
Fui logo meteno o dente.
Uma toalhinha branca,
Assim bem inroladinha,
Quando eu vim vê o qui era
Tinha comido todinha.
Deu-me uma dô de ouvido
Dessas de indoidecer
Me levantei da cadêra
Sem sabe o qui faze,
Sem qui ninguém impidisse
Cheguei no piloto e disse:
Pare aí quêu vô descer
O cabra quis acha graça,
Mais viu quêu ia ingroçá
Mando eu tampa a venta
Pela boca respirá,
Ingula o cuspe seguido,
Dessa manêra os uvido
Açoita pra fora o ar.
Sei qui cheguemo im Madrid,
Eu deci do avião
Por dento duma sanfona,
Cumprida qui só o cão
Tomei a benção a Jesus
E fiz o sinal da cruz,
Depois qui pisei no chão.
Dento do aeroporto,
Vi uma porta ingraçada,
Pra mode o nego abri ela
Num precisa fazê nada,
Basta pisa no tapete
Quela fica escancarada.
Porém eu não sabia,
Fui impurrar com a mão
Na mesma hora pisei
No tapete, a porta então
Abriu-se eu passei direto
Prantei a cara no chão.
Pra pedir uma comida
Era a maió inrolada,
Ninguém intendia nada,
Eu mi danava aponta,
Qui povo mais inrolado
Cada cabrão véi barbado
Sem aprende a falá.
Feijão lá, ninguém num vê
Cuscuz, farinha xerém,
Carne de sol lá num tem
Mode servi de mistura,
To dizeno sem frescura
Nunca vô sê convencido
Que lá é disinvolvido,
Pois num tem nem rapadura.
De nove hora da noite
O só inda tava quente,
Nos ba num tinha aguardente,
Nem pitu e nem bregêra,
Ninguém dança gafiêra
E pra falar a verdade
Eu senti munta saudade
Do picado lá da fera.
Num ba pedi um galeto,
Porém o nome era pólo,
Na hora eu quase mi inrolo,
Num sabia o que faze,
Pólo eu num vô cume,
Pruquê pode sê o sú,
Ali eu tomo no pé
Quando o gelo derrete.
Eu tinha munta vontade
De pega um bom feijão,
Arrocha farinha nele
Depois amassa com a mão
Sentado num tamburête,
Faze aqueles bolête
Qui a gente chama canção.
Fui compra uma cuéca,
O cabra num intendeu,
Era eu dizendo CUECA
E ele olhando pra eu.
Depois eu disse: CIROLA,
Também num intendeu não,
Eu disse SAMBA CANÇÃO,
O cabra fico calado
Eu já estava infesado
Decí a calça todinha,
Mostrei a cueca minha:
É isso aqui condenado!
Um dia meus companhêros
Dissero: Vamo açula,
Vamo na danceteria.
Eu digo: Opa, vamo lá,
Hoje esse povo vai vê
O qué um cabra dança.
Mas quando eu entrei na porta
Avistei o destrupisso.
Eu digo: O qui diabo é isso?
Dissero: Um clube moderno.
A luzarada piscano,
Os cabra tudo saltano.
Eu digo: Eu to no inferno.
Me sentei numa cadêra,
Fiquei só observano
Os cabra tudo saltano,
As nega tudo assanhada.
No mêi daquela cambada
Fiquei mêi incabulado,
Passei a noite sentado
E voltei sem dança nada.
Depois nós fumo pra França
E eu fiquei hospedado
Na casa dum pessoa
Munto bom e educado
Porém eu só num gostava
Quando o dia amanhecia,
Dêxá a cama macia
Qui nem carne de caju,
Dize pra eles bom dia.
Sabe o qu’eles respondia?
Tudo duma vez: Bom jú.
Mas eu vô conta também
Algumas das paiaçada
Qui eu pude observa
De alguns dos camarada
Inda no aeroporto
Nós fumo pra uma sala,
Pra numa ta de istêra
Cada quá pega a mala.
E quando as mala apontaro
Eu iscutei uma fala
Dize: pega minha mala,
Senão volta pra Campina.
Era uma das minina
Qui vinha im toda carrêra,
Caiu pru riba da istêra
Perdeu inté as butina.
E o Marco do Rojão
No hotel se inrolô
Foi a maió confusão
Pra pidir um cubertô.
Primeiro pediu lenço,
A mulé disse: Sinhô.
Ele disse: Um cubertô
A mulé fico olhano.
Aí ele disse: Um pano,
Cuberta dona Maria.
Quanto mais ele pidia
É qui ia piorano.
Após gesticula munto
E te cansado a gaiganta
Foi qui a mulé disse: - Ah!
Mi sinhô, uma la mantá.
Inté o veriadô
João Danta, cobra letrado,
Entro nua lanchonete
E foi saindo apressado,
Num viu a porta de vrido,
Pranto nela o pé duvido,
Caiu pra traiz acentado.
Teve munta coisa mais,
Mais eu num vô conta tudo,
Se eu fosse conta miúdo
Passava a noite contano
As paiaçada todinha
Junto as dos outro e as minha
É coisa pra mais de ano.
Mais tem uma nuvidade
Quêu preciso lhe conta
No dia de regressa
Num tive, mais medo não,
Pode acredita, patrão
Quêu fiquei abestaiado
De te me acustumado
Cum o tá do avião.
Sei qui dêxei as OROPA,
Arribei de lá pra cá
Num é falano de lá,
Pruquê lá é bom tamém,
Mais uma coisa convém
Eu dize cum mais de mil,
Eu num troco o meu BRASIL
Pru OROPA de ninguém.
Seu moço preste atenção
Queu vô conta sem frescura
Algumas das aventura
Dessa vida que labuto
Derna de pequeno eu luto
Pra anda sempre na linha
Só faço má a farinha
Qui é comida de matuto.
Com cinco ano de idade
Já apanhava agudão,
Já usava cinturão
Pras calça não dispencá,
Já comia manguzá
Cum rapadura boro,
Já andava nos forró,
Só falava em me casa.
Assim seu moço eu vivia
Sem luxo sem vaidade,
Ia poço na cidade,
Num via coisa granfina,
Porém mudei de rotina
Daquele dia pra cá
Que aprendi a toca
O diabo da concertina.
Pois derna daquele dia
Fui miorando de cina,
Pegava na concertina,
Incaicava, ela gemia,
Os amigos me dizia:
Tu cum essa bicha na cocha
Sei qui ela é meã frôcha,
Mas tu tem capacidade
Se tu fô para a cidade
Arruma mulé de trôcha.
Num dia de sexta-fêra
Eu tomei a decisão
Arrumei o matulão,
Botei a sanfona im riba,
Peguei a sopa na esquina
E fui bater em Campina,
Cidade da Paraíba.
Chegando im Campina Grande
Eu entrei logo em ação
Tocando xote e baião
Pra mode o povo iscutá
Tocava im quaiqué lugá
Nos forró nas gafiêra
No meio das ruas, nas fera
Inté im mesa de ba.
Fui ficando conhecido
E fui armando o isquema
Inté conhece um dia
TROPEIROS DA BORBOREMA
Tropeiros da Borborema
Grupo de dança afamado,
Pra faze parte do mermo
Eu então fui convidado.
E aceitei o convite
Feito pelo direto,
Passei a sê tocado,
Oficia dos tropêro.
Eita que grupo afamado
Num é que foi convidado
Pra dança no istrangêro!
Pra ir dança na Itália,
França, Ispanha e Portugal
Todos acharo legal,
Eu tombem fui iscalado,
Fiquei feliz e animado,
Mas mudei de opinião
Ao sabe que de avião
Nós ia sê transportado.
Eu digo: - O diabo é quem vai
Num vô nem cá caxa bata
Vuar num passo de lata?
Eu acho munto arriscado,
Se tivé inferrujado
Ou lá im cima cansa,
Cai logo dento do má,
Nós morre tudo afogado.
Mas os colega do grupo
Pegaro e me anima,
Começaro e me ispricá
Qui num ia te perigo.
Depois de muito concêi
Lá num canto me sentei
Pequei a fala comigo:
Eu já montei em cavalo,
Já amancei burro brabo,
Já peguei boi pelo rabo
Nunca mi inganchei cum nada,
Qui dirão meus camarada
Qui no sertão eu dêxei,
Se soube qu’eu afrochei,
Vão mi chama de quaiada.
É! O jeito vai sê eu ir
Eu num tenho otra saída.
Num fiz istória cumprida,
Tomei logo a decisão
E no dia da viagem
Ajuntei minha bagage,
Fui pegá o avião.
Cheguei no aeroporto
Dispachei logo a bagage,
Eu tava inté com corage,
Mas num era munta não,
Mas na hora, meu patrão,
Na hora de imbaicá
Eu mi danei a suá
Chega pingava no chão.
Peguei c’uma tremedêra,
Num sabia o que faze
Mi preparei pra corre
Os colega num dexaro,
Bem uns três me agarraro,
Puxaro de porta adento
Mi prantaro no assento
Do meu lado se sentaro.
Daí a poço o piloto
Pego mostra num cinema
Se tivesse argum probema
Come qui o nego iscapava
Umas mascra dispencava,
Umas porta se abria,
Quanto mais aquilo eu via
Era qui o mêdo omentava,
Depois o ta do piloto
Qui dirige o avião
Mando aperta o cinto
Eu saltei no cinturão,
Dei um arrocho tão grande
Qui quase sai o feijão.
Sei que o bicho começo
Dá uma desimbrestada,
Numa carreira danada
Qui chega açoitava o vento,
Foi levantano do chão
E quando eu dô fé, patrão,
Tava das nuve para dento
Depois lá vem uma moça
Cum mói de toalha quente
Pensei qui era tapioca
Fui logo meteno o dente.
Uma toalhinha branca,
Assim bem inroladinha,
Quando eu vim vê o qui era
Tinha comido todinha.
Deu-me uma dô de ouvido
Dessas de indoidecer
Me levantei da cadêra
Sem sabe o qui faze,
Sem qui ninguém impidisse
Cheguei no piloto e disse:
Pare aí quêu vô descer
O cabra quis acha graça,
Mais viu quêu ia ingroçá
Mando eu tampa a venta
Pela boca respirá,
Ingula o cuspe seguido,
Dessa manêra os uvido
Açoita pra fora o ar.
Sei qui cheguemo im Madrid,
Eu deci do avião
Por dento duma sanfona,
Cumprida qui só o cão
Tomei a benção a Jesus
E fiz o sinal da cruz,
Depois qui pisei no chão.
Dento do aeroporto,
Vi uma porta ingraçada,
Pra mode o nego abri ela
Num precisa fazê nada,
Basta pisa no tapete
Quela fica escancarada.
Porém eu não sabia,
Fui impurrar com a mão
Na mesma hora pisei
No tapete, a porta então
Abriu-se eu passei direto
Prantei a cara no chão.
Pra pedir uma comida
Era a maió inrolada,
Ninguém intendia nada,
Eu mi danava aponta,
Qui povo mais inrolado
Cada cabrão véi barbado
Sem aprende a falá.
Feijão lá, ninguém num vê
Cuscuz, farinha xerém,
Carne de sol lá num tem
Mode servi de mistura,
To dizeno sem frescura
Nunca vô sê convencido
Que lá é disinvolvido,
Pois num tem nem rapadura.
De nove hora da noite
O só inda tava quente,
Nos ba num tinha aguardente,
Nem pitu e nem bregêra,
Ninguém dança gafiêra
E pra falar a verdade
Eu senti munta saudade
Do picado lá da fera.
Num ba pedi um galeto,
Porém o nome era pólo,
Na hora eu quase mi inrolo,
Num sabia o que faze,
Pólo eu num vô cume,
Pruquê pode sê o sú,
Ali eu tomo no pé
Quando o gelo derrete.
Eu tinha munta vontade
De pega um bom feijão,
Arrocha farinha nele
Depois amassa com a mão
Sentado num tamburête,
Faze aqueles bolête
Qui a gente chama canção.
Fui compra uma cuéca,
O cabra num intendeu,
Era eu dizendo CUECA
E ele olhando pra eu.
Depois eu disse: CIROLA,
Também num intendeu não,
Eu disse SAMBA CANÇÃO,
O cabra fico calado
Eu já estava infesado
Decí a calça todinha,
Mostrei a cueca minha:
É isso aqui condenado!
Um dia meus companhêros
Dissero: Vamo açula,
Vamo na danceteria.
Eu digo: Opa, vamo lá,
Hoje esse povo vai vê
O qué um cabra dança.
Mas quando eu entrei na porta
Avistei o destrupisso.
Eu digo: O qui diabo é isso?
Dissero: Um clube moderno.
A luzarada piscano,
Os cabra tudo saltano.
Eu digo: Eu to no inferno.
Me sentei numa cadêra,
Fiquei só observano
Os cabra tudo saltano,
As nega tudo assanhada.
No mêi daquela cambada
Fiquei mêi incabulado,
Passei a noite sentado
E voltei sem dança nada.
Depois nós fumo pra França
E eu fiquei hospedado
Na casa dum pessoa
Munto bom e educado
Porém eu só num gostava
Quando o dia amanhecia,
Dêxá a cama macia
Qui nem carne de caju,
Dize pra eles bom dia.
Sabe o qu’eles respondia?
Tudo duma vez: Bom jú.
Mas eu vô conta também
Algumas das paiaçada
Qui eu pude observa
De alguns dos camarada
Inda no aeroporto
Nós fumo pra uma sala,
Pra numa ta de istêra
Cada quá pega a mala.
E quando as mala apontaro
Eu iscutei uma fala
Dize: pega minha mala,
Senão volta pra Campina.
Era uma das minina
Qui vinha im toda carrêra,
Caiu pru riba da istêra
Perdeu inté as butina.
E o Marco do Rojão
No hotel se inrolô
Foi a maió confusão
Pra pidir um cubertô.
Primeiro pediu lenço,
A mulé disse: Sinhô.
Ele disse: Um cubertô
A mulé fico olhano.
Aí ele disse: Um pano,
Cuberta dona Maria.
Quanto mais ele pidia
É qui ia piorano.
Após gesticula munto
E te cansado a gaiganta
Foi qui a mulé disse: - Ah!
Mi sinhô, uma la mantá.
Inté o veriadô
João Danta, cobra letrado,
Entro nua lanchonete
E foi saindo apressado,
Num viu a porta de vrido,
Pranto nela o pé duvido,
Caiu pra traiz acentado.
Teve munta coisa mais,
Mais eu num vô conta tudo,
Se eu fosse conta miúdo
Passava a noite contano
As paiaçada todinha
Junto as dos outro e as minha
É coisa pra mais de ano.
Mais tem uma nuvidade
Quêu preciso lhe conta
No dia de regressa
Num tive, mais medo não,
Pode acredita, patrão
Quêu fiquei abestaiado
De te me acustumado
Cum o tá do avião.
Sei qui dêxei as OROPA,
Arribei de lá pra cá
Num é falano de lá,
Pruquê lá é bom tamém,
Mais uma coisa convém
Eu dize cum mais de mil,
Eu num troco o meu BRASIL
Pru OROPA de ninguém.
O Desgrudado curuis
[tarcio costa]
Atentá mulé do próximo
É pecado sem perdão
Mas tem homê que parece
Não temê castigo não
Quando vê rabo de saia
Sede logo a tentação
E Com Severino Rôla
Não havera ser diferente
Bolinô mulé casada
Conhecida ou indigente
Sem se importar com a idade
Pro cabra era indiferente
Quando posto Severino
Pela mulé em julgamento
Tinha logo seu respeito
Pelo alongado instrumento
Que dito pelas mas língua
Parecia de jumento
bicho tinhoso da peste
Arretava os corneado
Sorrindo mostrando os dente
Terno branco engravatado
Banhado de água de cheiro
Sempre muito perfumado
Pras mulé despreparada
O caboco virô lenda
E conselho pra malandro
Nunca que gerou renda
Se conselho fosse bom
Virava artigo de venda
Mas essa imprópria conduta
Virô faca de dois lado
Pra alguns motivo de graça
Pra outros de desagrado
Pois o sujeito em questão
Era tumém amaseado
E o que mais causava réiva
No povo naquela altura
É que a mulé do abestado
Era honesta e de candura
E sustentava o safado
Chuliando na custura
Como era de imaginar
O dito autor das besteira
Teve seu nome cunhado
Na boca das fofoqueira
Que trataro de levá
Ao ouvido da costureira
Com tristeza da moléstia
A pobre dama traída
Prometeu fazê vingança
A humilhação recebida
Nem que viesse a ser a última
Coisa feita nessa vida
O causo foi dito e feito
E o tarzim cheio de fama
Dormindo feito criança
Não se apercebeu do drama
De ter sua genitália
Amarrada aos pé da cama
Sem quarqué dor ou remorso
Batendo tampa e panela
Lençol branco na cabeça
No clarão da luz de vela
A mulé assusta o amante
Que salta pela janela..ahh!
Quem muito qué nada tem
Já diz o velho ditado
E nem memô a medicina
Pôde ajudá o coitado
O que o diabo separô
Nunca mais se viu grudado.
Atentá mulé do próximo
É pecado sem perdão
Mas tem homê que parece
Não temê castigo não
Quando vê rabo de saia
Sede logo a tentação
E Com Severino Rôla
Não havera ser diferente
Bolinô mulé casada
Conhecida ou indigente
Sem se importar com a idade
Pro cabra era indiferente
Quando posto Severino
Pela mulé em julgamento
Tinha logo seu respeito
Pelo alongado instrumento
Que dito pelas mas língua
Parecia de jumento
bicho tinhoso da peste
Arretava os corneado
Sorrindo mostrando os dente
Terno branco engravatado
Banhado de água de cheiro
Sempre muito perfumado
Pras mulé despreparada
O caboco virô lenda
E conselho pra malandro
Nunca que gerou renda
Se conselho fosse bom
Virava artigo de venda
Mas essa imprópria conduta
Virô faca de dois lado
Pra alguns motivo de graça
Pra outros de desagrado
Pois o sujeito em questão
Era tumém amaseado
E o que mais causava réiva
No povo naquela altura
É que a mulé do abestado
Era honesta e de candura
E sustentava o safado
Chuliando na custura
Como era de imaginar
O dito autor das besteira
Teve seu nome cunhado
Na boca das fofoqueira
Que trataro de levá
Ao ouvido da costureira
Com tristeza da moléstia
A pobre dama traída
Prometeu fazê vingança
A humilhação recebida
Nem que viesse a ser a última
Coisa feita nessa vida
O causo foi dito e feito
E o tarzim cheio de fama
Dormindo feito criança
Não se apercebeu do drama
De ter sua genitália
Amarrada aos pé da cama
Sem quarqué dor ou remorso
Batendo tampa e panela
Lençol branco na cabeça
No clarão da luz de vela
A mulé assusta o amante
Que salta pela janela..ahh!
Quem muito qué nada tem
Já diz o velho ditado
E nem memô a medicina
Pôde ajudá o coitado
O que o diabo separô
Nunca mais se viu grudado.
mais oooooo historia boa sôooooooo
[Tárcio Costa ]
Dispertô sintonizado
Meu radinho na estante
Num culto discursativo
De um bão pastor protestante
Meu coração foi tocado
Por tais palavra elegante
Era seis da madrugada
Saltei da cama ligeiro
Cocei as borda do saco
Corri mijá no banheiro
Vesti as calça e as bota
E emborlsei algum dinheiro
Antes de fazê meu rasto
Arredei pro galinheiro
Donde escolhi duas franga
Encomenda do terreiro
Duas penosa bem preta
Pro pai véio do pardieiro
Meti a carroça na estrada
Em direção da cidade
C’o impaciência danada
E muita felicidade
Pois compânho a procissão
Desde minha mocidade
Toda sexta-feira santa
Corro trecho inté a igreja
Tomado pelo jejum
Por mais duro que isso seja
Sou católico de fé
É assim que cristo deseja
A primeira das parada
Foi na venda do esperanto
Donde tasquei uma cachaça
Que num é causo de espanto
Pois não havera ser pecado
Se um golinho foi pro santo
Amuntando doutra vez
Me alembrei do que esqueci
Os trêis conto de São Jorge
Que eu sempre lhe ofereci
Faça tu a mesma coisa
Causo passar por ali
Quem diz que tudo já viu
Tinha que tê viajado
Comigo naquele dia
Pra vê o sujeito engraçado
Que na mesma direção
Redava meio apressado
Tinha a cabeça pelada
E dançava em veiz de andá
Cantava umas moda estranha
Cantigas doutro lugá
Histórias dum tal de Buda
Que havera de reencarná
Me deu madeira de cheiro
Rezou pela minha paz
Tocou um sino de bronze
Mostrou que era bão rapaz
Toquei chaquaio nas rédeas
Deixando o amigo pra trás
Ele inté me alembrava
O filho duma doutora
Que falava com os morto
Era deles protetora
E com a ajuda dos mesmo
Operou uma professora
Eu mesmo já prometi
Umas cabeça de alface
Pra dona tão caridosa
Que carrega o amor nas face
E aproveitá da arribada
Pra tomá dela um bão passe
Mais voltando pra história
A sexta-feira em questão
Oceis já ouvirô falá
Do tal livro do Corão
Pois foi mesmo um livro desse
Que chego nas minha mão
Já no mercado da vila
Meia hora de chegado
O velho vendedor turco
Me puxando pro seu lado
Todo cheio de alegria
Me fez dele presentiado
Fiquei muito gradicido
Proteção é sempre boa
Mas arribei rapidinho
Pois num tava ali a toa
E quando se ta com pressa
Aí mesmo o tempo voa
Eta que tava bonita
Aquela reunião
Cantoria e luz de vela
Todo o povo em comunhão
Mais eu tive um bom motivo
Pra gostá da ocasião
Foi naquela caminhada
Paixão de nosso senhor
Que mudei de veiz a vida
Em meio aquele louvor
A madame benzedeira
Demostrou-me seu amor
Ouve bem meu testemunho
Hoje além de bem casado
Não tenho medo de nada
Pois tenho corpo fechado
Carrego no meu pescoço
Patuá despindurado
Minha mulher quem cozeu
Então firmo nesse instante
Não há nada nesse mundo
Que seja mais importante
Que ser aquilo que sou
Católico praticante
Dispertô sintonizado
Meu radinho na estante
Num culto discursativo
De um bão pastor protestante
Meu coração foi tocado
Por tais palavra elegante
Era seis da madrugada
Saltei da cama ligeiro
Cocei as borda do saco
Corri mijá no banheiro
Vesti as calça e as bota
E emborlsei algum dinheiro
Antes de fazê meu rasto
Arredei pro galinheiro
Donde escolhi duas franga
Encomenda do terreiro
Duas penosa bem preta
Pro pai véio do pardieiro
Meti a carroça na estrada
Em direção da cidade
C’o impaciência danada
E muita felicidade
Pois compânho a procissão
Desde minha mocidade
Toda sexta-feira santa
Corro trecho inté a igreja
Tomado pelo jejum
Por mais duro que isso seja
Sou católico de fé
É assim que cristo deseja
A primeira das parada
Foi na venda do esperanto
Donde tasquei uma cachaça
Que num é causo de espanto
Pois não havera ser pecado
Se um golinho foi pro santo
Amuntando doutra vez
Me alembrei do que esqueci
Os trêis conto de São Jorge
Que eu sempre lhe ofereci
Faça tu a mesma coisa
Causo passar por ali
Quem diz que tudo já viu
Tinha que tê viajado
Comigo naquele dia
Pra vê o sujeito engraçado
Que na mesma direção
Redava meio apressado
Tinha a cabeça pelada
E dançava em veiz de andá
Cantava umas moda estranha
Cantigas doutro lugá
Histórias dum tal de Buda
Que havera de reencarná
Me deu madeira de cheiro
Rezou pela minha paz
Tocou um sino de bronze
Mostrou que era bão rapaz
Toquei chaquaio nas rédeas
Deixando o amigo pra trás
Ele inté me alembrava
O filho duma doutora
Que falava com os morto
Era deles protetora
E com a ajuda dos mesmo
Operou uma professora
Eu mesmo já prometi
Umas cabeça de alface
Pra dona tão caridosa
Que carrega o amor nas face
E aproveitá da arribada
Pra tomá dela um bão passe
Mais voltando pra história
A sexta-feira em questão
Oceis já ouvirô falá
Do tal livro do Corão
Pois foi mesmo um livro desse
Que chego nas minha mão
Já no mercado da vila
Meia hora de chegado
O velho vendedor turco
Me puxando pro seu lado
Todo cheio de alegria
Me fez dele presentiado
Fiquei muito gradicido
Proteção é sempre boa
Mas arribei rapidinho
Pois num tava ali a toa
E quando se ta com pressa
Aí mesmo o tempo voa
Eta que tava bonita
Aquela reunião
Cantoria e luz de vela
Todo o povo em comunhão
Mais eu tive um bom motivo
Pra gostá da ocasião
Foi naquela caminhada
Paixão de nosso senhor
Que mudei de veiz a vida
Em meio aquele louvor
A madame benzedeira
Demostrou-me seu amor
Ouve bem meu testemunho
Hoje além de bem casado
Não tenho medo de nada
Pois tenho corpo fechado
Carrego no meu pescoço
Patuá despindurado
Minha mulher quem cozeu
Então firmo nesse instante
Não há nada nesse mundo
Que seja mais importante
Que ser aquilo que sou
Católico praticante
quarta-feira, 11 de março de 2009
A SABEDORIA DO JECA brinca pra ve
Autor(a): APARECIDO DO NASCIMENTO
A SABEDORIA DO JECA
Dizem que o Jeca é matuto, isso eu não posso negar;
Sei que também é astuto: um “expert” no ensinar;
Na faculdade da vida o danado se formou;
Seu livro foi a enxada, que depressa assimilou.
Certa vez, num lugarejo bem distante da cidade,
Onde a tranqüilidade estava feliz a reinar;
Onde os belos passarinhos lá nas árvores da floresta,
Alegres fazendo festa, ao Jeca estavam a cantar;
E ele, com ar tristonho, pensando em sua amada,
Dedilha o pinho num sonho esta tão triste toada:
JECA – Quéro contá prá vancê nêstes vérso di amôr;
Exprimi o meu sofrê, i tôda a minha dôr;
Quar pedrêro da florésta traído pôr sua amada,
Cânto ésta móda funésta com minha vóis embargada [...]
Enquanto O Jeca canta, vai chegando um doutor,
Num terno de casimira; na lapela uma flor;
Com português donairoso, falado com muita graça,
Pensando que o caipira não sabe brindar a taça;
Vindo num tom enfático o aristocrata despeja
Vocabulário catedrático que causa até inveja;
Falando de música clássica, orquestrada e popular,
Querendo a sertaneja do caipira desdenhar.
DOUTOR - Prezado amigo do campo, quero agora te falar
De John Lennon, Paul Mc Cartney, George Harrison e Ringo Star,
Que juntos formam os “Beatles”, e ora estão a brilhar;
Garotos de Liverpool, cidade da Inglaterra,
Cantando o “yê, yê, yê”, dos “States” até Canberra,
Enlouquece os corações dos jovens de toda a terra.
Ouviste falar de Glenn Miller, Chopin, Verdi e Bethoven,
Dos quais os veros sábios, suas músicas eternais ouvem,
E com toda reverência: existe alguém que os louvem?
A linda “Amada Amante” do meu amigo Roberto?
A “Rita” e a “Banda” do Chico, que fazem sucesso por certo?
“Alegria, Alegria” do Caetano, amigo esperto?
O Jeca, que não é bobo, com seu jeito matreiro,
Lá no “Luar do Sertão”, fala de “Chico Mineiro”;
O almofadinha garboso o caipira tanto instiga,
Porém, logo se depara com um difícil enigma.
JECA – Seu môço diga agóra, si o sinhô fôr capaiz
Di um animar isquizito, qui em suma é veraiz;
Será qui as suas lêtra vai podê mi retorquí;
Quem é êle, seu doutô? Deixi o sabê fluí:
“Quar é o animar, qui di mânhã têm quatro pé; ao meio-dia dois pé i a noitinha, gerarmenti têm trêis pé?”
Vá matutando, seu doutô!
Vá matutando! [...]
O cidadão pensou tanto, mas não pode elucidar;
A sua massa encefálica parece que ia gretar;
O enigma era intrincado: dificílima resolução,
Que a soberba do moço bateu de cara no chão;
O caipira foi dizendo com jeito todo educado,
Não perdendo as estribeiras, e mandando seu recado.
JECA – Seu doutô, êsse animar, qui paréce tão isquizito,
As vêis si tórna horrendo, mêrmo sendo tão bonito;
Estôu falando do hóme, animar qui fala i pensa,
Criado a imagi di Deus, di importâncea inmensa.
Fiqui carminho, seu môço, num isquenti a cachóla:
A isplicação do segrêdo em segundo disenróla.
“O hóme quando é nenê, i coméça a ingatinhá “di mânhã” anda di quatro pé; na sua vida adurta no “meio-dia” quando o sór tá a pino, anda di dois pé; quando tá bem véinho “di noitinha” gerarmenti anda di trêis pé, porquê pricisa di uma bengala prá si apoiá”.
O grã-fino se acanhou perdendo o rebolado,
Pediu desculpas ao Jeca, bastante envergonhado,
Foi saindo de mansinho entrando no conversível,
Pois notara que o caipira estava no mesmo nível.
O Jeca pra se entreter pega novamente o pinho:
Sempre gosta de cantar quando se vê sozinho;
Entoa de toda sua alma uma singela canção,
Pensando em sua amada ele chora de emoção.
JECA – Aquéla qui eu amava tânto partiu sem dizê adeus;
Deixôu os meus óio em prânto; feriu os sentimento meus;
Voôu como a andorinha prá longi da minha vida;
Fiquei sózinho na linha da tristi istrada da vida.
Passando um certo tempo, surge uma linda boneca,
Com seu tênue corpinho, logo ela excita o Jeca;
Moça de uma beleza, que eu nunca vi igual,
Uma bela japonesa de sorriso jovial;
O caipira sorridente pegando logo a viola,
Com u’a moda amorosa ele entra de sola.
JECA – Japonêsa linda, dos óio castânho,
Seu oiá alégri não mi é istrânho;
Bôca pequeninha; lábio côr di rósa,
Do jardim do amôr, a flôr mais formósa;
Quéro mi inlaçá no seu côrpo delgado;
Quéro ser feliz sempri ao seu lado.
Replena de tanta lisonja, corada a jovem nissei
Chegou-se perto do Jeca com u’a certa timidez,
Sorrindo se apresentou dizendo ser a Rosinha,
Filha de pais japoneses: - uma pura caipirinha!
O Jeca todo animado declarou o seu amor
À bela florzinha do campo, cheia de esplendor.
JECA – Rósinha, ocê é prá mim, a flôr mais perfumada,
Qui surgiu no jardim da minha tristi istrada;
É mais béla qui o jasmim no alegrête incontrada;
É amôr qui num têm fim: minha béla i dôce amada.
Logo após alguns meses, os dois estavam casados,
O Jeca estava feliz, deixando a tristeza de lado;
Já não se lembrava mais de seu idílio querido,
Que muito o fez sofrer, desde que tinha partido.
Um dia, por coincidência, o matuto encontrou
Na estrada desta vida aquela que o magoou,
Quase que, de relance, sem sequer titubear,
O Jeca pega a viola e começa a cantar:
JECA – Quando ti perdi quasi eu morri di tanta tristêza;
A vida prá mim, um matírio sem fim perdeu a belêza;
Pôrém, um nôvo sór quar um tristi bemór si pôis a raiá;
Hôje tênho quem mi âma, num priciso mais da châma
Do amôr qui mi fêiz chorá.
A moça fala pro Jeca, que estava mui feliz,
Por ele ter encontrado o amor que sempre quis;
Desejando felicidades, para o ex-amor sorri,
Dando um aperto de mão, dizendo: - adeus, Tibagi!
A vida corria serena nesse pedaço de chão;
O Jeca deitado na rede com a viola na mão;
De repente, chega alguém, dizendo ser um gaúcho,
Começa a falar bonito, vestido de puro luxo.
GAÚCHO – Olá, amigo, Deus o salve! Quero me apresentar,
Sou filho da campanha, gosto muito de falar,
Chamo-me Lucas Arantes, venho lá de Jaguarão,
Desci da verde coxilha para pisar neste chão;
Deixei meu pingo supimpa preso à soga no pastinho,
Mas, não consegui prender: - Mercedita, meu benzinho!
“Criei com tanto amor uma linda “golondrina”;
Uma beleza em flor: - Que encanto de menina!
Prometi lhe dar o céu, ingrata ela recusou,
Destilando acre fel: - Foi-se com outro amor”.
GAÚCHO – Este descante eu trovei quando estava nos Pampas,
Onde o repasto é parco, mas se brinda na guampa;
Onde o minuano claro não arrefece o coração,
Mas, sopra com tepidez, inspirando-o de paixão.
O Jeca tentava falar ante o moço viandante,
Que trovava insistente seus alegres descantes,
Falando de sua prenda, a beleza da campanha,
Que nas águas do Uruguai o seu belo corpo banha.
O gaúcho orgulhoso de sua estirpe, feliz,
Com desdém olha pro Jeca, e sorrindo logo diz:
GAÚCHO – Amigo, “canela vermelha”, diga-me, se tu souberes,
Quais são “as duas velhice? 1 Te digo, não são rosicleres;
Aposto que tu não sabes, por isso vou te responder:
- Existe “a velhice do corpo”, 1 que os anos vêm roer;
“A outra é a da alma, que deixam as desilusões” 1
Torpecendo os sentidos debilitando as paixões.
Aguardando o ensejo para argüir o gaúcho,
O habilíssimo caipira, um autêntico machucho
Aplica u’a charada nesse moço insolente,
Que após muito falar emudece de repente.
JECA – Dois pai i dois fio viajava pelo sertão,
Quando já di noitinha chegarô numa pensão,
Pedirô uma pôusada prá pôde discansá,
E anssim di mânhãzinha começá a caminhá.
O dono dissi qui tinha um quarto dizocupado
Com trêis câma di sortêro prá os hóme cânsado;
Nôutro dia o hospedêro quando foi êles acordá,
Notôu qui as trêis câma pôde êles acomodá.
Diga agóra, seu môço, si pudé mi retorquí:
- Como pôdi êsses hóme nas trêis câma dormi?
1 (entre aspas) As duas velhice: O GAÚCHO de José de Alencar – página 11 – Editora Ática S.A.
O gaúcho, desconcertado, não conseguiu responder,
A charada do matuto era duro de roer;
O sertanejo com calma principiou a explicar,
E o confuso enigma começou a clarear.
JECA – Dois pai i dois fio são ocê, seu pai i seu vô;
Seu vô é pai di seu pai, seu pai é pai do sinhô;
O sinhô é fio di seu pai, i seu pai é fio di seu vô;
Em suma são trêis pessoa, i num quatro como pensô.
Reconhecendo a perspicácia do amigo “canela vermelha”
O gaúcho Lucas Arantes baixa a sua sobrancelha;
Dantes, só olhava do alto, do píncaro de sua altivez,
Querendo dar xeque-mate, qual no jogo de xadrez;
Admitindo a nobre lição, que o caipira lhe dera,
No âmago do tal gaúcho, um gesto húmile gera;
Despede-se do sertanejo, dando parabéns ao Jeca,
Montando o seu morzelo sai em busca da boneca.
O tempo ia passando naquele lugar parado,
Como num conto veloz sobre um cavalo alado,
O pégaso que sobrevoa a imaginação da gente,
Nos prados da utopia galopando realmente.
Tangendo seu velho pinho, O Jeca logo adormeceu:
“Seguindo o Mediterrâneo, chegando no mar Egeu;
De Creta segue à Esparta, de Esparta vai pra Atenas,
Como na guerra de Tróia, tudo por causa de Helena.
Nesse sonho helenístico, de tom áureo aristocrático,
Adentrando a bela Grécia, no período democrático,
Onde um velho filósofo forçava o povo pensar,
E assim com a própria vida, supérrimo preço pagar;
Sócrates era o seu nome, um simples questionador,
Que incomodava indoutos e até mesmo um doutor;
Velho médico das almas; um parteiro de idéias,
Com sua arte obstetra acabou numa assembléia;
E assim, sendo condenado, sem querer se retratar,
Por defender sua tese instigando o povo pensar.
Nesse ínterim, então, chega o nosso filósofo caipira,
Com sua arte cabocla, que até mesmo mestre admira.
Encontrando-se com Sócrates na bela praça ateniense,
Travam um gostoso diálogo, qual a valsa vienense”.
De repente, o Jeca acorda, e logo põe-se a pensar,
Realmente gostaria do diálogo continuar [...]
A SABEDORIA DO JECA
Dizem que o Jeca é matuto, isso eu não posso negar;
Sei que também é astuto: um “expert” no ensinar;
Na faculdade da vida o danado se formou;
Seu livro foi a enxada, que depressa assimilou.
Certa vez, num lugarejo bem distante da cidade,
Onde a tranqüilidade estava feliz a reinar;
Onde os belos passarinhos lá nas árvores da floresta,
Alegres fazendo festa, ao Jeca estavam a cantar;
E ele, com ar tristonho, pensando em sua amada,
Dedilha o pinho num sonho esta tão triste toada:
JECA – Quéro contá prá vancê nêstes vérso di amôr;
Exprimi o meu sofrê, i tôda a minha dôr;
Quar pedrêro da florésta traído pôr sua amada,
Cânto ésta móda funésta com minha vóis embargada [...]
Enquanto O Jeca canta, vai chegando um doutor,
Num terno de casimira; na lapela uma flor;
Com português donairoso, falado com muita graça,
Pensando que o caipira não sabe brindar a taça;
Vindo num tom enfático o aristocrata despeja
Vocabulário catedrático que causa até inveja;
Falando de música clássica, orquestrada e popular,
Querendo a sertaneja do caipira desdenhar.
DOUTOR - Prezado amigo do campo, quero agora te falar
De John Lennon, Paul Mc Cartney, George Harrison e Ringo Star,
Que juntos formam os “Beatles”, e ora estão a brilhar;
Garotos de Liverpool, cidade da Inglaterra,
Cantando o “yê, yê, yê”, dos “States” até Canberra,
Enlouquece os corações dos jovens de toda a terra.
Ouviste falar de Glenn Miller, Chopin, Verdi e Bethoven,
Dos quais os veros sábios, suas músicas eternais ouvem,
E com toda reverência: existe alguém que os louvem?
A linda “Amada Amante” do meu amigo Roberto?
A “Rita” e a “Banda” do Chico, que fazem sucesso por certo?
“Alegria, Alegria” do Caetano, amigo esperto?
O Jeca, que não é bobo, com seu jeito matreiro,
Lá no “Luar do Sertão”, fala de “Chico Mineiro”;
O almofadinha garboso o caipira tanto instiga,
Porém, logo se depara com um difícil enigma.
JECA – Seu môço diga agóra, si o sinhô fôr capaiz
Di um animar isquizito, qui em suma é veraiz;
Será qui as suas lêtra vai podê mi retorquí;
Quem é êle, seu doutô? Deixi o sabê fluí:
“Quar é o animar, qui di mânhã têm quatro pé; ao meio-dia dois pé i a noitinha, gerarmenti têm trêis pé?”
Vá matutando, seu doutô!
Vá matutando! [...]
O cidadão pensou tanto, mas não pode elucidar;
A sua massa encefálica parece que ia gretar;
O enigma era intrincado: dificílima resolução,
Que a soberba do moço bateu de cara no chão;
O caipira foi dizendo com jeito todo educado,
Não perdendo as estribeiras, e mandando seu recado.
JECA – Seu doutô, êsse animar, qui paréce tão isquizito,
As vêis si tórna horrendo, mêrmo sendo tão bonito;
Estôu falando do hóme, animar qui fala i pensa,
Criado a imagi di Deus, di importâncea inmensa.
Fiqui carminho, seu môço, num isquenti a cachóla:
A isplicação do segrêdo em segundo disenróla.
“O hóme quando é nenê, i coméça a ingatinhá “di mânhã” anda di quatro pé; na sua vida adurta no “meio-dia” quando o sór tá a pino, anda di dois pé; quando tá bem véinho “di noitinha” gerarmenti anda di trêis pé, porquê pricisa di uma bengala prá si apoiá”.
O grã-fino se acanhou perdendo o rebolado,
Pediu desculpas ao Jeca, bastante envergonhado,
Foi saindo de mansinho entrando no conversível,
Pois notara que o caipira estava no mesmo nível.
O Jeca pra se entreter pega novamente o pinho:
Sempre gosta de cantar quando se vê sozinho;
Entoa de toda sua alma uma singela canção,
Pensando em sua amada ele chora de emoção.
JECA – Aquéla qui eu amava tânto partiu sem dizê adeus;
Deixôu os meus óio em prânto; feriu os sentimento meus;
Voôu como a andorinha prá longi da minha vida;
Fiquei sózinho na linha da tristi istrada da vida.
Passando um certo tempo, surge uma linda boneca,
Com seu tênue corpinho, logo ela excita o Jeca;
Moça de uma beleza, que eu nunca vi igual,
Uma bela japonesa de sorriso jovial;
O caipira sorridente pegando logo a viola,
Com u’a moda amorosa ele entra de sola.
JECA – Japonêsa linda, dos óio castânho,
Seu oiá alégri não mi é istrânho;
Bôca pequeninha; lábio côr di rósa,
Do jardim do amôr, a flôr mais formósa;
Quéro mi inlaçá no seu côrpo delgado;
Quéro ser feliz sempri ao seu lado.
Replena de tanta lisonja, corada a jovem nissei
Chegou-se perto do Jeca com u’a certa timidez,
Sorrindo se apresentou dizendo ser a Rosinha,
Filha de pais japoneses: - uma pura caipirinha!
O Jeca todo animado declarou o seu amor
À bela florzinha do campo, cheia de esplendor.
JECA – Rósinha, ocê é prá mim, a flôr mais perfumada,
Qui surgiu no jardim da minha tristi istrada;
É mais béla qui o jasmim no alegrête incontrada;
É amôr qui num têm fim: minha béla i dôce amada.
Logo após alguns meses, os dois estavam casados,
O Jeca estava feliz, deixando a tristeza de lado;
Já não se lembrava mais de seu idílio querido,
Que muito o fez sofrer, desde que tinha partido.
Um dia, por coincidência, o matuto encontrou
Na estrada desta vida aquela que o magoou,
Quase que, de relance, sem sequer titubear,
O Jeca pega a viola e começa a cantar:
JECA – Quando ti perdi quasi eu morri di tanta tristêza;
A vida prá mim, um matírio sem fim perdeu a belêza;
Pôrém, um nôvo sór quar um tristi bemór si pôis a raiá;
Hôje tênho quem mi âma, num priciso mais da châma
Do amôr qui mi fêiz chorá.
A moça fala pro Jeca, que estava mui feliz,
Por ele ter encontrado o amor que sempre quis;
Desejando felicidades, para o ex-amor sorri,
Dando um aperto de mão, dizendo: - adeus, Tibagi!
A vida corria serena nesse pedaço de chão;
O Jeca deitado na rede com a viola na mão;
De repente, chega alguém, dizendo ser um gaúcho,
Começa a falar bonito, vestido de puro luxo.
GAÚCHO – Olá, amigo, Deus o salve! Quero me apresentar,
Sou filho da campanha, gosto muito de falar,
Chamo-me Lucas Arantes, venho lá de Jaguarão,
Desci da verde coxilha para pisar neste chão;
Deixei meu pingo supimpa preso à soga no pastinho,
Mas, não consegui prender: - Mercedita, meu benzinho!
“Criei com tanto amor uma linda “golondrina”;
Uma beleza em flor: - Que encanto de menina!
Prometi lhe dar o céu, ingrata ela recusou,
Destilando acre fel: - Foi-se com outro amor”.
GAÚCHO – Este descante eu trovei quando estava nos Pampas,
Onde o repasto é parco, mas se brinda na guampa;
Onde o minuano claro não arrefece o coração,
Mas, sopra com tepidez, inspirando-o de paixão.
O Jeca tentava falar ante o moço viandante,
Que trovava insistente seus alegres descantes,
Falando de sua prenda, a beleza da campanha,
Que nas águas do Uruguai o seu belo corpo banha.
O gaúcho orgulhoso de sua estirpe, feliz,
Com desdém olha pro Jeca, e sorrindo logo diz:
GAÚCHO – Amigo, “canela vermelha”, diga-me, se tu souberes,
Quais são “as duas velhice? 1 Te digo, não são rosicleres;
Aposto que tu não sabes, por isso vou te responder:
- Existe “a velhice do corpo”, 1 que os anos vêm roer;
“A outra é a da alma, que deixam as desilusões” 1
Torpecendo os sentidos debilitando as paixões.
Aguardando o ensejo para argüir o gaúcho,
O habilíssimo caipira, um autêntico machucho
Aplica u’a charada nesse moço insolente,
Que após muito falar emudece de repente.
JECA – Dois pai i dois fio viajava pelo sertão,
Quando já di noitinha chegarô numa pensão,
Pedirô uma pôusada prá pôde discansá,
E anssim di mânhãzinha começá a caminhá.
O dono dissi qui tinha um quarto dizocupado
Com trêis câma di sortêro prá os hóme cânsado;
Nôutro dia o hospedêro quando foi êles acordá,
Notôu qui as trêis câma pôde êles acomodá.
Diga agóra, seu môço, si pudé mi retorquí:
- Como pôdi êsses hóme nas trêis câma dormi?
1 (entre aspas) As duas velhice: O GAÚCHO de José de Alencar – página 11 – Editora Ática S.A.
O gaúcho, desconcertado, não conseguiu responder,
A charada do matuto era duro de roer;
O sertanejo com calma principiou a explicar,
E o confuso enigma começou a clarear.
JECA – Dois pai i dois fio são ocê, seu pai i seu vô;
Seu vô é pai di seu pai, seu pai é pai do sinhô;
O sinhô é fio di seu pai, i seu pai é fio di seu vô;
Em suma são trêis pessoa, i num quatro como pensô.
Reconhecendo a perspicácia do amigo “canela vermelha”
O gaúcho Lucas Arantes baixa a sua sobrancelha;
Dantes, só olhava do alto, do píncaro de sua altivez,
Querendo dar xeque-mate, qual no jogo de xadrez;
Admitindo a nobre lição, que o caipira lhe dera,
No âmago do tal gaúcho, um gesto húmile gera;
Despede-se do sertanejo, dando parabéns ao Jeca,
Montando o seu morzelo sai em busca da boneca.
O tempo ia passando naquele lugar parado,
Como num conto veloz sobre um cavalo alado,
O pégaso que sobrevoa a imaginação da gente,
Nos prados da utopia galopando realmente.
Tangendo seu velho pinho, O Jeca logo adormeceu:
“Seguindo o Mediterrâneo, chegando no mar Egeu;
De Creta segue à Esparta, de Esparta vai pra Atenas,
Como na guerra de Tróia, tudo por causa de Helena.
Nesse sonho helenístico, de tom áureo aristocrático,
Adentrando a bela Grécia, no período democrático,
Onde um velho filósofo forçava o povo pensar,
E assim com a própria vida, supérrimo preço pagar;
Sócrates era o seu nome, um simples questionador,
Que incomodava indoutos e até mesmo um doutor;
Velho médico das almas; um parteiro de idéias,
Com sua arte obstetra acabou numa assembléia;
E assim, sendo condenado, sem querer se retratar,
Por defender sua tese instigando o povo pensar.
Nesse ínterim, então, chega o nosso filósofo caipira,
Com sua arte cabocla, que até mesmo mestre admira.
Encontrando-se com Sócrates na bela praça ateniense,
Travam um gostoso diálogo, qual a valsa vienense”.
De repente, o Jeca acorda, e logo põe-se a pensar,
Realmente gostaria do diálogo continuar [...]
Quero sê rocêro
[Mena Moreira]
Se ocê acha que o povo da roça
É caipira, jeca, matuto
Num sabe o que tá dizeno
O povo da roça é isperto
É veiaco, é astuto!
Anda cum pé no chão
Sem ninhuma vaidade
Mas lava o pé e carça
Pra intrá lá na cidade.
A vassôra é feita cum mato
E cum a mamona faiz azeite
Na rôpa véia faiz remendo
Quarqué treco vira infeite.
Cum a cinza clareia os dente
Cum a cinza faiz o sabão
É só misturá cum torresmo
Ta pronta a cumbinação.
A páia que inrola o fumo
É a páia que faiz o cochão
É ela que faiz a peteca
É quela que acende o fugão.
O mio é guardado no paió
Dibuiado vai pro muim
Depois de muído e cuzido
No armoço é aquele anguzim.
A panela de ferro é usada
Pra no fugão de lenha cuzinhá
O fugão tamém é usado
Pra no frio a gente isquentá.
No arto, im cima do fugão
Toicim e lingüiça na fumaça
Pra acumpanhá o aperitivo
Que na roça é a cachaça.
O café é na cuzinha
Limpo e torrado
Passado no muim
Na hora de sê cuado.
Sexta-fêra, lenha no forno
Pra ele aquecê
É dia de fazê quitanda
Pra semana abastecê.
Bolo, pão, rosca e broa
Biscoito, rusquinha e bruinha
Pra acompanhá o café adoçado
Cum rapadura no pilão socadinha.
O doce é feito no tacho
Cum fruta, prá cumê
Lá na roça, ninguém faiz
Aquele tar que é pavê.
Na hora do banho de bica
Tuaia de saco pra secá
Passada cum ferro de braza
Que nóis deve assoprá.
A casinha é do lado de fora
Sem lamparina pra lumiá
Sem parede e teto ela permite
Que ocê admire o luá.
O povo gosta de um toque
Um toque bem animado
É só ouvi a sanfona
Que o rastapé tá cumeçado...
Na roça nóis num carece
De ter essa tar de invição
A pessoa num vale pro que trais no borso
Vale pro que trais no coração.
O povo num precisa de banco
Pra guardá nem um tustão
Pois o dinhero que tem
Guarda dentro do cochão.
Pra roça nóis vai de jipe
Saculejano sem pará
Se tem muito barro na istrada
Pra impurrá, nóis tem que apiá.
Se rocêro gosta de vida
Simpres, sem compricação
Eu prifiro sê rocêro
Sê da cidade eu num quero não
Se ocê acha que o povo da roça
É caipira, jeca, matuto
Num sabe o que tá dizeno
O povo da roça é isperto
É veiaco, é astuto!
Anda cum pé no chão
Sem ninhuma vaidade
Mas lava o pé e carça
Pra intrá lá na cidade.
A vassôra é feita cum mato
E cum a mamona faiz azeite
Na rôpa véia faiz remendo
Quarqué treco vira infeite.
Cum a cinza clareia os dente
Cum a cinza faiz o sabão
É só misturá cum torresmo
Ta pronta a cumbinação.
A páia que inrola o fumo
É a páia que faiz o cochão
É ela que faiz a peteca
É quela que acende o fugão.
O mio é guardado no paió
Dibuiado vai pro muim
Depois de muído e cuzido
No armoço é aquele anguzim.
A panela de ferro é usada
Pra no fugão de lenha cuzinhá
O fugão tamém é usado
Pra no frio a gente isquentá.
No arto, im cima do fugão
Toicim e lingüiça na fumaça
Pra acumpanhá o aperitivo
Que na roça é a cachaça.
O café é na cuzinha
Limpo e torrado
Passado no muim
Na hora de sê cuado.
Sexta-fêra, lenha no forno
Pra ele aquecê
É dia de fazê quitanda
Pra semana abastecê.
Bolo, pão, rosca e broa
Biscoito, rusquinha e bruinha
Pra acompanhá o café adoçado
Cum rapadura no pilão socadinha.
O doce é feito no tacho
Cum fruta, prá cumê
Lá na roça, ninguém faiz
Aquele tar que é pavê.
Na hora do banho de bica
Tuaia de saco pra secá
Passada cum ferro de braza
Que nóis deve assoprá.
A casinha é do lado de fora
Sem lamparina pra lumiá
Sem parede e teto ela permite
Que ocê admire o luá.
O povo gosta de um toque
Um toque bem animado
É só ouvi a sanfona
Que o rastapé tá cumeçado...
Na roça nóis num carece
De ter essa tar de invição
A pessoa num vale pro que trais no borso
Vale pro que trais no coração.
O povo num precisa de banco
Pra guardá nem um tustão
Pois o dinhero que tem
Guarda dentro do cochão.
Pra roça nóis vai de jipe
Saculejano sem pará
Se tem muito barro na istrada
Pra impurrá, nóis tem que apiá.
Se rocêro gosta de vida
Simpres, sem compricação
Eu prifiro sê rocêro
Sê da cidade eu num quero não
URTRAMAN JECA" curuis
Está é a história sobre um urtra, mas não um urtra qualquer, e sim sobre aquele que ajudou a forjar muitas das lendas sobre estes fantásticos guerreiros, você deve estar pensando ter matado a charada, deve ser o urtraman original ou o urtra-seven, ledo engano, pois nossa história não se refere a estes lendários e destemidos heróis, e sim a um membro da elite de M-78 que preferiu ficar aqui na terra carminho, só avisando seus irmãos quando perigo se aproximava.
Quem é este herói misterioso? Você deve estar perguntando, pois vou te responder, ou melhor, vou deixar ele se apresentar.
-Bãos dias gente, ieu sô o urtaman jeca, i vim aqui contar um causo. Oia gente eu já enfrentei muito bicho brabo: Mula-sem-cabeça seijin(essa deu um trabaião danado, eu domei a tinhosa, i hoje ela fica lá no sitio), o boitatá Seijin(qui trabaiera), o lobisomi seijin(esse ieu tive de corta na chibata), o Saci seijin(qui dispois fugiu de novo, i ieu prendi ele de novo), fora os otros bichos feio qui eu tive de pega na unha mermo, só qui essas histórias eu conto adispois, agora ieu vô conta conta como ieu enfrentei o mais safado, mais ordinário deles, perto dele os outros monstro é tudo santinho, anjinho de artar, esse e o causo di como ieu briguei com um tar de Bartan seijin.
O Causo do Urtraman Jeca e o Bartan
Naquele dia ieu tava sussegado pitano o meu cigarrinho de paia, quando di repente um troço isquisito, parecia que uma pedrona grandona tava caino perto da mata, dispois de uma baruleira danada, apareceu um bicho feio pra caramba, parecia um caranguejo gigante.
-Eita só-disse ieu -tava carecendo mermo di ieu brigá cum bicho diferente.
Foi ai qui ieu cumi um pão di queijo pra mode fica do tamanho do danado, e podê fervê no tapa cum ele. Adispois de engrandece, ieu vi qui ele fico meio atarantado das idéias.
-Onde está o ultraman? Disse ele.
- Eu atravessei todo o universo para enfrentá-lo, e não o encontro. Além disso, esse lugar não se parece com o descrito nas mensagens enviadas por meus antecessores, como é mesmo que eles mencionaram? Japão? É iso mesmo.
- Ô fiote de cruiz credo, o meu irmão, o urtraman num tá aqui não, intão ocê vai te di briga é cumigo mermo, o urtraman jeca, i vai parano de falação qui ieu quero acaba cum isso logo, purque aqui a genet deita cedo, vão logo feioso.
- Então você e irmão daquele maldito ultraman? Realmente você é igual às descrições feitas pelos meus antepassados, vai ser um bom treino para quando eu for enfrentar o verdadeiro ultraman.
Nisso o feioso partiu pra cima di ieu, com aquelas mãos isquisitas, quereno mi dirrubá. Logo ieu, macaco veio qui sô, vi qui ele não ia dar nem pro cafésinho, tratei di isquivá dele e lasquei um bicudo nas costas dele i falei:
- Rapais, i ieu achano qui briga cum ocê ia ce divertido, vem tenta me pega bichão. Disse ieu bateno a mão no peito.
Aquilo irritô o danado, qui veio tentando mi acerta di novo, dessa veiz ieu lasquei um socão na pança dele, i adispois outro, i mais outro, i dirrubei o infeliz cum uma rasteira, ele levanto i veio pra cima di ieu.
Caramba, esse bicho é forte por demais, ieu bato, bato, bato i ele não tonteia. Foi entaõ qui ieu alembrei qui tinha tomado um cadinho di pinga antes da luta (uns dois ô treis litro). - vô te di apela cum esse sujeitinho. Pensei ieu.
Quando ele chegou pertim di ieu di novo, não titubiei, lasquei um bafo de onça na cara dele, i num é qui deu certo? O danado ficô tontinho mais tão tonto qui parecia ter esvaziado um alambique, foi ai qui ieu fiz a posição de mata monstro e sapequei um raio naquele danado, não sobro nadica de nada do bichão, intão ieu pude vorta lá pro sitio ondi ieu moro pra podê avisa pros meus irmãos de M-78 qui ieu tinha mandado mais um pra terra dus pé junto. O meu irmão urtraman me falo qui era um bartan, i pergunto ce ele tinha dado muito trabaio.
- Qui nada irmão, esse não deu nem pra começa a diverti, rapidim, rapidim, ieu despachei ele.
Agora oceis mi dexa entra pra mode ieu pode entra i toca minha viola um poquinho antes di i discansá, qui já ta tarde, inté pessoar.
Acontecido...
Autor.: Ultrabutre
Quem é este herói misterioso? Você deve estar perguntando, pois vou te responder, ou melhor, vou deixar ele se apresentar.
-Bãos dias gente, ieu sô o urtaman jeca, i vim aqui contar um causo. Oia gente eu já enfrentei muito bicho brabo: Mula-sem-cabeça seijin(essa deu um trabaião danado, eu domei a tinhosa, i hoje ela fica lá no sitio), o boitatá Seijin(qui trabaiera), o lobisomi seijin(esse ieu tive de corta na chibata), o Saci seijin(qui dispois fugiu de novo, i ieu prendi ele de novo), fora os otros bichos feio qui eu tive de pega na unha mermo, só qui essas histórias eu conto adispois, agora ieu vô conta conta como ieu enfrentei o mais safado, mais ordinário deles, perto dele os outros monstro é tudo santinho, anjinho de artar, esse e o causo di como ieu briguei com um tar de Bartan seijin.
O Causo do Urtraman Jeca e o Bartan
Naquele dia ieu tava sussegado pitano o meu cigarrinho de paia, quando di repente um troço isquisito, parecia que uma pedrona grandona tava caino perto da mata, dispois de uma baruleira danada, apareceu um bicho feio pra caramba, parecia um caranguejo gigante.
-Eita só-disse ieu -tava carecendo mermo di ieu brigá cum bicho diferente.
Foi ai qui ieu cumi um pão di queijo pra mode fica do tamanho do danado, e podê fervê no tapa cum ele. Adispois de engrandece, ieu vi qui ele fico meio atarantado das idéias.
-Onde está o ultraman? Disse ele.
- Eu atravessei todo o universo para enfrentá-lo, e não o encontro. Além disso, esse lugar não se parece com o descrito nas mensagens enviadas por meus antecessores, como é mesmo que eles mencionaram? Japão? É iso mesmo.
- Ô fiote de cruiz credo, o meu irmão, o urtraman num tá aqui não, intão ocê vai te di briga é cumigo mermo, o urtraman jeca, i vai parano de falação qui ieu quero acaba cum isso logo, purque aqui a genet deita cedo, vão logo feioso.
- Então você e irmão daquele maldito ultraman? Realmente você é igual às descrições feitas pelos meus antepassados, vai ser um bom treino para quando eu for enfrentar o verdadeiro ultraman.
Nisso o feioso partiu pra cima di ieu, com aquelas mãos isquisitas, quereno mi dirrubá. Logo ieu, macaco veio qui sô, vi qui ele não ia dar nem pro cafésinho, tratei di isquivá dele e lasquei um bicudo nas costas dele i falei:
- Rapais, i ieu achano qui briga cum ocê ia ce divertido, vem tenta me pega bichão. Disse ieu bateno a mão no peito.
Aquilo irritô o danado, qui veio tentando mi acerta di novo, dessa veiz ieu lasquei um socão na pança dele, i adispois outro, i mais outro, i dirrubei o infeliz cum uma rasteira, ele levanto i veio pra cima di ieu.
Caramba, esse bicho é forte por demais, ieu bato, bato, bato i ele não tonteia. Foi entaõ qui ieu alembrei qui tinha tomado um cadinho di pinga antes da luta (uns dois ô treis litro). - vô te di apela cum esse sujeitinho. Pensei ieu.
Quando ele chegou pertim di ieu di novo, não titubiei, lasquei um bafo de onça na cara dele, i num é qui deu certo? O danado ficô tontinho mais tão tonto qui parecia ter esvaziado um alambique, foi ai qui ieu fiz a posição de mata monstro e sapequei um raio naquele danado, não sobro nadica de nada do bichão, intão ieu pude vorta lá pro sitio ondi ieu moro pra podê avisa pros meus irmãos de M-78 qui ieu tinha mandado mais um pra terra dus pé junto. O meu irmão urtraman me falo qui era um bartan, i pergunto ce ele tinha dado muito trabaio.
- Qui nada irmão, esse não deu nem pra começa a diverti, rapidim, rapidim, ieu despachei ele.
Agora oceis mi dexa entra pra mode ieu pode entra i toca minha viola um poquinho antes di i discansá, qui já ta tarde, inté pessoar.
Acontecido...
Autor.: Ultrabutre
terça-feira, 10 de março de 2009
TÃO PENSANO QUE NÓI É TROXA
[Angela Stefanelli & Iranimel
(Mariazinha & Rosinha) ]
MARIAZINHA
Rosinha de Deus ! Ocê querdita que fui no dotô Tiburço e ele veio me dizê que percisava tirá radio e fostosgrafia de minhas duas perna ?! Ieu falei que o rádio ieu inté que pudia imprestá prele, ma num tá drento de minhas perna , ma tirá fostosgrafia, não ! Dexei bem craro prele, que sô muié dereita e num me dô ao disfrute, ara ! Pois ocê querdita que ele chamô ieu de burra , inguinorante e ainda falô pra ieu percurá outro dotô, pru causo que a pacença dele tem limite ? Óia! Num saí dano tiro pra tudus lado , em respeito aos outro pissuar que tava lá , pensano que aquele incompetente ia curá arguma doença .
ROSINHA
Ocê fei bem , cumadi, fei munto bem di si adefendê dessi desgranhado; vai qui na hora de fostografá suas perna eli fotosgrafa otras coisa ? É mió num arriscá. Ieu já órvi falá queci dotô é munto dos safado mermo.
Ocê si alembra da Chica Piranha ?Aquela qui costumava ficá em riba dos gaio seco da perobera? Pui num é de vê que a cuitchada levô o maió dos tombu i acabô istraçaiando as costa ? I sabi que qui eli falô p'rela fazê quano ela foi si acunsurtá cueli? Mandô ela tirá a brusa! Óia só que discaramento. Além do mai, quano ele apercebeu que ela num quiria tirá a ropa, ele tomém xingô ela i dissi que ela tava era di frescura , móde que eli tinha idade pa sê o pai dela.
Mai ela retrucô tomém dizeno: "I quem disse qui ieu tiro a brusa na frente do pai "?
Só que percisa tomá cuidado cuesse dotô, i num compra briga não , móde que ieu órvi dizê que eli si exarta facer, e... teretetê... manda vê !
MARIAZINHA
Óia, cumadi! Ieu nunco vi tanto abuso de uma vez só ?! O negoço é que fui cunsurtá o dotô Rodopiano da Sirva, muito bem recomendado pelos cumpadi Julião e cumpadi Zé , e a princípo ele me pareceu um homi de respeito , num sabe?! No finar das conta ele mandô ieu percurá um tar di dotô Fisotrapeuta, ca discurpa que perciso fazê uns exerciço nas perna e nus pé ! ARA !! Ieu falei prele que num carece, pru causo que quano vô pra lida , ieu ando mai de 10 Km de pé e inda faço bastante exercíço cuns pé , cas perna e cuns braço , ma parece que ele num querditô! Insistiu que era perciso ieu percurá o tar de dotô! E agora que num sei o que faço, cumadi? É tanta da mardade nesse mundo de meu Deus , que o jeito é ieu í armada prus consurtório e quarqué disrespeito ieu prego fogo ?!
ROSINHA
Mai sem duvidamenti é isso mermu que a cumadi deve di fazê.
Óia cumadi, si essas coisa cuntece cunheu, cuitchado do assenvergonhado, móde que ieu mum mato, mai aléjo.
Sabe o que é bão pra afastá os mar pensamento dessis trivido? Antes di ir se acunsurtá, a gente passa prifume de gambá. . . pru causo que esse prefume dexa ua catinga de fedô de mar chero inseportaver! A cumade sabe que ieu malemá sei iscrivinhá, mai ninguém me fai de troxa não, móde que ieu sei munto bem a deferença que exésti entre virado de ovo e farósfia, pur isso que digo sempre que ieu risco cisco bilisco i dexo que a cumade pregue o fogo!
MARIAZINHA
A cumadi tá muito certa e ieu achei sua idéia mió di ótima , visse?! Ocê querdita que ieu cabei ino consurtá o tar di dotô Fisotrapeuta e ele foi logo tumano a liberdade de pidi pra ieu deitá na pusição di cubo dorsar?! De cubo num intendo nadica, ma que história é essa de mandá ieu me deitá no dorsar?! Ieu, heim! Nem isperei ele ixpricá coisa ninhuma e quano peguei minha ispingarda cumpanhera, ele correu mai que o tar di Chumbim Pédichinelo, num sabe?! Onde já se viu mexê cuma muié dereita que nem ieu, cumadi?! Si nunco fomo troxa, num há di sê agora ?!
Óia! Ocê qué sabê de uma coisa ?! Pra mim chega dessas história de dotô, pru causo que nóis aqui na roça sempre curemu nossas doença com os chá do mato e cum as reza de Juana Benzedera do Arraiá do Deus mi Livre . Esses dotô só serve mermo é pras madame que acha tudo muito naturar e muderno, ma qui num passa dumas disavergonhada, ARA !
fonte http://zedaroca.fateback.com/
(Mariazinha & Rosinha) ]
MARIAZINHA
Rosinha de Deus ! Ocê querdita que fui no dotô Tiburço e ele veio me dizê que percisava tirá radio e fostosgrafia de minhas duas perna ?! Ieu falei que o rádio ieu inté que pudia imprestá prele, ma num tá drento de minhas perna , ma tirá fostosgrafia, não ! Dexei bem craro prele, que sô muié dereita e num me dô ao disfrute, ara ! Pois ocê querdita que ele chamô ieu de burra , inguinorante e ainda falô pra ieu percurá outro dotô, pru causo que a pacença dele tem limite ? Óia! Num saí dano tiro pra tudus lado , em respeito aos outro pissuar que tava lá , pensano que aquele incompetente ia curá arguma doença .
ROSINHA
Ocê fei bem , cumadi, fei munto bem di si adefendê dessi desgranhado; vai qui na hora de fostografá suas perna eli fotosgrafa otras coisa ? É mió num arriscá. Ieu já órvi falá queci dotô é munto dos safado mermo.
Ocê si alembra da Chica Piranha ?Aquela qui costumava ficá em riba dos gaio seco da perobera? Pui num é de vê que a cuitchada levô o maió dos tombu i acabô istraçaiando as costa ? I sabi que qui eli falô p'rela fazê quano ela foi si acunsurtá cueli? Mandô ela tirá a brusa! Óia só que discaramento. Além do mai, quano ele apercebeu que ela num quiria tirá a ropa, ele tomém xingô ela i dissi que ela tava era di frescura , móde que eli tinha idade pa sê o pai dela.
Mai ela retrucô tomém dizeno: "I quem disse qui ieu tiro a brusa na frente do pai "?
Só que percisa tomá cuidado cuesse dotô, i num compra briga não , móde que ieu órvi dizê que eli si exarta facer, e... teretetê... manda vê !
MARIAZINHA
Óia, cumadi! Ieu nunco vi tanto abuso de uma vez só ?! O negoço é que fui cunsurtá o dotô Rodopiano da Sirva, muito bem recomendado pelos cumpadi Julião e cumpadi Zé , e a princípo ele me pareceu um homi de respeito , num sabe?! No finar das conta ele mandô ieu percurá um tar di dotô Fisotrapeuta, ca discurpa que perciso fazê uns exerciço nas perna e nus pé ! ARA !! Ieu falei prele que num carece, pru causo que quano vô pra lida , ieu ando mai de 10 Km de pé e inda faço bastante exercíço cuns pé , cas perna e cuns braço , ma parece que ele num querditô! Insistiu que era perciso ieu percurá o tar de dotô! E agora que num sei o que faço, cumadi? É tanta da mardade nesse mundo de meu Deus , que o jeito é ieu í armada prus consurtório e quarqué disrespeito ieu prego fogo ?!
ROSINHA
Mai sem duvidamenti é isso mermu que a cumadi deve di fazê.
Óia cumadi, si essas coisa cuntece cunheu, cuitchado do assenvergonhado, móde que ieu mum mato, mai aléjo.
Sabe o que é bão pra afastá os mar pensamento dessis trivido? Antes di ir se acunsurtá, a gente passa prifume de gambá. . . pru causo que esse prefume dexa ua catinga de fedô de mar chero inseportaver! A cumade sabe que ieu malemá sei iscrivinhá, mai ninguém me fai de troxa não, móde que ieu sei munto bem a deferença que exésti entre virado de ovo e farósfia, pur isso que digo sempre que ieu risco cisco bilisco i dexo que a cumade pregue o fogo!
MARIAZINHA
A cumadi tá muito certa e ieu achei sua idéia mió di ótima , visse?! Ocê querdita que ieu cabei ino consurtá o tar di dotô Fisotrapeuta e ele foi logo tumano a liberdade de pidi pra ieu deitá na pusição di cubo dorsar?! De cubo num intendo nadica, ma que história é essa de mandá ieu me deitá no dorsar?! Ieu, heim! Nem isperei ele ixpricá coisa ninhuma e quano peguei minha ispingarda cumpanhera, ele correu mai que o tar di Chumbim Pédichinelo, num sabe?! Onde já se viu mexê cuma muié dereita que nem ieu, cumadi?! Si nunco fomo troxa, num há di sê agora ?!
Óia! Ocê qué sabê de uma coisa ?! Pra mim chega dessas história de dotô, pru causo que nóis aqui na roça sempre curemu nossas doença com os chá do mato e cum as reza de Juana Benzedera do Arraiá do Deus mi Livre . Esses dotô só serve mermo é pras madame que acha tudo muito naturar e muderno, ma qui num passa dumas disavergonhada, ARA !
fonte http://zedaroca.fateback.com/
U SUJEITIM CERTU PROCÊ !...
[J.Carlos e Angela]
Zé da Roça :
Cumadi! Vim inté vosmicê dá um recadu de um amigo qui tá gostandu de sua pessoa, mai é muito acanhadu e num tem corage de falá cum ocê. Ele é um bão sujeitu mai tem um apelido meio istranhu que colocaru nele nem si pruque. É um tar de pé de mesa!
Mariazinha:
Vixe! O pobre devi di tá muito invergonhado, pur causu du apelido qui butaru nele, coitado! Mas afinar, o qui cumpadi tá isperanu pra mi presentá esse homi?!?! Agora fiquei curiosa!
Zé da roça:
Oia cumade! Ele mora lá prás banda do arraiá dos Deus me Livre,parece que tem umas terrinha e argumas vaca leitera . Mai já mi dissero que ele num consegue arrumá namorada arguma por causa do apelido dele. Num sei se é pur causa do pé dele ou pur causa de otra coisa.
Mariazinha:
Como que podi um homi tão trabaiadô, qui num consegue disincaiá?! Mais isquisito é este apelido! De premero eu pensava que ele cunsertava as mesa, mas agora ocê tá dizeno que ele cria vaca leitera! Pronto! Agora é qui mi cumpriquei tudinha!
Zé da roça:
Otra coisa que a cumadi devia sabê é que o tar de pé de mesa num é chegado a tomá banho e o tar dorme du jeitim que alevanta . Trabaia o dia todim de sor a sor e nada! Parece que só toma banho nu ano novo.
Mariazinha:
Credo im cruz! Entonces tá ixpricado! Que muié vai querê um homi cheranu a carniça podre? Nem qui ele tivesse tudu dinhero desse mundo! Se ele inda tumasse banho, pelo meno a cada quinze dia, dava prá intendê, mas só no ano novo é brabo pur dimais, né não?
Zé da roça:
Oia, cumadi, ocê imagina o chero que esse home tem?! Inté urubu mora no teiado da casa dele. Mai como ele é amigo meu, ieu num vô fazê fofoca. Só tô avisano ocê, pruque eu num gosto de vê as surpresa disagradavi na cara das pessoa.
Mariazinha:
Ara! Eu sei que cumpadi nunca foi chegado as fofoca e só cumenta os causu qui cuntece, modi alerta us amigo! Mas sabe qui tô discunfiada qui esse homi sofre di uma doença, qui os pissuar de cidade grandi chama di hisdrosforbia?! Acho qui o nome é esse memo. É medo de água! Quem sabe se nós jogasse uns barde d’ água em cima dele, esse medo acabava? Si arguém num tentá fazê isso, nem os arubu e nem as pobre das vaquinha leitera vai guentá essa criatura di meu Deus!
Zé da roça:
Vê o que ocê pode fazê pelo infeliz,pruque ele mi deu deiz reais modi eu vim dá esse recado procê . Mai se ocê mi dá vinte eu vô lá e digo que num ti vi .
Mariazinha:
Oi, cumpadi! Do jeito qui homi tá dificir, si as muierada aqui da roça inda num quis esse tar di pé de mesa é pur causo qui ele é um bom atraso de vida! Intonces eu tava pensano em pagá os 20 reaus, modi ocê dizê qui eu murri ou mudei da roça! Dispôs, si ele perdê o medo di água e si arrisorvê a tumá uns bãizim viz em quando, eu pago 30 reaus, modi cumpadi disminti tudim e trazê essa cumpricação modi nóis si cunhecê, num sabe?!
Zé da roça
Mai podi ficá sussêgada , que cum esse 100 reaus que vosmicê vai mi dá eu do inté bejo na boca desse tarzinho de pé di mesa,e posso tamém dá um banho nele prá mô da cumadi tomá corage e dá um dedim de prosa cum ele e quem sabe vosmicê disincaia de véiz ,né mermo ?
Mariazinha:
Êitcha! Ma ieu disse que pagava 50 reaus pelo sirviço compreto e cumpadi tá mi cobrano o dobro?! ARA!!
Óia! Tô achano mió dexá o dito pelo num dito e cum esse dinhero eu compro uma passage di vião, modi avuá pra muito longe da roça! Enquanto isto, o tar di pé di mesa prucura outra paiaça, né memo?
Cumadi Rosinha, inté mi cuntô notro dia, qui nus tar di vião us pissuá estranha as chiqueza qui nóis si veste, mas é tudo inveja! Ela disse tomém, qui nesses vião tem cada gato, qui só veno! Mió ainda! Tudus eles devi di tomá banho tudus dia, pur causu que é muito dus imprifumadu!
fonte http://zedaroca.fateback.com/
Zé da Roça :
Cumadi! Vim inté vosmicê dá um recadu de um amigo qui tá gostandu de sua pessoa, mai é muito acanhadu e num tem corage de falá cum ocê. Ele é um bão sujeitu mai tem um apelido meio istranhu que colocaru nele nem si pruque. É um tar de pé de mesa!
Mariazinha:
Vixe! O pobre devi di tá muito invergonhado, pur causu du apelido qui butaru nele, coitado! Mas afinar, o qui cumpadi tá isperanu pra mi presentá esse homi?!?! Agora fiquei curiosa!
Zé da roça:
Oia cumade! Ele mora lá prás banda do arraiá dos Deus me Livre,parece que tem umas terrinha e argumas vaca leitera . Mai já mi dissero que ele num consegue arrumá namorada arguma por causa do apelido dele. Num sei se é pur causa do pé dele ou pur causa de otra coisa.
Mariazinha:
Como que podi um homi tão trabaiadô, qui num consegue disincaiá?! Mais isquisito é este apelido! De premero eu pensava que ele cunsertava as mesa, mas agora ocê tá dizeno que ele cria vaca leitera! Pronto! Agora é qui mi cumpriquei tudinha!
Zé da roça:
Otra coisa que a cumadi devia sabê é que o tar de pé de mesa num é chegado a tomá banho e o tar dorme du jeitim que alevanta . Trabaia o dia todim de sor a sor e nada! Parece que só toma banho nu ano novo.
Mariazinha:
Credo im cruz! Entonces tá ixpricado! Que muié vai querê um homi cheranu a carniça podre? Nem qui ele tivesse tudu dinhero desse mundo! Se ele inda tumasse banho, pelo meno a cada quinze dia, dava prá intendê, mas só no ano novo é brabo pur dimais, né não?
Zé da roça:
Oia, cumadi, ocê imagina o chero que esse home tem?! Inté urubu mora no teiado da casa dele. Mai como ele é amigo meu, ieu num vô fazê fofoca. Só tô avisano ocê, pruque eu num gosto de vê as surpresa disagradavi na cara das pessoa.
Mariazinha:
Ara! Eu sei que cumpadi nunca foi chegado as fofoca e só cumenta os causu qui cuntece, modi alerta us amigo! Mas sabe qui tô discunfiada qui esse homi sofre di uma doença, qui os pissuar de cidade grandi chama di hisdrosforbia?! Acho qui o nome é esse memo. É medo de água! Quem sabe se nós jogasse uns barde d’ água em cima dele, esse medo acabava? Si arguém num tentá fazê isso, nem os arubu e nem as pobre das vaquinha leitera vai guentá essa criatura di meu Deus!
Zé da roça:
Vê o que ocê pode fazê pelo infeliz,pruque ele mi deu deiz reais modi eu vim dá esse recado procê . Mai se ocê mi dá vinte eu vô lá e digo que num ti vi .
Mariazinha:
Oi, cumpadi! Do jeito qui homi tá dificir, si as muierada aqui da roça inda num quis esse tar di pé de mesa é pur causo qui ele é um bom atraso de vida! Intonces eu tava pensano em pagá os 20 reaus, modi ocê dizê qui eu murri ou mudei da roça! Dispôs, si ele perdê o medo di água e si arrisorvê a tumá uns bãizim viz em quando, eu pago 30 reaus, modi cumpadi disminti tudim e trazê essa cumpricação modi nóis si cunhecê, num sabe?!
Zé da roça
Mai podi ficá sussêgada , que cum esse 100 reaus que vosmicê vai mi dá eu do inté bejo na boca desse tarzinho de pé di mesa,e posso tamém dá um banho nele prá mô da cumadi tomá corage e dá um dedim de prosa cum ele e quem sabe vosmicê disincaia de véiz ,né mermo ?
Mariazinha:
Êitcha! Ma ieu disse que pagava 50 reaus pelo sirviço compreto e cumpadi tá mi cobrano o dobro?! ARA!!
Óia! Tô achano mió dexá o dito pelo num dito e cum esse dinhero eu compro uma passage di vião, modi avuá pra muito longe da roça! Enquanto isto, o tar di pé di mesa prucura outra paiaça, né memo?
Cumadi Rosinha, inté mi cuntô notro dia, qui nus tar di vião us pissuá estranha as chiqueza qui nóis si veste, mas é tudo inveja! Ela disse tomém, qui nesses vião tem cada gato, qui só veno! Mió ainda! Tudus eles devi di tomá banho tudus dia, pur causu que é muito dus imprifumadu!
fonte http://zedaroca.fateback.com/
segunda-feira, 9 de março de 2009
Refogadim à Mineira
Receita cazêra: Môi de Repôi nu ái e ói
Gridienti:
5 denti di ái
3 cuié di ói
1 cabessa de repôi
1 cuié di mastomati
sár agosto
Modi di fazê:
Casca o ói, pica i soca o ái cum sá, quenta o ói na cassarola, foga o ái socado no ói quenti; pica o repôi beeemmm finim; foga o repôi no ói quenti junto cum u ái fogado; pôi a mastomati i mexi cum a cuié prá fazê o môi.
Sirva cum arrôis, melete e covi.
ESSI TREM È BOM DIMAZZZ DA CONTA, SÔ!
Gridienti:
5 denti di ái
3 cuié di ói
1 cabessa de repôi
1 cuié di mastomati
sár agosto
Modi di fazê:
Casca o ói, pica i soca o ái cum sá, quenta o ói na cassarola, foga o ái socado no ói quenti; pica o repôi beeemmm finim; foga o repôi no ói quenti junto cum u ái fogado; pôi a mastomati i mexi cum a cuié prá fazê o môi.
Sirva cum arrôis, melete e covi.
ESSI TREM È BOM DIMAZZZ DA CONTA, SÔ!
os trem bunito noooooooosinhora
Amanhecê no sertão
É um presenti di Deus,
Mi curvu im adoração
Gradicenu us dia meus.
(Da série de trovas caipiras nº II)
Hull de La Fuente
****
A genti si cumunica
cum u Rei da Criação
só de oiá a terra rica:
belezura de sertão!
Ellen Veloso Soares
****
Falô ni sertão é cumigo
Diço eu gosto de falá
Das coiza de Deus eu digo
Pra todo mundo iscuitá.
No sertão tem arvorada
E é bunito o amanhecê
O cantá da paçarada
Deus fêiz só pra gente vê.
Airam Ribeiro
****
"Quându o sór já vêim chegânu,
Fazênu a passaráda acordá
Meu amô vai mi abraçânu
I num dêxa di mi bejá...."
WRAMOSS
****
Eu naçí foi num sertão
Pelas mão duma partêra
C'uns paçarím só cantãno
E cum o baruio da cachuêra.
Minha mãe mi levô um dia
P'uma muié benzedêra
Eu táva xorâno bem árto
Num gostáva da istêra.
A muié olhô e deu um grito
Falô: Íço paréce um cabrito
Vái berrá a vida intêra!
Pedrinho Goltara
****
É um presenti di Deus,
Mi curvu im adoração
Gradicenu us dia meus.
(Da série de trovas caipiras nº II)
Hull de La Fuente
****
A genti si cumunica
cum u Rei da Criação
só de oiá a terra rica:
belezura de sertão!
Ellen Veloso Soares
****
Falô ni sertão é cumigo
Diço eu gosto de falá
Das coiza de Deus eu digo
Pra todo mundo iscuitá.
No sertão tem arvorada
E é bunito o amanhecê
O cantá da paçarada
Deus fêiz só pra gente vê.
Airam Ribeiro
****
"Quându o sór já vêim chegânu,
Fazênu a passaráda acordá
Meu amô vai mi abraçânu
I num dêxa di mi bejá...."
WRAMOSS
****
Eu naçí foi num sertão
Pelas mão duma partêra
C'uns paçarím só cantãno
E cum o baruio da cachuêra.
Minha mãe mi levô um dia
P'uma muié benzedêra
Eu táva xorâno bem árto
Num gostáva da istêra.
A muié olhô e deu um grito
Falô: Íço paréce um cabrito
Vái berrá a vida intêra!
Pedrinho Goltara
****
aaaaaaaaaa casamentin difici sôooooooo so jesuis na causa
[agnaldo alves pereira] ieu mesmo
Namóro uma menina
tô namorano prá casá,
mais só qui a danadinha
num qué i comigo pru artar.
Pidi pra Santo Antonho
prum jeitinho ele dá,
u santim nu deu jeito
apelei pru saravá.
Procurei um Pai Di Santo
pru problema arresorve,
nen ele num deu jeito
u qui é qui ieu vô fazê?
Percurei um raízero
prum chazinho mi insiná,
raízero disse:
- Filho cum chazinho nun vai dá!
Fui na benzedera
prum consei ela mi dá,
u consei qui ela deu
foi pra otra arrumá
Risurvi fazê mandinga
pra coisa amiorá,
meia noiti na capela
cum Jesuis fui cunversá.
Ele disse:
-Fica tranquilo
qui um jeitinho ei di dá
é só cê i pra casa
i mim cê confiá.
Notro dia bem cedinho
a minina tava lá,
num foi nen preciso
eu a ela percurá.
Já foi logo dizeno
qui aceita nóis casá,
i data du casamento
tinha presa di marcá.
Por isso é qui digo
não adianta precipitá,
Jesuis faiz as coisa certa
é só nele confiá!
Namóro uma menina
tô namorano prá casá,
mais só qui a danadinha
num qué i comigo pru artar.
Pidi pra Santo Antonho
prum jeitinho ele dá,
u santim nu deu jeito
apelei pru saravá.
Procurei um Pai Di Santo
pru problema arresorve,
nen ele num deu jeito
u qui é qui ieu vô fazê?
Percurei um raízero
prum chazinho mi insiná,
raízero disse:
- Filho cum chazinho nun vai dá!
Fui na benzedera
prum consei ela mi dá,
u consei qui ela deu
foi pra otra arrumá
Risurvi fazê mandinga
pra coisa amiorá,
meia noiti na capela
cum Jesuis fui cunversá.
Ele disse:
-Fica tranquilo
qui um jeitinho ei di dá
é só cê i pra casa
i mim cê confiá.
Notro dia bem cedinho
a minina tava lá,
num foi nen preciso
eu a ela percurá.
Já foi logo dizeno
qui aceita nóis casá,
i data du casamento
tinha presa di marcá.
Por isso é qui digo
não adianta precipitá,
Jesuis faiz as coisa certa
é só nele confiá!
domingo, 8 de março de 2009
muie veia namora
É divera, companheiro,
agora vou te falá
o que é macumba – fumba
-é mafundará.
O que é que significa
mulhé velha namorá.
Mulhé velha se namora.
com atenção de se casá
bota fumo no cachimbo
solta fumaça pru ar.
Sou menino pequitito,
não morro sem batizá.
É peta, colega é peta,
é peta ocê pelejá.
É divera, companheiro,
eu também quero falá.
Já vi um bago de mio,
dá três quarta de fubá.
Também já vi um carneiro
depois de morto berrá.
É divera companheiro,
bonito vou lhe falá
Quero que você me conta,
quem ensinou Deus a rezá.
Quem ensinou Deus a rezá
foi livro de rezaria.
Começou no Padre-Nosso,
terminou na Ave-Maria.
agora vou te falá
o que é macumba – fumba
-é mafundará.
O que é que significa
mulhé velha namorá.
Mulhé velha se namora.
com atenção de se casá
bota fumo no cachimbo
solta fumaça pru ar.
Sou menino pequitito,
não morro sem batizá.
É peta, colega é peta,
é peta ocê pelejá.
É divera, companheiro,
eu também quero falá.
Já vi um bago de mio,
dá três quarta de fubá.
Também já vi um carneiro
depois de morto berrá.
É divera companheiro,
bonito vou lhe falá
Quero que você me conta,
quem ensinou Deus a rezá.
Quem ensinou Deus a rezá
foi livro de rezaria.
Começou no Padre-Nosso,
terminou na Ave-Maria.
tarveiz ce seja u primero a credita ni eu
[agnaldo alves pereira] ieu mesmo
Sempre gostei muito de pesca, porisso resorvi mudá pruma cidadinha du interio ondi passava um corgin, praticamenti dentro da vilinha, ondi tinha muito pexe. Só tinha um problema, niguém pescava lá divido a grandi quantidadi di musquito que habitava suas marge, pensei cumigo;
-Ieu vô lá na capitali compra uma ropa di matoquero, quero vê si aquele bichim mi pica! E assim fiz, nu sábado fui ieu pra bera du riiiiiii pescá, sê num aaaaa di vê qui mesmo cum a ropa tudo di coro uns bichim ainda picava, agenti não tinha cundição di fica na bera du riiiii, tentei pur várias vezes i não tinha jeito, pensei:
-Vô discubri aondi tá u foco desses musquito i vô ilimina u mar pela raiz, rumei um buneco visti ele cum aquela ropa di motoquero i coloquei na berada du riiiiiiiii, fiquei vigiano, cumecei sigui u trageto qui eles fazia, eles tava vino di dentro dum ranchim qui morava um matuto qui era famoso divido a grandi quantidade di café quiele bibia, lá tinha um fugãozim caipira qui ficava asseso 24 hora pur dia com um buli im riba da sua chapa, pra conserva u café quentim ,purque e dessa forma qui si conserva café quenti na roça, daí discubri purque uns musquitu tinha tanta potença pra furá inte ropa di coro, cê num a dive qui us bichim isquentava u ferão na brasa inté vermeiá curria na genti i picava. Num creditei nu qui meus zói tava veno, u gosado qui ieu conto essa história i niguém credita, será pruque né sôooooooooooo!!!!!!!!!!!
Sempre gostei muito de pesca, porisso resorvi mudá pruma cidadinha du interio ondi passava um corgin, praticamenti dentro da vilinha, ondi tinha muito pexe. Só tinha um problema, niguém pescava lá divido a grandi quantidadi di musquito que habitava suas marge, pensei cumigo;
-Ieu vô lá na capitali compra uma ropa di matoquero, quero vê si aquele bichim mi pica! E assim fiz, nu sábado fui ieu pra bera du riiiiiii pescá, sê num aaaaa di vê qui mesmo cum a ropa tudo di coro uns bichim ainda picava, agenti não tinha cundição di fica na bera du riiiii, tentei pur várias vezes i não tinha jeito, pensei:
-Vô discubri aondi tá u foco desses musquito i vô ilimina u mar pela raiz, rumei um buneco visti ele cum aquela ropa di motoquero i coloquei na berada du riiiiiiiii, fiquei vigiano, cumecei sigui u trageto qui eles fazia, eles tava vino di dentro dum ranchim qui morava um matuto qui era famoso divido a grandi quantidade di café quiele bibia, lá tinha um fugãozim caipira qui ficava asseso 24 hora pur dia com um buli im riba da sua chapa, pra conserva u café quentim ,purque e dessa forma qui si conserva café quenti na roça, daí discubri purque uns musquitu tinha tanta potença pra furá inte ropa di coro, cê num a dive qui us bichim isquentava u ferão na brasa inté vermeiá curria na genti i picava. Num creditei nu qui meus zói tava veno, u gosado qui ieu conto essa história i niguém credita, será pruque né sôooooooooooo!!!!!!!!!!!
singela homenage a minha terra
[agnaldo alves pereira] ieu mesmo
U lugar ondi nasci
é um lugar especial,
tem montanhas e riachos
e um relevo escultural.
Tem a praça da matriz
com beleza sem igual,
ondi a noiti si encontram
uns mais belos casais.
Suas ruas tem mais vida
suas praças tem mais cor,
i nos olhos das pessoas
voçê vê qui há amor.
Nus seus pés di larangeiras
inda canta u sabiá,
ele canta di alegria
du lugar ondi ele está.
Ainda si faz serenata
numa noiti di luar,
pras mais belas namoradas
qui existi nu lugar.
Meus momentos di alegria
quase todos passei lá,
meus momentos di trizteza
é quando pego a relebrá.
Di tudo qui alí dexei
pra na cidade grandi morá,
mas breve estarei di volta
i a felicidade ei encontrá
Este lugar é goianésia
nu estado di goiás,
minha terra minha vida
qui não esqueço jamais!
U lugar ondi nasci
é um lugar especial,
tem montanhas e riachos
e um relevo escultural.
Tem a praça da matriz
com beleza sem igual,
ondi a noiti si encontram
uns mais belos casais.
Suas ruas tem mais vida
suas praças tem mais cor,
i nos olhos das pessoas
voçê vê qui há amor.
Nus seus pés di larangeiras
inda canta u sabiá,
ele canta di alegria
du lugar ondi ele está.
Ainda si faz serenata
numa noiti di luar,
pras mais belas namoradas
qui existi nu lugar.
Meus momentos di alegria
quase todos passei lá,
meus momentos di trizteza
é quando pego a relebrá.
Di tudo qui alí dexei
pra na cidade grandi morá,
mas breve estarei di volta
i a felicidade ei encontrá
Este lugar é goianésia
nu estado di goiás,
minha terra minha vida
qui não esqueço jamais!
sábado, 7 de março de 2009
ARGUMAS TROVINHAS QUI IEU ESCREVI
[AGNALDO ALVES PEREIRA] IEU MESMO
ÔOOOOOOO MININA VEM COMIGO
PRA DI TRAIZ DA LARANGEIRA,
IEU QUERO TI DÁ UM BEIJO
CÊ NEM PRICISA SE SORTERA.
-------------------------------------------------------------
QUERIA CÊ UM PASSARIM
I QUI SUBESSE VUÁ,
CURRIRIA U MUNDO INTERO
SÓ PRAS GUERRA ACABÁ.
-------------------------------------------------------------
CHOVE CHUVA NU TERRERO
CHOVE CHUVA SEM PARAR,
ÔOO MORENA VEM COMIGO
PRA DIBAXO DU POMAR.
---------------------------------------------------------------
MORENINHA CÊ NUM SABE
U QUI É AMO,
POR ISSO VÔ TI INSINÁ
LHE ENVIANDO ESSA FLO.
---------------------------------------------------------------
A ROSA NU JARDIM
U CRAVO AO LADO DELA,
I OÇÊ MEU AMOZIM
É A MINHA CINDARELA.
--------------------------------------------------------------
NA BIQUINHA DA GROTINHA
IEU VI OÇÊ PASSÁ,
PARICIA UMA ISTRELA
NUMA NOITE DI LUAR.
--------------------------------------------------------------
ESSA NOITI IEU TIVE UM SONHO
MI DEU PENA DI ACORDÁ,
OÇÊ VISTIDA DI NOIVA
IEU ESPRANO NO ARTAR.
ÔOOOOOOO MININA VEM COMIGO
PRA DI TRAIZ DA LARANGEIRA,
IEU QUERO TI DÁ UM BEIJO
CÊ NEM PRICISA SE SORTERA.
-------------------------------------------------------------
QUERIA CÊ UM PASSARIM
I QUI SUBESSE VUÁ,
CURRIRIA U MUNDO INTERO
SÓ PRAS GUERRA ACABÁ.
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CHOVE CHUVA NU TERRERO
CHOVE CHUVA SEM PARAR,
ÔOO MORENA VEM COMIGO
PRA DIBAXO DU POMAR.
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MORENINHA CÊ NUM SABE
U QUI É AMO,
POR ISSO VÔ TI INSINÁ
LHE ENVIANDO ESSA FLO.
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A ROSA NU JARDIM
U CRAVO AO LADO DELA,
I OÇÊ MEU AMOZIM
É A MINHA CINDARELA.
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NA BIQUINHA DA GROTINHA
IEU VI OÇÊ PASSÁ,
PARICIA UMA ISTRELA
NUMA NOITE DI LUAR.
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ESSA NOITI IEU TIVE UM SONHO
MI DEU PENA DI ACORDÁ,
OÇÊ VISTIDA DI NOIVA
IEU ESPRANO NO ARTAR.
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